Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Passa(n)do a limpo em poucas linhas

Vai assim mesmo, sem script, na impulsividade, sem estar sob efeito de qualquer coisa que perturbe minha consciência.
Não é minha intenção agradar a todos nessa minha passagem pela terra. Por muito tempo pensei que minha missão aqui era servir a tudo e a todos. Mas mudei essa forma de pensar e, consequentemente, de agir. Não faço nada pensando em ser modelo ou ser exemplo a ser seguido. Eu faço o que soa coerente com minha forma de ser e sei que uma das consequências disso é ser incompreendido, rotulado, taxado de forma leviana por quem não vivencia as mesmas circunstâncias que eu.
Tenho ciência que até para fazer merda há de se ter responsabilidade e arcar com as conseqüências dos atos. E fugir das minhas responsabilidades é algo que não costumo fazer. Para mim, uma questão de honra, herança de berço, educação paterna e materna.
Eu faço meus caminhos de acordo com os ventos que sopram à minha alma. São esses ventos que me ditam verdades que nem todos têm acesso. São nesses percursos que exercito a minha existência. E meus exercícios não tem nada a ver com ser bonzinho, com ser apenas uma marionete no teatro da vida. Sou da ala da contestação, da resistência, da subversão. Às vezes é pesado ser assim, mas é o que escolhi para mim. Sou do time da poesia, da filosofia, da literatura, da música e das manifestações artísticas em suas diversas formas de apresentação. De certa forma isso serve como um antídoto às dores do mundo.
Estou aqui para aprender, para me desenvolver, para crescer. E isso não necessariamente tem a ver com fazer o que pregam os padrões da sociedade ou quaisquer outras regras pré-estabelecidas. Aliás, às vezes o melhor que algumas regras merecem é um foda-se em alto e bom som.
Quero ser melhor a cada suspiro. Não melhor que alguém, mas melhor que eu mesmo, o melhor que eu possa ser. E, para tanto, não preciso usar ninguém como trampolim. Minha religião é a do amor. Mas não esse amor vendido em capas de revistas ou em novelas, não esse amor ostentação que precisa andar de mãos dadas com formas físicas fabricadas nas mesas de cirurgia e com situações financeiras pra lá de estáveis. Até nem sei como se convencionou a chamar isso de amor, mas tudo bem. O amor que me refiro é um amor transcendente, aquele que toca a alma. Aquela poção de magia que toca os corações de quem tem sensibilidade para acolhê-lo e que é a força que move o universo. Esse é o tal do amor, na minha representação.
Enfim... saúde, força e sensibilidade é o que eu quero e preciso para curtir o trajeto. Com esses ingredientes eu me encarrego de gozar das maravilhas da vida e de contornar os obstáculos que possam surgir. Meus chegados não são comprados e sei que a energia que deles emana é algo que me fortalece.
Então, desce o start.  Que continue o jogo! Ainda tenho muitas fases para passar até o momento do game over.
Seguimos sem medo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

brincadeirinhas de gente grande

Costumo dizer que quem deixa morrer a criança que há dentro de si não está se tornando um adulto, mas um idiota. Por esse lado, até são bacanas algumas brincadeiras que tem surgido no Facebook. Ah, tá bom, umas são meio idiotas. Mas é brincadeira e brincadeira não pode ser levada a sério. Correto? Sim e não: sim porque o caráter lúdico tem que ser considerado; não porque desse comportamento podem surgir padrões que levem o descomprometimento para outras esferas da vida que não permitem esse tom descontraído, essa muvuca, podendo causar algum prejuízo à pessoa (cabe lembrar que até mesmo as brincadeiras tem regras estabelecidas).
Algumas pessoas já beberam uma quantidade "x" de cerveja para se livrarem da penalidade de terem que pagar uma caixa de cervejas pela negativa, tem as que beberam claras de ovo para se verem livres de pagar suplementos alimentares para os amigos, outras tiveram que publicar poesias/poemas para não terem que dar livros para quem as indicou, está surgindo uma onda de postar vídeo de rock´n´roll, enfim, sabe-se lá quantas tantas outras brincadeiras que existem e que ainda não chegaram até nossas redes sociais.
***
Pois bem, as brincadeiras que quero convidar todos a participar (embora saiba que nem todos irão entrar nelas) parecem simples. As iniciativas que pretendo desencadear estão, de certa forma, escassas na internet. Mas, sem delongas, vamos a elas?
Brincadeirinha 1Vamos buscar informações sobre a mesma coisa/notícia em diferentes fontes. Isso evita visões unilaterais e fragmentadas daquilo que estamos tento contato. Afinal, a coisa/notícia está a serviço de que?, de quem?, com quais finalidades? 
Brincadeirinha 2Antes de abrirmos fogo com comentários preconceituosos e ofensivos (o ideal é que eles não existissem, mas não são todas as pessoas que respiram e não se atiram de cabeça à impulsividade) vamos tentar compreender o que está sendo exposto do outro lado. Se ao menos tentarmos mudar o julgamento pela compreensão, já será um passo enorme.
Brincadeirinha 3: Tudo bem que a educação do nosso país não está no topo da lista das prioridades, mas abrir e fechar aspas antes de algo que vem de "ctrl c + ctrl v", o famoso copiar e colar, nunca fez mal a ninguém. Ah! E, além disso, citar a referência de quem escreveu ou de onde foi retirado também não dá processo. Pelo contrário, se apossar de conteúdos de outrem como se fosse uma criação própria sem menção é que é passível de processo (aquilo que tanto falam por aí, que assombra desde a educação básica até o ensino superior, plágio).
Brincadeirinha 4: Vamos tomar cuidado para não creditar a Platão uma frase ou trecho de texto de algo que foi seu vizinho que falou numa roda de amigos, ou publicar algo que destoe da teoria, do que pensava a pessoa que estamos citando.
Brincadeirinha 5: Quem achou esse post uma merda, ou que foi perda de tempo ter vindo aqui e lido até o final, poupe ao menos a minha mãe da sua ira. Ela não é uma puta. Mas se você pensa que o que foi exposto pode ser útil, incorpore tais brincadeirinhas nos teus afazeres.

