Quantos sentimentos cabem dentro de uma saudade!? Uma afirmação e uma pergunta num mesmo enunciado.
Para cada pessoa isso se dá de uma maneira singular, sei. Mas saudade é aquilo que nos faz sorrir e lacrimejar ao mesmo tempo por algo que foi vivenciado ou por aquilo que gostaríamos de vivenciar?
Dói mais a saudade de algo que passou ou de algo que não aconteceu?
Onde a saudade se aloja, no pensamento, no coração, na alma, na pele?
Existe remédio para curar a saudade? E para provocar saudade, existe também?
Saudade da voz, do olhar, do toque, do cheiro. Do que está na memória, mas também o que está apenas na imaginação, uma espécie de "e se". Mas esses tantos "e se" não são passíveis de efetivação, porque no seu lugar está a saudade.
Saudade.
Saudade.
Saudade...
Um pouco de tudo... e também de nada. Aqui expresso minhas representações acerca do que penso, sinto, faço, vivo...
Originalidade?
Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Cada encontro carrega consigo uma possível despedida
Saí sem rumo.
Numa rua escura dei de cara com a lua. O formato dela me lembrou teu sorriso. Estacionei e fiquei hipnotizado, contemplando aquela beleza singular.
Tal como as circunstâncias foram diminuindo a quantidade e a intensidade do teu sorriso, a lua foi se deixando esconder por detrás de edificações e montanhas. Como corri atrás de ti outrora, me pus a rodar para encontrar aquele risquinho no céu. Tive mais alguns momentos de êxtase, mas resolvi virar as costas antes da lua se esconder por completo.
Cada encontro carrega consigo uma possível despedida.
Ela volta. Você... já não sei...
Numa rua escura dei de cara com a lua. O formato dela me lembrou teu sorriso. Estacionei e fiquei hipnotizado, contemplando aquela beleza singular.
Tal como as circunstâncias foram diminuindo a quantidade e a intensidade do teu sorriso, a lua foi se deixando esconder por detrás de edificações e montanhas. Como corri atrás de ti outrora, me pus a rodar para encontrar aquele risquinho no céu. Tive mais alguns momentos de êxtase, mas resolvi virar as costas antes da lua se esconder por completo.
Cada encontro carrega consigo uma possível despedida.
Ela volta. Você... já não sei...
domingo, 6 de outubro de 2013
Cuidado com o que você pensa
Eles voltam.
Cedo ou tarde eles voltam.
Geralmente é quando você está contigo mesmo.
São poucas as chances de fugir.
E mesmo que haja possibilidade de fuga, ela é momentânea.
Eles voltam.
Não pedem licença.
Não dizem por que vieram.
Não tem prazo para bater em retirada.
Você não se sente preparado para recebê-los.
Mas eles voltam.
Para perturbar teu sono.
Para fazer companhia para tua insônia.
Para jogar para longe tuas certezas.
Ou para te dar ainda mais convicção de algo.
Eles voltam.
Talvez nem seja o caso de voltarem.
Talvez eles sempre estão contigo e só dão uma trégua ilusória.
E são como fogo queimando.
Ou como a brisa que toca o rosto.
Eles se alimentam de você.
E você pode também se alimentar deles.
Mas fique atento!
Cuidado com teus pensamentos.
Porque eles voltam.
Cedo ou tarde eles voltam.
Geralmente é quando você está contigo mesmo.
São poucas as chances de fugir.
E mesmo que haja possibilidade de fuga, ela é momentânea.
Eles voltam.
Não pedem licença.
Não dizem por que vieram.
Não tem prazo para bater em retirada.
Você não se sente preparado para recebê-los.
Mas eles voltam.
Para perturbar teu sono.
Para fazer companhia para tua insônia.
Para jogar para longe tuas certezas.
Ou para te dar ainda mais convicção de algo.
Eles voltam.
Talvez nem seja o caso de voltarem.
Talvez eles sempre estão contigo e só dão uma trégua ilusória.
E são como fogo queimando.
Ou como a brisa que toca o rosto.
Eles se alimentam de você.
E você pode também se alimentar deles.
Mas fique atento!
Cuidado com teus pensamentos.
Porque eles voltam.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Quando o silêncio diz mais que as palavras
Quando criança, ou mesmo quando adulto, provavelmente você queimou a mão em algum lugar. Ou então prensou o dedo numa porta, numa janela, num baú. Ou talvez tenha encarado aquela dor fazer uma tatuagem... Enquanto lia isso, se você passou por alguma coisa dessas, você pode ter sentido um desconforto, já que uma memória foi acessada.
O filósofo escocês David Hume afirmava que a sensação original de algo é mais forte e mais intensa do que a lembrança de tal sensação. Às vezes lembramos de algo claramente, como se estivéssemos de fato sentindo novamente aquilo que foi vivenciado no passado. De acordo com as considerações de Hume, isso se dá apenas de forma aproximada, sendo menos intensa que a própria vivência. Aplicando isso aos nossos exemplos, tal desconforto que citei acima é apenas uma aproximação da dor que sentimos ao termos queimado a mão no fogão, ou prensado o dedo na porta do carro, ou aturado o entra e sai das agulhas na pele.
No que passo a considerar a seguir, isso é deslocado para a condição de nos colocarmos no lugar do outro. Ou seja, podemos até fazer esse exercício, mas nunca sentiremos, de fato, aquilo que a pessoa sente - será sempre algo por aproximação, nunca de maneira exata, precisa.
* * *
Hipoteticamente, eis uma situação em que o teu melhor amigo te liga, emocionado, noticiando a morte do pai dele, ou da mãe, ou de uma pessoa que de certa forma era especial para ele. Na hora você vai meio que tentar negar a veracidade da notícia com algo do tipo "não acredito!", "sério?". Depois de desligar o telefone, um copo d´água para digerir o que lhe foi informado e provavelmente você começará a pensar na dor do teu amigo, dos familiares, dos conhecidos de quem acaba de partir. É nesse momento que não se mede esforços para tentar ajudar.
O que geralmente costuma ser desconsiderado é a forma de ajuda que se está disponibilizando. Nessas circunstâncias difíceis um olhar, um aperto de mãos, um abraço, um carinho podem ser gestos nobres. Algumas palavras também podem ter alguma relevância. Porém, e muita atenção para este porém, gestos ou palavras jogadas ao vento podem surtir efeito reverso ou efeito algum em ocasiões assim. Isso porque a pessoa que você está disposta a ajudar está com a ferida aberta, com as funções do organismo debilitadas pelo choque, pelo cansaço de estar sem comer e sem dormir direito e pelos demais fatores e sintomas que uma perda pode trazer consigo.
O importante é se colocar no lugar do outro e ver as cosias com as prerrogativas dele. Não é uma tarefa fácil, pois nem todos conseguem se deslocar de seu próprio mundo e ir em direção ao mundo do outro. Fazer esse exercício ajuda a não cometermos equívocos quando, na verdade, nossa intenção era de ajudar, de ser útil, de confortar a pessoa que gostamos, como estamos tratando aqui.
De nada vai adiantar, por exemplo, tentar confortar seu amigo ateu com dizeres do tipo "ah, ela (a pessoa) vai estar melhor no lugar para onde foi". Ora, se seu amigo não confia na vida pós morte, essas palavras não vão ajudar em nada. Ou "foi melhor assim". Seu amigo pode pensar ou até mesmo lhe dizer "melhor pra quem?" ou "melhor pra você que não acabou de perder um irmão".
Entendo as manifestações de carinho em que cada um tenta, à sua maneira, minimizar a dor do outro. Geralmente isso costuma ser bom para quem enfrenta essa barra. Particularmente, e não é nada de insensibilidade - muito pelo contrário, prefiro um abraço e um silêncio. Voltando ao que introduziu esse texto, mesmo que nos desloquemos até o mundo do outro só conseguiremos sentir por aproximação aquilo que ele está sentindo.
* * *
Concluo com o que Rubem Alves expôs num escrito seu chamado A Dor da Morte, presente no livro Pimentas - Para provocar um incêndio, não é preciso fogo.
"A morte faz calar as palavras. São inúteis. Servem para nada. Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que palavras de consolo, brotadas das mais puras intenções, são ofensas à dor da pessoa golpeada pela morte. Porque elas, as palavras de consolo, são ditas no pressuposto de que elas tem poder para diminuir o vazio que a morte deixou. Como se a pessoa que a morte levou não fosse tão importante assim e algumas palavras pudessem diminuir a dor que sua morte deixou."
* * *
domingo, 22 de setembro de 2013
não temos como passar pela vida imunes às coisas que não nos são muito agradáveis
Gosto do conceito de resiliência. Tanto que essa é uma das tatuagens que tenho. Dias atrás uma colega me perguntou o que significava. Expliquei que resiliência, grosso modo, é capacidade de superar condições adversas.
Não conheço ninguém que tenha passado pela vida sem sem uma dor, sem uma decepção. Acontece que num determinado momento as coisas não vão dar certo, não vão sair conforme haviam sido planejadas; em outras palavras, alguma coisa vai fazer com que quebremos a cara. Isso porque a vida não vem empacotadinha, com manual de instruções, modos de usar, validade, entre outras recomendações. E, quer saber?, no fundo isso até torna as coisas um tanto divertidas.
Claro que não é bom sofrer. Mas, sinto muito, preciso te alertar de uma coisa: não temos como passar pela vida imunes às coisas que não nos são muito agradáveis. Desde cedo quebramos nossos brinquedos, extraviamos nossos pertences, nossas roupas logo ficavam pequenas e não serviam mais... Aí já está um indicativo de que na vida as perdas são inevitáveis, que naturalmente algumas coisas ficam para trás, queiramos ou não. Poderiam ter nos ensinado que o fato de termos aprendido a levantar das quedas que tomamos quando tentamos firmar os primeiros passos também era uma lição importante para a vida toda. Mas esses detalhes muitas vezes foram negligenciados na nossa educação e então mais tarde quando perdemos alguma coisa, uma pessoa, um relacionamento, um objeto, um mal estar muito grande se instaura.
As perdas remetem a um período de luto. Sim, luto não é apenas quando morre alguém que gostamos. É certo que vai haver um período difícil, já que uma "fossa" vai ser vivenciada até que as feridas cicatrizem. Há quem lamba as próprias feridas e há quem precise de ajuda para tanto. Tem aquelas pessoas que tentam resolver tudo imediatamente com precisão matemática e tem aquelas que deixam o tempo passar para amenizar os sintomas. Enfim, é muito singular o que ocorre com cada um(a).
Então, já que essas adversidades fazem parte da vida, resiliência! Que possamos, cada qual à sua maneira, superar os obstáculos que se apresentam e que isso, de certa forma, contribua de maneira positiva para com nossa existência.
"Nada como um dia após o outro.
Continuar. Viver.
Continuar. Viver.
E quando o sol nascer temos que recomeçar de novo.
E acreditar, dias melhores virão.
Espere o melhor.
Prepare-se para o pior.
E aceite o que vier"
Perdas - CPM 22
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
"O diabo é deixar de viver" *
Mario Quintana tem um poema magnífico que volta e meia eu revisito.
"Um dia... pronto... me acabo.
Pois seja o que tem de ser.
Morrer: que me importa?
O diabo é deixar de viver."
O fenômeno da morte biológica é irreversível. Começamos a morrer a partir do momento que fomos concebidos. E dessa morte não temos como fugir.
Dos mortais, somos os únicos que temos consciência dessa finitude. O cão, o gato, o elefante, a girafa e os outros animais também morrerão, mas eles vivem cada dia como sendo o único, enquanto nós, seres humanos, vivemos cada dia como sendo o último.
Quando faço essas considerações acerca da morte não é somente a ela que me refiro, mas em especial à vida. Já que nosso prazo de validade não vem estipulado em rótulo algum (embora seja pouco provável ultrapassarmos mais de uma centena de anos), como estamos vivendo, como estamos preenchendo esse tempo de vida que ainda nos resta?