Abraços, beijos e queijos.

terça-feira, 11 de março de 2014

15 MENTEs intantaneaMENTE

Sentidos 
dorMENTEs.
Tudo em paz, 
aparenteMENTE.
ProvavelMENTE
acorde mais tarde
abruptaMENTE
depois de um sonho 
inconsciente
que afetou minha 
MENTE
de forma 
potente
por ter agido 
impulsivaMENTE
ao invés de
cautelosaMENTE.
InfelizMENTE
há quem só se 
aliMENTE
daquilo que é inconsequente.
AliMENTE
positivaMENTE
sua MENTE.
E lembre-se que
MENTE
aquele que diz que não
MENTE
talvez querendo viver
eternaMENTE.

quarta-feira, 5 de março de 2014

I feel so good today

Em 06/03/2013 eu entrei no expediente do meu trabalho e dei de cara com uma notícia nada agradável na internet: Chorão havia sido encontrado morto em seu apartamento.
- Caraaalho! Que porra é essa?

Por onde naveguei, encontrei a notícia se espalhando de forma viral. As primeiras reações foram o choque e a negação. Impossível conter as lágrimas. Não lembro de uma vírgula do que fiz naquela manhã. Minha cabeça ficou confusa, viajando em ideias complexas. Menos mau que não fiz cagada que comprometesse meu trampo. O fato é que não tinha clima para nada.
De meio dia, em casa, minha mãe me perguntou o que tinha acontecido. Ela percebeu de cara que eu tinha ficado puto com alguma coisa. Uma lágrima caiu do meu rosto e eu disse que tinha perdido um irmão na madrugada que passou. Ela sacou o que estava se passando.  
Meu dia foi pesadíssimo. E algumas semanas que se seguiram após a morte do Chorão foram foda de enfrentar. A forma como a mídia sensacionalista acompanhou o caso me provocou ânsia de vômito. Me deu nojo também de muitos pela saco que sequer conheciam o cara, a música dele, a trajetória dele e saíram idolatrando ou fazendo críticas idiotas a respeito de tudo o que estava acontecendo.
Acompanhei o Charlie Brown Jr desde o primeiro álbum, lá em 1997. Aliás, primeiro CD de rock´n´roll que eu comprei foi Transpiração Contínua Prolongada. A cada lançamento da banda era uma corrida para ter na minha coleção mais um disco. E foi assim até poucos dias, com o La Família 013, o décimo primeiro lançamento da banda com o Chóris de front man. Tive a oportunidade de ver 4 shows da banda, com diferentes formações, num dos quais ganhei do Chorão uma lata de Red Bull. Aprendi com as músicas do Charlie Brown Jr mais do que aprendi com muitos professores que cruzei pela vida. Dessa estreita relação, resultou uma tatuagem em homenagem ao marginal alado.
Um ano amanhã que Alexandre Magno Abrão partiu. O Chorão deixou saudade. Ele ainda tinha muita coisa para viver, muita canção para compor e para cantar, muito palavrão para proferir nos shows, muitas pessoas para ajudar com os projetos que ele bancava. Mas nessa passagem pelos palcos da vida ele deixou muitos exemplos bons, muitas músicas boas, muitas lições de amor que muitos zé roelas deveriam aprender.
É uma honra ter tido a oportunidade de ver esse monstro em atividade. Que possamos levar adiante a energia contagiante desse gênio da nossa música.
Amem e amém!



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cabe uma vida entre a perda e o agora.

O foda de perder uma pessoa não é a saudade que dela fica, mas a saudade daquilo que não foi vivido. De certa forma isso é uma expectativa, uma ansiedade, uma frustração. Comigo é assim.
Do tempo da ausência até agora, quantas coisas bacanas poderiam ter acontecido? Quantas coisas para experimentar juntos? Quantos sorrisos, quantas lágrimas? Quantos pôr do sol, quantas luas cheias? E os banhos de chuva, as conversas fiadas, as experiências de vida para compartilhar? Bah, que merda hein!? 
Cabe uma vida entre a perda e o agora.  
Essa saudade daquilo que não foi vivido às vezes me acerta em cheio. Menos mau que ficaram boas lembranças, momentos inesquecíveis, registros que nada nem ninguém é capaz de apagar da alma e do coração. E isso é o que me dá forças para seguir.

"Será que a brisa vai me levar até você?
Será que vai conseguir me ouvir?
Mas se pudesse estar aqui sentindo o oceano e do meu lado visse o sol cair, iria me deixar feliz. 
Queria que estivesse aqui."