Cabe advertir que viver não é somente estar vivo. Até pode ser que algumas pessoas encarem a vida dessa forma, pois cada uma tem um universo singular de significação. Entendo e respeito isso. Mas me parece que apenas ocupar espaço no mundo não é uma das formas mais atraentes de ser.
O que tem preocupado ultimamente é o crescente número de pessoas que estão moribundas, vivendo vidas inúteis, fúteis, vazias, mornas; pessoas que deixaram de viver antes mesmo da morte biológica.
Torno a questionar: como estamos exercitando nossa existência no mundo?
Que possamos refletir sobre o estilo de vida que estamos levando e, se necessário, re-inventar nossa maneira de viver - cada qual levando em consideração a sua estruturação existencial, circunstâncias e contextos.
Que a vida pulse nas veias de cada um.
* Inspirado pela poesia, pela música e pelos murmúrios do silêncio que ecoavam na madrugada.
Como cantou Chorão com o Charlie Brown Jr, "vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo". E como canta Tico Santa Cruz com os Detonautas, "vamos viver, que o que a gente vive é uma vida e nada mais".
"Um dia... pronto... me acabo.
Pois seja o que tem de ser.
Morrer: que me importa?
O diabo é deixar de viver."
O fenômeno da morte biológica é irreversível. Começamos a morrer a partir do momento que fomos concebidos. E dessa morte não temos como fugir.
Dos mortais, somos os únicos que temos consciência dessa finitude. O cão, o gato, o elefante, a girafa e os outros animais também morrerão, mas eles vivem cada dia como sendo o único, enquanto nós, seres humanos, vivemos cada dia como sendo o último.
Quando faço essas considerações acerca da morte não é somente a ela que me refiro, mas em especial à vida. Já que nosso prazo de validade não vem estipulado em rótulo algum (embora seja pouco provável ultrapassarmos mais de uma centena de anos), como estamos vivendo, como estamos preenchendo esse tempo de vida que ainda nos resta?
Cabe advertir que viver não é somente estar vivo. Até pode ser que algumas pessoas encarem a vida dessa forma, pois cada uma tem um universo singular de significação. Entendo e respeito isso. Mas me parece que apenas ocupar espaço no mundo não é uma das formas mais atraentes de ser.
O que tem preocupado ultimamente é o crescente número de pessoas que estão moribundas, vivendo vidas inúteis, fúteis, vazias, mornas; pessoas que deixaram de viver antes mesmo da morte biológica.
Torno a questionar: como estamos exercitando nossa existência no mundo?
Que possamos refletir sobre o estilo de vida que estamos levando e, se necessário, re-inventar nossa maneira de viver - cada qual levando em consideração a sua estruturação existencial, circunstâncias e contextos.
Que a vida pulse nas veias de cada um.
* Inspirado pela poesia, pela música e pelos murmúrios do silêncio que ecoavam na madrugada.
Como cantou Chorão com o Charlie Brown Jr, "vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo". E como canta Tico Santa Cruz com os Detonautas, "vamos viver, que o que a gente vive é uma vida e nada mais".
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Às vezes vale mais imaginar do que ver
Semana passada comentei com algumas garotas que ando com uma tendência a me apaixonar por mulheres que usam calça jeans. Siim, falei mesmo isso. E depois, pensando um pouco mais, percebi que não é tanta babaquice assim. Oras, em alguns lugares que vou estou acostumado a ver coxas torneadas e pedacinhos de nádegas à mostra em shorts e vestidos minúsculos...
Sei que me e se perguntarão se a roupa que uma pessoa usa diz alguma coisa sobre ela. Pois eu respondo: às vezes a roupa é, sim, uma maneira que a pessoa usa para se expressar; noutras vezes, nem de longe. E isso quem indica não sou eu, nem você, mas a pessoa em questão.
Continuando. Eu admiro o corpo feminino. Ah, o corpo feminino! Quantos encantos e enigmas podem haver nesse ser que foi feito carinhosamente a partir das costelas de Adão (ah, vamos fingir que todos acreditamos nessa parte da historinha da criação).
Pois bem, que padrão de beleza encontramos na nossa época? O corpo torneado, durinho, produzido ou na academia ou desenhado nas mesas cirúrgicas das clínicas de estética. Para muitas pessoas o que importa é isso mesmo. Mas também tem a contraposição: para muitas outras o corpo é apenas uma das tantas dezenas, centenas ou milhares de coisas que se tem na vida.
Unindo a questão da roupa curta e a do corpo sarado, trago aqui algumas palavras do Ferreira Gullart, que foi de onde veio essa minha inquietação para escrever. Ele diz o seguinte: "antigamente a mulher não mostrava nem o pé ao namorado. Hoje muitas delas mostram a bunda em público, protegida apenas por um fio dental. A principal virtude dessa nova mulher é a bunda".
E logo adiante, continua: "que importância se dará aos joelhos de quem já se viu a bunda? Às vezes vale mais imaginar do que ver".
Gullart expressa isso no sentido erótico da coisa. Ora, o que está toda hora à exposição destrói o caráter imaginativo. Nessa perspectiva o corpo como cartão de visitas pode tanto causar o interesse quanto o desinteresse. E isso não depende só de quem se exibe, mas também de quem observa.
Mulheres que usam calça jeans, cuidado que eu me apaixono, hein?!
=)
Sei que me e se perguntarão se a roupa que uma pessoa usa diz alguma coisa sobre ela. Pois eu respondo: às vezes a roupa é, sim, uma maneira que a pessoa usa para se expressar; noutras vezes, nem de longe. E isso quem indica não sou eu, nem você, mas a pessoa em questão.
Continuando. Eu admiro o corpo feminino. Ah, o corpo feminino! Quantos encantos e enigmas podem haver nesse ser que foi feito carinhosamente a partir das costelas de Adão (ah, vamos fingir que todos acreditamos nessa parte da historinha da criação).
Pois bem, que padrão de beleza encontramos na nossa época? O corpo torneado, durinho, produzido ou na academia ou desenhado nas mesas cirúrgicas das clínicas de estética. Para muitas pessoas o que importa é isso mesmo. Mas também tem a contraposição: para muitas outras o corpo é apenas uma das tantas dezenas, centenas ou milhares de coisas que se tem na vida.
Unindo a questão da roupa curta e a do corpo sarado, trago aqui algumas palavras do Ferreira Gullart, que foi de onde veio essa minha inquietação para escrever. Ele diz o seguinte: "antigamente a mulher não mostrava nem o pé ao namorado. Hoje muitas delas mostram a bunda em público, protegida apenas por um fio dental. A principal virtude dessa nova mulher é a bunda".
E logo adiante, continua: "que importância se dará aos joelhos de quem já se viu a bunda? Às vezes vale mais imaginar do que ver".
Gullart expressa isso no sentido erótico da coisa. Ora, o que está toda hora à exposição destrói o caráter imaginativo. Nessa perspectiva o corpo como cartão de visitas pode tanto causar o interesse quanto o desinteresse. E isso não depende só de quem se exibe, mas também de quem observa.
Mulheres que usam calça jeans, cuidado que eu me apaixono, hein?!
=)
domingo, 11 de agosto de 2013
Existe alguma fórmula mágica que te faça entender alguma coisa sem ao menos eu falar contigo? Telepatia ou alguma outra conexão através de pensamentos?
Talvez nem seja o caso de te fazer entender, mas de te confundir. Ou, quem sabe, de te fazer sentir. Afinal, isso quebra a lógica racional, ultrapassa os limites das nomenclaturas, está para além daquilo que pode ser dito.
Eu estava me sentindo bem, mas tua companhia me deixou melhor ainda. Peguei carona nas tuas asas. Fui às alturas contigo. Quando caí de volta para o chão nem pensei em me entristecer por ter te deixado partir. Pelo contrário, passei um bom tempo divagando e curtindo a sensação extasiante de poder ter estado em outro plano contigo. Afinal, não é todo dia que se embarca numa viagem assim.
O portal não se fechou. Quando me destes as costas, tua ida em direção contrária não significou um adeus, mas um até breve. E mesmo que isso demore uma eternidade, não esquecerei da suavidade na qual fui envolto.
Eu disse que não agradeceria, mas o fiz e estou novamente emanando minha gratidão a você, que de alguma forma ou de outra vai saber e vai sentir isso.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Saú(da)de!
Dia dos Pais se aproximando.
Mais uma data para movimentar o comércio. Mas não dá para negar que também é uma data para desengessar o coração, para dar aquele abraço forte no "velho", no "coroa". Privilégio para quem tem o pai ao alcance.
Sou da opinião que a figura de pai e de mãe ninguém substitui. Os papeis de ambos até podem ser se configurar com pai fazendo papel de mãe ou essa fazendo papel de pai. Mas a pessoa, a figura, essa nada nem ninguém substitui. Falo isso segundo as minhas prerrogativas. Sei que existem diferentes formas de ser no mundo e não é minha pretensão que todo mundo pense, sinta, se comporte da mesma forma.
Já vi o mundo desabar nos meus ombros algumas vezes. A perda do meu pai foi uma delas. Mas aprendi a lição de ser forte, independente do que surja. Como cantou Chorão "quando a casa cai não dá pra fraquejar. Quem é guerreiro tá ligado que guerreiro é assim." É mais ou menos isso que me norteia. Desistir sem lutar não é comigo. Não para ser melhor que alguém, mas para ser melhor que fui ontem. E na maioria das vezes o aprendizado está sendo relevante. Como o marginal alado versou "vivendo nesse mundo louco hoje só na brisa, viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida."
Hoje faz 5 meses da morte do Chorão, o marginal alado. Final de semana é o 9º Dia dos Pais que o meu não está mais nessa jornada. Duas pessoas, cada qual com suas singularidades e dons, que deram a muitas a alegria de terem pisado na terra.
A saudade é grande. Mas os ensinamentos repassados os fizeram imortais em minha mente e em meu coração e servem como antídoto.
Um brinde à saúde e à saudade.
Saú(da)de!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
loucura no amor e razão na loucura
"É verdade: amamos a vida não por estarmos habituados à vida, mas ao amor.
Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
E também a mim, que sou bem-disposto com a vida, parece-me que borboletas e bolhas de sabão, e o que há de sua espécie entre os homens, são quem mais entende de felicidade.
Ver esvoejar essas alminhas ligeiras, tolas, encantadoras e volúveis leva Zaratustra às lágrimas e ao canto.
Eu acreditaria somente num deus que soubesse dançar."
Nietzsche, Assim falou Zaratustra
Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
E também a mim, que sou bem-disposto com a vida, parece-me que borboletas e bolhas de sabão, e o que há de sua espécie entre os homens, são quem mais entende de felicidade.
Ver esvoejar essas alminhas ligeiras, tolas, encantadoras e volúveis leva Zaratustra às lágrimas e ao canto.
Eu acreditaria somente num deus que soubesse dançar."
Nietzsche, Assim falou Zaratustra
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
O homem como invenção de si mesmo
Saudações, terráqueos!
Minha leitura da madrugada foi bem interessante. Depois daquele café forte que eu sabia no que ia dar, fiquei zumbiziando até umas horas. O suficiente para ler O homem como invenção de si mesmo - monólogo em um ato, do Ferreria Gullar. Um livro de 70 páginas que na verdade foi pensado para ser uma peça teatral. Segue, então, um esqueleto do que se trata e, claro, alguns recortes literais da obra.
A temática central gira em torno do título da obra, ou seja, o homem como invenção de si mesmo. O autor afirma que a obra consiste em explicitar a teoria segundo a qual "a vida é inventada e que nós mesmos nos inventamos".