Você faz falta, campeão.
Saudade enorme.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Não use a preguiça e a covardia para justificar seus fracassos

Desde que vi os primeiros conteúdos do Professor Clóvis de Barros Filho na internet, fiquei fã dele. Tanto que volta e meia eu tiro um tempo para acessar alguma coisa dele, palestras, aulas, textos.
A seguir tem a maior parte transcrita de um trecho de uma aula sobre Desejo x Vontade em Kant que me dei o trabalho de transcrever. Para mim é um espetáculo isso que ele está falando. 
Como é tempo de muita gente retomar a rotina de aulas, é bom dar uma refletida sobre o papel docente e, não menos interessante e/ou importante, do aluno. E das últimas palavras do professor nasceu o título dessa postagem.
Eis então as magníficas considerações que merecem ser grifadas.

“Porque isso tudo é de uma potência de argumentação fudida. Por que o que que Kant tá dizendo? Kant tá dizendo que você pode agir mal e produzi felicidade e agir bem e produzir tristeza. Coisa que no utilitarismo é absurdo. Então, claro, nesse sentido você se lembrará dos exemplos. Você vai numa escola particular, quando é que o professor dá uma boa aula? Quando os alunos fazem teste de satisfação: ótimo, bom regular ou péssimo e aprovam a aula. Se for um estábulo, a aula será uma aula para equinos, não tem importância. Porque o que importa é a felicidade de todo mundo. O que Kant tá dizendo ‘tá vendo, não pode tá certo’. Porque se a boa conduta é aquela que enseja a felicidade sempre, veja a primeira consequência disso, fica inviabilizado o crescimento do homem, porque o processo educativo não é um processo de busca de felicidade na hora, ali. A educação pressupõe dor, pressupõe desconforto, pressupõe correção de rota, pressupõe advertência, pressupõe ‘tá errado’. O professor que é julgado pela satisfação do playboy, ele tá fudido; ele tem que fazer o playboy sorrir o tempo inteiro e isso é tudo, menos educar. Educar é pegar e dizer ‘você é um bosta, então você vai sofrer agora pra você aprender a ser gente’. E esse professor não continua no emprego, ele será demitido porque ele entristeceu o playboy, ele mandou o playboy ler. ‘Imagine eu ler, velho, ler livro. Esse cara tá zuado, cara. Imagina: ler livro no papel. Com quem esse cara pensa que ele tá falando?’.
...
Três páginas. Você seleciona, imprime e lê. ‘Professor, mas três páginas leva um minuto e meio’. Não. Não leva, não. Porque você pega o primeiro parágrafo, lê. Ele vai te produzir um certo desconforto (isso com a aula, com a aula). Aí você pega o primeiro parágrafo e lê de novo. ‘Você tá me chamando de burro?’. Não. Ou se eu tô chamando de burro, chame-me também, porque é também assim que eu leio. Lê a terceira vez o primeiro parágrafo. Aí vai pro segundo parágrafo. Uma vez, duas vezes, três vezes. Então gasta uma hora em três páginas. ‘Professor, desse jeito eu nunca vou saber qual é o final da história’. Então, não tem o final da história. O resto do livro é tão desinteressante quanto essas três páginas. Você não tá perdendo nada, fique só nas três primeiras páginas. Porque se você não fizer a experiência da leitura de um texto difícil agora, acredite, você terá perdido a chance. E você dirá ‘mas eu não me interesso por questões filosóficas’. Não, é só uma questão de brio. Você tem brio? Sabe o que é brio? Eu dizer ‘malandro, você é tosquinho, você não entende’. Nossa! Eu volto pra casa, é a primeira coisa que eu faço, nem xixi, velho. Eu vou lá, vem o texto, eu vou ler e tal. Por que como pode um cara escrever uma coisa que eu não entenda? Não tem como. Eu vou ler aquela merda até entender. Isso é brio. Senão o nego caga na sua cabeça e você não reage. Vai lá pegar o Kotler, tem o solzinho, né?! Pra você é o máximo que dá, velho. Tem o teto, pra você... dali pra cima você não passa. Tá dando razão pros gregos, nasceu pra coió, não é. Não pode. Isso te fere a alma, cara. ‘Como assim eu não vou entender?’. Eu comi na infância, comi. Me deram leite materno, me deram leite ninho, me deram não sei o que, cérebro tem o tamanho de um cérebro normal, neurônio tem neurônio à vontade. Então, porra, se o cara escreveu, velho! Você só vai entender o que ele escreveu. Imagina que ele teve que tirar do zero aquela merda toda.[...]
Você vai dizer ‘professor, mas a pedagogia’. A pedagogia que se foda! Você precisa sentar a bunda na cadeira e melhorar a tua capacidade de pensamento, porque depois você aplica isso aonde for. Porque se você ficar só no Show do Ari Toledo, coisas fáceis, solzinho, públicos ‘e aqui tá empresa e nhe, nhe, nhe’ pelo amor de deus, velho! Isso aí na 5ª série primária já daria pra entender essa merda. Pega alguma coisa de gente. Tenha culhão . Mesmo que não tenha nada a ver com você, tenha sangue, reaja!  ‘Professor, eu não faço questão nenhuma de entender’. Ah, tudo bem. Fiz o que eu pude. É isso mesmo. O que eu eu tô te dizendo? O que todo mundo diz? ‘Nem pega o texto, cara. Isso aí é pra dois ou três’. Porra, se o cara me diz ‘isso aí é pra dois ou três’, então é pra mim. Cadê a porra do negócio? [...]
E você vai começar a se sentir mal, cara. Porque tá lendo 30 vezes a porra da frase e você não entendeu o que o cara quis dizer.  Você tem que se sentir incomodado, porque a tua inteligência é o que você tem de melhor. Se ela não dá conta de uma merda de uma frase, então você é um ser defecante. [...]

É esse o brio que eu tô falando. É esse brio. É esse brio que levará você a procurar progredir intelectualmente, porque estudar, aperfeiçoar a capacidade intelectiva, pensar com competência é tão esforçado quanto ter músculos, correr, nadar travessia. Exige empenho, exige dedicação, exige bunda na cadeira, exige etc e tal. Então essa é a ideia. O que eu fiz aqui? Dei as chaves do castelo, fiz a cama, facilitei. Agora pega o texto, deita e entende. Por que? Porque não tem por que não entender. Entrou aqui, tem coisa, tem professor, tem comida, tem tudo. O resto é só preguiça e covardia." 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

das minhas construções compartilhadas

Estava falando com uma amiga e ela disse que estava com uma inveja boa das minhas férias, pois tinha visto algumas publicações minhas no Facebook ostentando uma vida de sombra e água fresca. Eu então expliquei que tinha sido mais de sombra e cervejas geladas que de sombra e água fresca e que isso me deixou mais redondinho. Ela me disse "se você é feliz redondinho...". 
De lado as considerações sobre o padrão de beleza que preza por um corpo esbelto, moldado em academia e/ou remodulado em mesas de cirurgias, comentei que estou preocupado com minha saúde e que darei um tempo nos etílicos.
E voltando à questão da felicidade, mencionei que, para mim, felicidade são pequenos momentos preenchidos com coisas que tem a ver com o que penso ser interessante, relevante para minha existência. Pensando assim, não sou feliz, mas estou feliz. Sei que logo ali na frente pode acontecer algo que me deixe para baixo, acontecer alguma coisa ruim, algum imprevisto trágico ou sei lá o que. Mas como a felicidade não dura para sempre, nem a infelicidade é eterna. A vida tem fim e muitas coisas do percurso, mesmo que não perceptíveis num primeiro momento, podem ser elementos que nos direcionam para a evolução. Então, administrar bem esses movimentos é sabedoria, inteligência, caminho de crescimento. 
Como cantou o marginal alado em Dias de luta, dias de glória, "na minha vida é que tudo acontece, mas quanto mais a gente rala, mais a gente cresce." E mais adiante "a vida me ensinou a nunca desistir, nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir. Podem me tirar tudo que tenho, só não podem me tirar as coisas boas que eu já fiz por quem eu amo."
Seguimos!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Foi um prazer, Lya

Eu já havia tido um breve contato com Lya através de uma leitura rápida de Perdas & Ganhos. Mas foi nessas férias, merecidas e memoráveis, que aprofundei meu contato com os livros dessa magnífica escritora.
Li O tigre na sombra, repleto de conflitos existenciais e familiares e que traz reviravoltas das possibilidades da vida (e por que não da morte?), do qual retirei os recortes abaixo, e comprei O ponto cego e O quarto fechado, que entraram na fila de leitura que não para de crescer. Lya Luft agora está na lista das minhas paixões. Foi um prazer ter tido você comigo nas minhas férias, Lya. Obrigado. E bem vinda ao meu quarto e ao meu mundo. 


"Quando estavam de bom humor os deuses abriram as mãos e despejaram sobre a terra os oceanos com seus segredos, os campos onde corre o vento, as árvores com mil vozes, as manadas, as revoadas - e, para atrapalhar tudo, as pessoas.
Mas onde está todo mundo? Buscando se anestesiar ou obter respostas, atrelados às mesmas incansáveis perguntas, como, quando, quanto, por quê, por que eu?"

"Amar é para os loucos:
me perdoem os românticos
e os sensatos,
se ainda existir algum por aí."

"As pessoas ficam muito boas quando alguém morre. Nessas horas aparecem parentes, primas, cunhadas, que na vida normal nem conhecemos direito: a morte une e reúne os mais desconexos e singulares, até que o cotidiano volte a engolir todos."

"Não sei se tudo são escolhas ou se algumas coisas vegetam feito plantas carnívoras nas nossas circunstâncias e na nossa bagagem psíquica. Nunca vou saber. Não adianta saber."

"As pessoas morrem demais.
A morte: o que ela faz com a gente. Arranca as entranhas, te deixa vazia, por dentro só uma ferida aberta, mucosa inflamada e suja. Você só por obrigação se arrasta num mundo irreal, queria mesmo era ficar na cama. Pessoas chegam, falam, tocam você, dizem coisas sem sentido, o mesmo de sempre, reaja, a vida continua, o mundo não acabou, ele ou ela queria que você continuasse vivendo bem.
"


"Como dizia a minha Vovinha, isso de realidade é bobagem: cada um inventa a sua, o avesso pode ser o certo, no espelho pode estar a vida, e tudo aqui fora ser um sonho."