Nos primeiros passos, ou nas primeiras páginas, surge a questão da inserção do bicho homem a uma cultura, o que nos torna seres humanos. Somos, então, seres naturais, constituídos por traços biológicos, naturais; por outro lado, somos seres culturais, o que nos permite a criação, a inventividade. "O homem quando nasce é ninguém. Ele se torna gente pela educação, pela cultura, pelo que lhe ensinam. Ele já encontra um mundo humano inventado e nele se integra; outros decidem reinventá-lo."
Tão logo inicia essa reflexão, aflora a questão de uma divindade. Para Gullar, "Deus é de fato a resposta que o homem encontrou para a mais angustiante de todas as perguntas: a vida tem sentido?" Segundo ele a resposta é negativa. "A vida não tem sentido. Nós é que lhe atribuímos sentido." A tese do autor é que o próprio homem inventou Deus para, de certa forma, responder inquietações que a consciência nos impõe, tais como "por que existo? Por que terei que morrer um dia? Será a morte o fim de tudo?" Para preencher a sensação de desamparo e lançar esperança numa vida após a vida terrena é que o homem criou a imagem do sobrenatural. Afinal, "é insuportável viver ao sabor do acaso, sujeito a forças que a gente não controla. Mais uma razão para existir Deus, Ele é o oposto do acaso. A Providência Divina nos faz acreditar que estamos protegidos, que vivemos em segurança".
Intrínseca a essa reflexão sobre a divindade está a temática das religiões. Elas ditam o que é certo e o que é errado e isso faz com que, desde cedo, as crianças aprendam a seguir a cartilha. O pensamento ou comportamento que destoe do que pregam os dogmas religiosos é considerado pecado. E quem peca ou se arrepende e não comete mais o erro, ou vai paro o inferno. Isso mesmo. Inferno, outra invenção humana carregada de significado religioso. Imagina então como fica a cabeça de uma criança com toda essa coação...
Pois bem, o primeiro pecado tem a ver com Adão e Eva. Portanto, muitos dos tabus, preceitos e preconceitos sexuais vem daí. E eu pergunto, o que eu e você temos a ver com pecado original? A condenação do sexo a ponto de torná-lo pecado é um dogma insustentável, segundo o autor, pois sexo é uma coisa natural, animal, instintual. Para dar uma falsa impressão de liberdade a Igreja Católica diminuiu o ímpeto a passou a permitir o sexo, desde que os casais se unam de acordo com as leis da igreja. "Mas só pode transar se for para procriar. Transar por transar, só para ter prazer, não pode. Nada de sacanagem, beijinho aqui, beijinho ali, mãozinha, dedinho, nada disso. Trepar é coisa séria. Papai-mamãe. Meteu, gozou, tirou e pronto. Nada de ficar gemendo, revirando os olhos, se torcendo de gozo na cama. Quem faz isso só pode estar com o Diabo no couro."
Retomando e finalizando, ao mesmo tempo. O homem é invenção dele próprio, ele se inventa e se reinventa de acordo com sua constituição animal, no contato com a cultura e o que advém dela e segundo a significação que atribui ao que se lhe apresenta. É isso o que expressa o conceito de constituição bio-psico-social.
Creio que esses sejam os principais pontos desse pequeno livro, mas com profundo conteúdo filosófico, religioso, psicológico.
Quem refletiu até aqui provavelmente tem alguma coisa para refutar, para acrescentar, para criticar. Fique à vontade para tanto.
Fica a indicação de leitura dO homem como invenção de si mesmo.
Minha leitura da madrugada foi bem interessante. Depois daquele café forte que eu sabia no que ia dar, fiquei zumbiziando até umas horas. O suficiente para ler O homem como invenção de si mesmo - monólogo em um ato, do Ferreria Gullar. Um livro de 70 páginas que na verdade foi pensado para ser uma peça teatral. Segue, então, um esqueleto do que se trata e, claro, alguns recortes literais da obra.
A temática central gira em torno do título da obra, ou seja, o homem como invenção de si mesmo. O autor afirma que a obra consiste em explicitar a teoria segundo a qual "a vida é inventada e que nós mesmos nos inventamos".
Nos primeiros passos, ou nas primeiras páginas, surge a questão da inserção do bicho homem a uma cultura, o que nos torna seres humanos. Somos, então, seres naturais, constituídos por traços biológicos, naturais; por outro lado, somos seres culturais, o que nos permite a criação, a inventividade. "O homem quando nasce é ninguém. Ele se torna gente pela educação, pela cultura, pelo que lhe ensinam. Ele já encontra um mundo humano inventado e nele se integra; outros decidem reinventá-lo."
Tão logo inicia essa reflexão, aflora a questão de uma divindade. Para Gullar, "Deus é de fato a resposta que o homem encontrou para a mais angustiante de todas as perguntas: a vida tem sentido?" Segundo ele a resposta é negativa. "A vida não tem sentido. Nós é que lhe atribuímos sentido." A tese do autor é que o próprio homem inventou Deus para, de certa forma, responder inquietações que a consciência nos impõe, tais como "por que existo? Por que terei que morrer um dia? Será a morte o fim de tudo?" Para preencher a sensação de desamparo e lançar esperança numa vida após a vida terrena é que o homem criou a imagem do sobrenatural. Afinal, "é insuportável viver ao sabor do acaso, sujeito a forças que a gente não controla. Mais uma razão para existir Deus, Ele é o oposto do acaso. A Providência Divina nos faz acreditar que estamos protegidos, que vivemos em segurança".
Intrínseca a essa reflexão sobre a divindade está a temática das religiões. Elas ditam o que é certo e o que é errado e isso faz com que, desde cedo, as crianças aprendam a seguir a cartilha. O pensamento ou comportamento que destoe do que pregam os dogmas religiosos é considerado pecado. E quem peca ou se arrepende e não comete mais o erro, ou vai paro o inferno. Isso mesmo. Inferno, outra invenção humana carregada de significado religioso. Imagina então como fica a cabeça de uma criança com toda essa coação...