"Toda história humana é complicada.
Nenhuma termina:
as ondas do mar são sempre as mesmas.
"


"O paraíso é duro de ser transitado.
As respostas não têm importância.
O amor é difícil - às vezes chega tarde.
"

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sol da Paz

Que um Sol de Paz nasça a cada instante em nossos corações e ilumine nossos caminhos. Amém!

"Pouco tempo é o bastante pra eternizar momentos que nem são pra sempre.
A vida é curta vou aproveitar. Somos tão jovens, mas nem sempre inconsequentes.
E ninguém sabe quando um simples tchau pode ser o adeus.
E nunca é tarde, já que o futuro só pertence à Deus.
Só peço que eu não perca a fé no amor, pr´um novo sol de paz se abrir.
E no que a escuridão tentar te dominar, sempre uma luz irá surgir.
Que prevaleça a fé até na dor, pr´um novo sol de paz se abrir.
E no que a escuridão tentar, eu hei de resistir. Vou adiante.
"
Strike – Sol de Paz

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Talk


Nascemos indefesos. E ficamos assim por um bom tempo.
Sozinhos não supriríamos nossas necessidades básicas. Por isso nossos pais e família ficam nos dando esse suporte. Mas aos poucos aprendemos algumas manhas da vida.
Andar. Quanto ralar os joelhos até aprendermos a dar os primeiros passos, bundadas no chão ao cairmos para trás, cabeçadas em cantos de móveis, quedas de escadas, tropeços nas próprias pernas. Nem parece que hoje andamos com tamanha propriedade, dadas as etapas cômicas que já superamos.
Acontece que agora, adultos ("gente grande" como dizem alguns) os tropeços, os tombos ainda podem acontecer. Para além do sentido físico, tais quedas acontecem com um sonho frustrado, a perda de um emprego, uma briga com alguém especial para nós, a morte de uma pessoa querida, amada e por aí adiante. E isso ainda pode ter o agravante de não termos mais aquele suporte familiar que tínhamos no início da vida e que durou até uma fase pós adolescência. Alguns até podem dizer que temos amigos para nos apoiar nos momentos difíceis. Sim, temos. Mas dar apoio não implica que eles farão todo o resto por nós.
Onde quero chegar com isso? Que a vida do "viveram felizes para sempre" não costuma sair das telas do cinema. Na vida real as coisas nem sempre são certinhas como nos contos de fada. Aqui na sociedade dos homens existem erros, frustrações, equívocos... E quando a vida bate a porta na nossa cara temos que lamber nossas feridas para continuarmos nossos caminhos. Às vezes não é fácil, mas precisamos re-aprender a andar, pois as quedas de agora exigem tanto de nós para nos reerguermos quanto o esforço que empenhávamos para colocarmo-nos em pé quando dos primeiros tropeços. Nesse processo, o auto-conhecimento pode ser de extrema importância. Não menos importante é reconhecer quando precisamos de ajuda e ter a humildade de buscar por alguém que compartilhe desse momento conosco.
Andar. Eis algo que é constante em nossa vida. No andar estão incluídos os momentos de pausa para tomar fôlego e seguir adiante, os passos para trás para impulsionar um passo mais firme logo ali na frente. Enfim, andar. Esse pode ser um indicativo de que, até certo ponto, podemos nós mesmos traçar nossos próprios caminhos. 
  

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Começar poetizando

Os ponteiros giraram: das 23h.59min. para às 00h.
Os dias passaram: da terça para a quarta-feira.
E os anos se alteraram: de 2013 para 2014.
Resoluções? Não no meu caso. 
Aqui as coisas começaram de forma poética.

***
Às vezes,
ler é melhor que conversar,
dormir é melhor que almoçar,
beijar é melhor que transar,
jogar é melhor que descansar.
Às vezes,
o contrário,
ou vice-versa.
Às vezes,
o às vezes é sempre.
Noutras vezes,
às vezes é nunca.
Às vezes...

***

"Ah! que feliz um coração que escuta
as origens de que é feito!
e que não é nenhuma pedra bruta
mumificada no peito!


Ah! que feliz um coração que sente
ah! tudo vivendo intenso
no mais profundo borbulhar latente
do seu fundo foco imenso"
Cruz e Sousa

***

"tesão pulsando no texto
que eles coitentam interromper
sem supunhetar
nem invaginar q tenho pênis
deles q nádegas têm ânus dizer"
Eduardo Kac


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

passando a régua em 2013 e chegando firme em 2014

Numa reunião com minha chefia, eu estava anotando alguns compromissos profissionais que tenho prazo para cumprir. Depois de anotar, me dei por conta que restam algumas últimas páginas da agenda desse ano que está findando. Comecei a voltar as páginas. Algumas em branco, outras rabiscadas com canetas de cores diferentes, alguns "ok" em coisas que foram feitas, alguns palavrões ou anotações bizarras de quando o momento não era muito bom, balanços da grana que ganhei e da grana que torrei, extratos bancários presos com clips, bilhetes grampeados, enfim, aquela bagunça organizada que só eu sei como entender.
Folheando os dias, retrocedendo os meses fiz uma espécie de retrospectiva de 2013. Objetivamente estava tudo ali. Ou quase tudo. Mas aí é que pensei "tá bom, do mundo lá fora está muito bem compilado o ano de 2013. Mas e o meu mundo aqui dentro, como foi?".
Não é fácil fazer uma anamnese, uma análise de si mesmo, mas às vezes é necessário. Aproveitei a ocasião e dei uma desintegrada do que estava ao meu redor e me empenhei nessa tarefa. 
Olhei para trás e percebi onde minhas escolhas me trouxeram. Interessante como algumas coisas que na hora da decisão pareceram idiotice agora soam como producentes ao meu estilo de vida, à minha estruturação. E o inverso também. Muitas coisas que pareciam ser a melhor saída agora eu vejo que não foram escolhas tão maduras ou que poderiam ter sido diferentes.
As coisas poderiam ter sido diferentes. Sim, poderiam. Para isso as minhas escolhas tinham que ter sido diferentes. E tais escolhas diferentes provavelmente alterariam a forma das coisa estarem agora. Não é matemática, é existência. Só podemos usar a aproximação como critério, não a exatidão. Nessa de passar a limpo o ano, posso me orgulhar dos meus acertos e dos meus deslizes. Considerando meu eu agora, posso ver meu amadurecimento em alguns aspectos com relação ao eu que foi e está sendo lapidado.
Sim, eu mudei. Em algumas coisas mudei radicalmente. E isso está longe de ser contradição. É sinal de que atualizei algumas coisas que precisavam ser atualizadas na minha forma de pensar, de agir, de ser. 
Aliás, que dádiva ter me dado o direito de efetivar algumas mudanças sem medo de quebrar a cara logo ali na frente. Que bom ter deixado para trás algumas coisas que não me faziam bem e já não agregavam nada à minha existência. Que bom ter sido esse bicho-homem com possibilidades mil e ter escolhido e ter feito caminhos tão confortáveis para o meu coração e para a minha alma.
Claro que 2013 não foi conto de fadas, sempre com final feliz e "viveram felizes para sempre". Passei alguns perrengues, levei algumas quedas fortes, apanhei feio em e de algumas circunstâncias. Mas isso vem no pacote da vida. Alguns percalços são inevitáveis na trajetória mundana. Menos mau que consegui trabalhar comigo mesmo, ler e interpretar os sinais que a vida me deu, encaixar as peças dos quebra-cabeças, lamber minhas feridas e voltar a ver o brilho do sol e da lua, sentir o vento no corpo, os cheiros e aromas das flores e aquilo tudo que renova as energias. 
Importante ressaltar aquele ombro amigo, aquele abraço apertado, aquelas palavras de conforto e de incentivo de muitas pessoas que tenho contato. Muitos anjos disfarçados de pessoas me ajudam diariamente a pelear e a dar o melhor de mim em tudo o que faço. Minha gratidão a essas almas nobres, sempre. 
Pesando os prós e os contras, o que foi bom e o que poderia ter sido melhor, o que eu queria e o que de fato se concretizou 2013 foi um ano "do caralho!". Essa expressão é para sinalizar intensidade. Foi bacana. Eu fiz ser bacana, me esforcei para fazer isso acontecer.
Para o próximo ano minha prece é que não nos falte saúde, força e sensibilidade para vivermos intensamente aquilo que nossa existência carece para ser agradável. E isso é singular para cada indivíduo. Não quero apenas que 2014 traga coisas boas, porque o universo não cumpre promessas: ele não promete nada. Quero preencher o ano com coisas boas. Quero deixar minha marca em tudo aquilo a que me propuser a fazer. Quero praticar a minha religião do amor, que á única revolução verdadeira. E quero ser uma pessoa melhor. "Não melhor do que ninguém, mas o melhor que eu puder ser", como diria Chorão.
E aproveitando as palavras do saudoso e eterno marginal alado, "a vida é uma boca a ser beijada, mas a vida só gosta de quem gosta de viver. A vida não quer ser desperdiçada. Aproveite o seu tempo, está tudo aí pra você".

Abraços de urso e beijos de beija-flor.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

fazer o possível ou fazer o melhor?

Estava vendo uma palestra do filósofo Mário Sérgio Cortella e num determinado momento ele fala sobre a questão de se fazer o possível e de se fazer o melhor. 
Várias vezes, quando precisamos de alguma coisa, ouvimos alguém sentenciando "estou fazendo o possível" ou "farei o possível". Se aplica também ao plural disso. Diz Cortella que muitas vezes esse "fazer o possível" é indicativo de mediocridade. É como que se não tivesse empenho nisso que está sendo feito. Ou feito de forma morna, tipo "por mim tanto faz".
Para o filósofo, por outro lado, o que potencializa o crescimento existencial é se fazer o melhor dentro das condições que se tem, até que se tenha condições melhores de fazer ainda melhor. 
***
Outra coisa que merece destaque nas falas de Cortella é o fato dele seguidamente frisar que pessoas grandes sabem de sua pequenez e por isso tendem ao crescimento, enquanto que pessoas pequenas que se sentem grandes tendem a rebaixar os outros de alguma maneira.
***
É possível fazer uma conexão disso que foi mencionado com o trecho da música Camisa 10 Joga Bola até na Chuva, do Charlie Brown Jr.
"Sem desandar, sem humilhar ninguém. 
É assim que eu quero ser, sim, um cara melhor. Não melhor do que ninguém, mas o melhor que eu posso ser.
O tempo passa e tudo muda. E você tem que aprender que existem vários caminhos.
Escolha um pra você"
***
Qual caminho você escolheu, fazer o possível ou fazer o seu melhor?