Pois bem, o primeiro pecado tem a ver com Adão e Eva. Portanto, muitos dos tabus, preceitos e preconceitos sexuais vem daí. E eu pergunto, o que eu e você temos a ver com pecado original? A condenação do sexo a ponto de torná-lo pecado é um dogma insustentável, segundo o autor, pois sexo é uma coisa natural, animal, instintual. Para dar uma falsa impressão de liberdade a Igreja Católica diminuiu o ímpeto a passou a permitir o sexo, desde que os casais se unam de acordo com as leis da igreja. "Mas só pode transar se for para procriar. Transar por transar, só para ter prazer, não pode. Nada de sacanagem, beijinho aqui, beijinho ali, mãozinha, dedinho, nada disso. Trepar é coisa séria. Papai-mamãe. Meteu, gozou, tirou e pronto. Nada de ficar gemendo, revirando os olhos, se torcendo de gozo na cama. Quem faz isso só pode estar com o Diabo no couro."
Retomando e finalizando, ao mesmo tempo. O homem é invenção dele próprio, ele se inventa e se reinventa de acordo com sua constituição animal, no contato com a cultura e o que advém dela e segundo a significação que atribui ao que se lhe apresenta. É isso o que expressa o conceito de constituição bio-psico-social.
Creio que esses sejam os principais pontos desse pequeno livro, mas com profundo conteúdo filosófico, religioso, psicológico.
Quem refletiu até aqui provavelmente tem alguma coisa para refutar, para acrescentar, para criticar. Fique à vontade para tanto.
Fica a indicação de leitura dO homem como invenção de si mesmo.
Adiós.
Abrazo.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
O caminho é você quem traça
Não sou muito pretensioso. Lembro de um passado no qual eu bolava planos mirabolantes na minha cabeça quanto ao futuro. Mas hoje a lista do que eu preciso para viver é bem menor. Acho que a tônica agora é intensidade, qualidade e não quantidade. Mas isso não necessariamente quer dizer que eu não queira ser uma pessoa melhor a cada dia. Não melhor que alguém, mas melhor para eu mesmo e melhor que eu mesmo. Superação, desenvolvimento, crescimento para que a vida não passe em vão e para que ela não seja inútil, fútil.
Mário Sérgio Cortella diz que "gente que é grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce; gente muito pequena acha que já é grande e o único modo de ela crescer é se ela abaixar/humilhar outra pessoa". Portanto, para potencializar a capacidade de crescimento devemos perceber nossa condição de pequenez. Não que devemos abortar nossos sonhos e ambições, mas nutrirmos a insatisfação. Guimarães Rosa já nos alertou que "o animal satisfeito dorme". A satisfação dá a falsa impressão de que tudo está consumado e de não se pode ir além de onde se está.
Os deuses deram as cartas. A sorte foi lançada. Mas muito do resultado depende do que você fez a partir do momento que entrou no jogo.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
"tu és um vice-treco do sub-troço" *
"Tu és um indivíduo entre outros 6 bilhões e 400 milhões de indivíduos,
compondo uma única espécie entre outras 3 milhões de espécies já classificadas, que vive num
planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre outras 100
bilhões de estrelas, compondo uma única galáxia, entre outras 200 bilhões de
galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Quem é você? Quem sou eu?
Quem sou para achar que o único
modo de fazer as coisas é como eu faço? Quem sou eu para achar que cor de pele
adequada é a que eu tenho? Quem sou para achar que o único lugar bom para
nascer foi onde eu nasci? Quem sou eu para achar que o único sotaque correto é
o que eu uso? Quem sou eu para achar que a única religião certa é a que eu
pratico? Quem sou eu?Quem és tu? Tu és um vice-treco do sub-troço.”
=)
terça-feira, 18 de junho de 2013
Cansamos
Impossível não lembrar das canções do Cazuza, do Renato Russo, do Raul Seixas, da Plebe Rude, dos Titãs, dos Paralamas do Sucesso, dos Detonautas Roque Clube, do Gabriel O Pensador e tantos outros artistas que expressam em suas letras um sentimento de protesto, de revolta, de indignação. Mas não dá pra esquecer que muitos deles também propaga a paz, o amor, a poesia.
O Brasil está em ebulição. Muitas pessoas estão mudando de atitude, passando da passividade para a atividade, do comodismo para a reflexão, da teoria para a prática. Muitos brasileiros cansaram.
Nosso cansaço vem do descaso com as necessidades básicas dos cidadãos. Cansamos de trabalhar meio ano para pagar impostos. Cansamos de ver esses impostos irem para contas bancárias e cuecas de políticos corruptos. Cansamos de sustentar esse engravatados que são os mais caros do mundo. Cansamos de ver políticas públicas baratas feitas somente com o intuito de troca de favores eleitorais. Cansamos de ver gente morrendo em filas de hospitais. Cansamos de ver colarinhos brancos atolados até a bunda com propinas e falcatruas de todas as espécies. Cansamos de ver criança passando fome. Cansamos de idosos levando anos para receber uma migalha de aposentadoria. Cansamos de mendigar o mínimo, sabendo que de nós sempre foi cobrado o máximo. Cansamos de ver servidores públicos abandonando a carreira por falta de capacitação e de remuneração. Cansamos de ter nossos direitos privados sem justificativas morais e legais para tanto. Cansamos duma falsa democracia. Cansamos de ver gente fodendo com a nossa vida e com os nossos sonhos enquanto apenas gritávamos gol. Cansamos disso e de muitas outras coisas que cada um pode ir acrescentando motivos na lista ad infinitum. O jogo agora é outro. As regras são outras. Chega de ser prego, é hora de sermos martelo.
As manifestações que estão ocorrendo no país são, sim, legítimas. Essa história que a mídia está tentando passar, de que são apelos pela redução dos valores das passagens do transporte público das grandes cidades, é mais uma tentativa de minimizar os problemas que estão bem embaixo do nosso nariz. Só não enxerga quem não quer ver e quem é da elite que caga para o resto da população. Aliás, para entender um pouco mais do que realmente está acontecendo o mais indicado é que a televisão seja desligada. As redes sociais estão cheias de conteúdos, textos, imagens, vídeos do que está se passando em todos os cantos do Brasil.