domingo, 10 de novembro de 2013

dos retratos existenciais

Certamente você conhece alguma pessoa com quem não tem contato há 2 meses, 2 anos ou 2 décadas. É um familiar que mudou de cidade porque constituiu família, ou um amigo que foi promovido no emprego e teve que mudar também de cidade, uma amiga que foi para o exterior fazer um intercâmbio de estudos. Na hipótese de um reencontro, você conversa com a pessoa, percebe algumas mudanças e logo passa à sua cabeça "nossa, como o fulano mudou!". Isso pode ser um indicativo de que você fez um retrato existencial da pessoa e que ainda a enxerga como ela era tempos atrás.
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Teu amigo era viciado em refrigerante e agora só toma água sem gás. Era o primeiro a sentar na mesa para apreciar um suculento churrasco e agora aderiu ao vegetarianismo. Sempre falou em ter um número de filhos que desse para montar um time de futebol e agora expressa a vontade de ter apenas mais um, para fazer companhia ao Júnior, o único filho até então. Tinha asco ao som de guitarras pesadas, pois só ouvia MPB em volume baixo, mas agora ouve rock´n´roll e metal a todo volume. Certamente você vai pensar que aconteceu alguma coisa esse amigo, pois ele mudou muito. Claro! Ele mudou de cidade, de emprego, ampliou o círculo de amizades, conheceu uma garota, casou-se com ela, teve um filho. Não é de estranhar que ele tenha mesmo mudado, não é?
Você pode ficar se perguntando como um outro amigo seu não teve essas mudanças, apesar de ter passado por contextos e circunstâncias parecidas. A resposta me parece simples: isso se dá porque cada criatura humana é única, cada pessoa possui um universo singular. E estamos tratando, aqui, de existência, não de lógica matemática.
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As mudanças que uma pessoa realiza no decorrer de sua trajetória mundana não necessariamente indicam que ela está sendo contraditória, que não tem princípios, que deixou o poder subir à cabeça, ou coisas assim. 
É comum que muitos vejam a pessoa como um retrato existencial que foi feito dela há um tempo atrás. Esse retrato é como uma foto, que cristaliza a pessoa e mantém estática a imagem dela como se ela tivesse a necessidade de ser sempre daquela maneira.
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Se olharmos para a nossa própria história veremos que algumas vezes fomos incompreendidos ou julgados por uma imagem existencial que fizeram de nós há muito tempo e que aqueles elementos que tem na foto não estão mais presentes em nossa vida. Por outro lado, provavelmente já utilizamos retratos existenciais de alguém que conhecemos, ou seja, olhamos para a pessoa como se ela fosse a mesma e tivesse os mesmos elementos de algo que não diz mais respeito a ela. 
O indicado é que os dados sejam atualizados, ou seja, que verifique-se como a pessoa está no mundo agora (e como estamos no mundo também), para não cairmos em equívocos e dubiedades que possam prejudicar nossas relações. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O homem não está, naturalmente, vocacionado para a felicidade

"Por que Kant não concorda com Mill? Para Kant, a felicidade não é o que existe de mais importante. Para Kant, a felicidade não é o bem maior. Para Kant, a felicidade não é aquilo que devemos buscar de qualquer jeito. E por que não? Porque isso significaria usar um martelo para pintar uma parede; estamos com o instrumento errado. O homem não está, naturalmente, vocacionado para a felicidade. Ele não é construído para isso, ele não é feito para isso. Por quê? Porque ele é, antes de mais nada, um ser de reflexão, de pensamento. E o pensamento, segundo Kant, atrapalha a busca da felicidade, é um obstáculo para maximizar a busca do prazer e diminuir a dor. E, portanto, é muito mais competente para buscar o prazer e diminuir a dor quem não pensa. E quem não pensa e pode sentir prazer e dor são animais. Portanto, a teoria de Mill funciona para uma girafa, funciona para um macaco, funciona para um animal qualquer, mas não funciona para nós. Por quê? Porque o que existe de mais importante em nós é a capacidade de pensamento e a capacidade de pensamento não é o que existe de mais adequado para buscar a felicidade. Por isso, você julgar a conduta das pessoas em nome da felicidade é julgar pelo critério errado; funciona para animais."

Professor Clóvis de Barros Filho, em aula sobre sobre o pensamento de Kant.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sucesso