As manifestações que estão ocorrendo no país são, sim, legítimas. Essa história que a mídia está tentando passar, de que são apelos pela redução dos valores das passagens do transporte público das grandes cidades, é mais uma tentativa de minimizar os problemas que estão bem embaixo do nosso nariz. Só não enxerga quem não quer ver e quem é da elite que caga para o resto da população. Aliás, para entender um pouco mais do que realmente está acontecendo o mais indicado é que a televisão seja desligada. As redes sociais estão cheias de conteúdos, textos, imagens, vídeos do que está se passando em todos os cantos do Brasil.
Os protestos estão ocorrendo num momento oportuno, já que os holofotes mundiais estão direcionados ao país devido à realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de Futebol. Os maiores motivos que eu vejo para a indignação e que me parecem contribuir para isso são os gastos elevados na construção de estádios para esses eventos, principalmente os das cidade que depois não sediarão eventos da mesma magnitude, e as barbáries que nossos representantes da Câmara dos Deputados e do Senado estão cometendo.
Está havendo excessos da polícia? Sim! Muitas vezes os policias acabam exagerando na dose e cometendo idiotices sem tamanho de abuso de autoridade e violência contra os manifestantes. Na semana passada o que mais teve foi disparo com munição de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. Isso só mostra o despreparo que eles têm para lidar com situações assim. Ontem em São Paulo a manifestação já foi mais pacífica e espera-se que assim seja de agora em diante.
Está havendo excessos da polícia? Sim! Muitas vezes os policias acabam exagerando na dose e cometendo idiotices sem tamanho de abuso de autoridade e violência contra os manifestantes. Na semana passada o que mais teve foi disparo com munição de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. Isso só mostra o despreparo que eles têm para lidar com situações assim. Ontem em São Paulo a manifestação já foi mais pacífica e espera-se que assim seja de agora em diante.
Está havendo atos de vandalismo? Sim! Algumas pessoas também acabam confundindo um ato pacífico com um ato extremista. Além disso, há todo tipo de pessoa infiltrada numa massa de milhares de manifestantes. Então, nem 8, nem 80. Nem toda a polícia, nem todos os manifestantes são santos.
O fato é que o momento é um marco no futuro do país.
Eu sou a favor das manifestações. Se possível, que seja sem violência de todas as partes.
E que as cabeças pensantes continuem espalhando mensagens que possam contribuir para dar novos rumos para a zona chamada Brasil. Porque administrada do jeito que está, não dá. E nós cansamos...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
um pouco de realidade na fantasia ou um pouco de fantasia na realidade
Apenas mais um dia. Difícil, diga-se de passagem.
Depois de dias difíceis as criaturas noturnas tem
ainda mais dificuldade de acomodar os pensamentos e dormir em paz. Uma mesa de
bar e algumas bebidas costumam ser ótimas companhias e tranquilizantes melhores
do que os vendidos nas farmácias.
Fim de noite. Esgotamento quase total. Percepção
alterada. A noção do tempo já foi para o espaço. As energias são levemente
revigoradas com apenas um olhar, com um gesto mínimo que aponte para a
reciprocidade de diversão a dois. É hora de dar vazão aos instintos sem se
preocupar com os papéis sociais ou quaisquer outras convenções que não se
aplicam para o momento. Como expressou Bukowski, “sinta mais, pense menos”. E
esse é o nosso acordo: se entregar, curtir e guardar isso só para nós mesmos. Foda-se
o mundo lá fora. Agora o que importa é eu e você. E o que a gente pode fazer
juntos.
O momento é nosso e de ninguém mais. Nossos corpos
ávidos e sedentos entram em combustão quando sentem o calor um do outro. A
química envolve os olhares, os toques, os cheiros, os suspiros, os sussurros,
os gemidos, os sorrisos. E tudo isso é espontâneo. Ninguém nos obrigou, ninguém
nos forçou. Estamos nos divertindo por opção, sendo levados pelo desejo, pelo
tesão. Sensações indescritíveis fazem parte desses instantes sublimes. Esses
prazeres carnais contribuem para deixar a alma leve.
Eu curti pra caralho! Quero bis. Se tiver outra
oportunidade pode crer que não vai ser menos intenso, nem menos divertido.
O dia seguinte não teve ressaca moral. E a coisa mais
agradável foi sentir o cheiro do teu corpo e dos teus cabelos em mim e na minha
roupa.
Valeu. Um piscar de olhos para você. ;)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Dos dilemas da vida*
Duas pessoas, um homem e uma mulher, tem um compromisso uma para com a outra.
O homem adoece. É diagnosticado um problema renal e a necessidade de transplante é urgente.
A mulher realiza exames para verificar a compatibilidade. Ela poderia ser a doadora, não fosse a gravidez, descoberta na bateria de exames há pouco feita. Caso deseje mesmo doar o órgão ao parceiro, o feto não resistirá.
Eis aí o dilema para ambos.
O homem abre mão de sua própria vida para que a mulher tenha o bebê?
E a mulher, aborta o bebê para salvar a vida do companheiro?
Vários aspectos têm que ser ponderados para um esboço de argumentação. Imaginem, então, vivenciar esse dilema na pele...
Deixemos as respostas simplórias para depois e nos esforcemos nessa tarefa hipotética. A questão é: e se eu estivesse diretamente envolvido numa situação assim?
O homem adoece. É diagnosticado um problema renal e a necessidade de transplante é urgente.
A mulher realiza exames para verificar a compatibilidade. Ela poderia ser a doadora, não fosse a gravidez, descoberta na bateria de exames há pouco feita. Caso deseje mesmo doar o órgão ao parceiro, o feto não resistirá.
Eis aí o dilema para ambos.
O homem abre mão de sua própria vida para que a mulher tenha o bebê?
E a mulher, aborta o bebê para salvar a vida do companheiro?
Vários aspectos têm que ser ponderados para um esboço de argumentação. Imaginem, então, vivenciar esse dilema na pele...
Deixemos as respostas simplórias para depois e nos esforcemos nessa tarefa hipotética. A questão é: e se eu estivesse diretamente envolvido numa situação assim?
* Ao som de
domingo, 19 de maio de 2013
Uma dúzia de mulheres que fazem minha cabeça
Algumas coisas mexem com o imaginário masculino. Às vezes eu fecho os olhos, abstraio e viajo com as vozes, sussurros e gritos dessas divas da música. Elas cantam e encantam, literalmente.
#musicismyreligion
Tarja Turunen, Amy Lee, Pitty, Flávia Couri, Érika Martins, Vivi Peçaibes, Vanessa Krongold, Megh Stock, Tati Portella, Deia Cassali, Luísa LoveFoxxx, Andrea Martins.
Di-vir-tam-se!
=)
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Barba Ensopada de Sangue
O pai o chama o para uma conversa franca. Eles conversam sobre a misteriosa e não esclarecida morte do avô. Inesperadamente, o pai pede para que lhe prometa uma coisa: sacrificar a cadela que há tantos anos lhe acompanha. Motivo? O pai tomara a decisão de suicidar-se. Acha que está velho e doente, que já viveu o que poderia viver, que já cumpriu sua jornada na terra.
Após o suicídio do pai, pega seus poucos pertences e muda-se para Garopaba. Não sacrifica a cadela, que torna-se sua melhor companhia. Aluga um lugar à beira-mar para morar, com pagamento adiantado por um ano. Vende seu Fista e começa a trabalhar numa academia, dando aulas de natação. Passa a perguntar para as pessoas se tem alguma informação do Gaudério, seu avô, que teria sido morto por aquelas bandas. Em vão.
Conhece algumas pessoas, inclusive algumas garotas com as quais manteve relacionamentos curtos e conturbados. Continua tentando desvendar o mistério da morte do avô e larga o trabalho. Se mete em grandes enrascadas remexendo no passado e pondo a própria vida (e a sanidade) em risco.
Certa feita recebe a visita da mãe. Quem o visita também é a esposa do seu irmão, sua ex-namorada, que o convida para ser padrinho do filho que está esperando...
Isso e tantas outras tramas se passam no livro de Gabriel Galera. Uma leitura envolvente, cheia de reflexões das bifurcações e surpresas que a vida eventualmente apresenta.
Trechos que (como de costume) grifei.
"Na adolescência o resto da vida parece uma eternidade e vamos supondo que sobrará tempo para tudo."
"Tu pode deixar pra trás um filho, um irmão, um pai, com certeza uma mulher, há circunstâncias em que tudo isso é justificável, mas não tem o direito de deixar pra trás um cachorro depois de cuidar dele por um certo tempo."
"Tô começando a ficar doente e não tô a fim. Não sinto mais o gosto da cerveja, os charutos tão me fazendo mal e não consigo parar, não tenho vontade nem de tomar viagra pra fuder, não tenho nem a nostalgia de fuder. Essa vida é comprida demais e não tenho paciência. Viver depois dos sessenta, pra quem teve uma vida como a minha, é questão de teimosia. Respeito quem investe nisso, mas não tô a fim.Fui feliz até uns dois anos atrás e agora quero ir embora. Quem acha errado que viva até os cem se quiser, desejo sucesso. Nada contra."
"O que seria da gente sem falsas esperanças?"
"Às vezes só com as sacudidas e choques que a vida dá a gente consegue ter o desprendimento pra concretizar sonhos[...]"
"Essas coisas de relacionamento a gente não escolhe quando acontece. O vento cármico leva e traz."
"Para cada surpresa há dezenas ou centenas de confirmações do que já era mais ou menos esperado ou intuído e toda essa previsibilidade tende a passar despercebida."
"O melhor é jamais fazer esforço nenhum para conquistar ninguém."
"[...] há casos famosos de pessoas que se mataram por tédio ou cansaço, naturezas predispostas a ver a morte como uma questão pragmática. Vive-se enquanto vale a pena, enquanto é útil."
"O verão é euforia, dinheiro. O povo fica ocupado demais pra sofrer. O inverno é tédio, falta de perspectiva. Frio. Aí o bicho pega."
"É uma sociedade inteira despreparada pro sofrimento ou consciente demais do sofrimento. Quanto mais a gente compreende e trata o sofrimento mais a gente acha que sofre e ao mesmo tempo o sofrimento dos outros começa a parecer frescura."
"[...] falar sobre as coisas avacalha com tudo pra mim. Falar estraga. É só dar nome que morre."
"É sempre duro fazer o que tem que ser feito, romper com pessoas legais, mesmo quando se está convicto de que é o melhor."
"O amor é o coração do desespero."
"Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa. A família é um deles. O outro é o mundo inteiro."
"Ou existe livre-arbítrio ou não existe. Se o ser humano é um agente livre, se temos escolhas, podemos ser responsabilizados. Se não existe, se o universo é predeterminado pelas leis da natureza e tudo não passa do resultado do que aconteceu logo antes, aí ninguém tem culpa do que faz. Nem rancor nem perdão fazem sentido."
segunda-feira, 6 de maio de 2013
As coisas pelas quais valem a pena viver
Cada pessoa tem suas buscas e se posiciona perante o mundo de acordo com prerrogativas próprias, que vão sendo construídas no decorrer da vida. O respeito a isso é o mínimo que se espera.
A título de exemplificação, trago uma passagem do filme Sociedade dos Poetas Mortos, na qual um Professor explica aos seus alunos:
"Não lemos e escrevemos poesia porque é moda. Lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está impregnada de paixão. Medicina, Direito, Administração, Engenharia são atividades nobres, necessárias à vida. Mas a poesia a beleza, o romance, o amor são as coisas pelas quais valem a pena viver"
Isso aponta para a representação de mundo do professor. As coisas são assim para ele. Para outras pessoas as coisas pelas quais valem a pena viver podem ser outras.
Se eu te perguntar quais as coisas pelas quais valem a pena viver? Qual será a tua resposta? Faça um exercício: olhe para a tua história e veja se realmente isso que você está vivenciando tem a ver contigo e o que pode ser feito a partir daí.
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