Volta e meia me deparo com um dito que "o único lugar que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". A frase é creditada a Albert Einsten. Curioso que sou, visitei o dicionário para conferir o significado da palavra sucesso e fui informado que significa "resultado feliz, êxito; o que alcança bom resultado, fama".
Nos discursos de autoajuda que se espalham de forma viral pela internet o tal do sucesso é uma tônica. Parece que todos tem que remar seus barcos nesta direção. E, por incrível que pareça, muitas vezes apontam as coordenadas e como se faz para chegar no destino. Geralmente, quem faz isso parece não considerar algo muito importante: a história de vida de cada pessoa, que é única, singular. 
Ora, se nada se sabe a respeito da outra pessoa, como imputar nela o que é o sucesso e ainda direcioná-la para tanto? Me parece um equívoco que pode ter resultados não muito producentes, dependendo do caso.
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O que é sucesso para você? É ter o reconhecimento por aquilo que é? Ou ser reconhecido por aquilo que faz? Talvez seja algo relacionado com fama, com dinheiro ou sabe-se lá mais o que pode ser.
Tente analisar isso segundo as suas prerrogativas, de acordo com a tua historicidade.
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Provavelmente você já ouviu falar de alguém que lutou com todas as forças para conseguir algo e que passou a vivenciar crises existenciais tremendas tão logo conseguiu o que almejava.
Ou talvez você mesmo já tenha passado por algo semelhante, buscou algo e quando conseguiu o que queria percebeu que isso não era bem o que pensava, ou que não tinha o valor que antes considerava, ou que não teve os resultados esperados. Alguns noticiários estão lotados de pessoas que puseram tudo a perder da noite para o dia. 
Isso pode perfeitamente acontecer. E se não focarmos no percurso, no caminho, talvez seremos os próximos a cair nesta armadilha.
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Rubem Alves tem um conto chamado "Sucesso...", publicado no "Pimentas - para provocar um incêndio, não é preciso fogo" no qual ele relata algumas respostas que deu para uma enquete que queria descobrir o segredo do sucesso. Abaixo alguns recortes que considero relevantes para a reflexão.
"Cheguei onde cheguei porque tudo deu errado."
"Já vi muitas promessas em livros de autoajuda do tipo 'você está destinado ao sucesso'. Isso é mentira. O querer nada pode sem dom. Finalmente, é preciso trabalhar."
"Não gosto dessa palavra 'sucesso'. O que é 'sucesso'?"
"Não faça do sucesso o seu deus. Seja fiel a você mesmo. Se vier o tal de 'sucesso', melhor para você. Ou pior para você, nunca se sabe... Van Gogh foi um fracasso, nunca vendeu um quadro. Ele poderia ter se 'afinado' para o sucesso - pintando quadros bonitinhos..."
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Para mim, sucesso é, em poucas palavras, fazer com carinho e com amor aquilo que se faz. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Outubro cinza

Quantos sentimentos cabem dentro de uma saudade!? Uma afirmação e uma pergunta num mesmo enunciado. 
Para cada pessoa isso se dá de uma maneira singular, sei. Mas saudade é aquilo que nos faz sorrir e lacrimejar ao mesmo tempo por algo que foi vivenciado ou por aquilo que gostaríamos de vivenciar?
Dói mais a saudade de algo que passou ou de algo que não aconteceu?
Onde a saudade se aloja, no pensamento, no coração, na alma, na pele?
Existe remédio para curar a saudade? E para provocar saudade, existe também?
Saudade da voz, do olhar, do toque, do cheiro. Do que está na memória, mas também o que está apenas na imaginação, uma espécie de "e se". Mas esses tantos "e se" não são passíveis de efetivação, porque no seu lugar está a saudade.
Saudade.
Saudade.
Saudade...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cada encontro carrega consigo uma possível despedida

Saí sem rumo.
Numa rua escura dei de cara com a lua. O formato dela me lembrou teu sorriso. Estacionei e fiquei hipnotizado, contemplando aquela beleza singular.
Tal como as circunstâncias foram diminuindo a quantidade e a intensidade do teu sorriso, a lua foi se deixando esconder por detrás de edificações e montanhas. Como corri atrás de ti outrora, me pus a rodar para encontrar aquele risquinho no céu. Tive mais alguns momentos de êxtase, mas resolvi virar as costas antes da lua se esconder por completo.
Cada encontro carrega consigo uma possível despedida.
Ela volta. Você... já não sei...


domingo, 6 de outubro de 2013

Cuidado com o que você pensa

Eles voltam. 
Cedo ou tarde eles voltam. 
Geralmente é quando você está contigo mesmo. 
São poucas as chances de fugir. 
E mesmo que haja possibilidade de fuga, ela é momentânea.
Eles voltam.
Não pedem licença. 
Não dizem por que vieram.
Não tem prazo para bater em retirada.
Você não se sente preparado para recebê-los.
Mas eles voltam.
Para perturbar teu sono.
Para fazer companhia para tua insônia.
Para jogar para longe tuas certezas.
Ou para te dar ainda mais convicção de algo.
Eles voltam.
Talvez nem seja o caso de voltarem.
Talvez eles sempre estão contigo e só dão uma trégua ilusória.
E são como fogo queimando.
Ou como a brisa que toca o rosto.
Eles se alimentam de você.
E você pode também se alimentar deles.
Mas fique atento!
Cuidado com teus pensamentos.
Porque eles voltam.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Quando o silêncio diz mais que as palavras

Quando criança, ou mesmo quando adulto, provavelmente você queimou a mão em algum lugar. Ou então prensou o dedo numa porta, numa janela, num baú. Ou talvez tenha encarado aquela dor fazer uma tatuagem... Enquanto lia isso, se você passou por alguma coisa dessas, você pode ter sentido um desconforto, já que uma memória foi acessada.

O filósofo escocês David Hume afirmava que a sensação original de algo é mais forte e mais intensa do que a lembrança de tal sensação. Às vezes lembramos de algo claramente, como se estivéssemos de fato sentindo novamente aquilo que foi vivenciado no passado. De acordo com as considerações de Hume, isso se dá apenas de forma aproximada, sendo menos intensa que a própria vivência. Aplicando isso aos nossos exemplos, tal desconforto que citei acima é apenas uma aproximação da dor que sentimos ao termos queimado a mão no fogão, ou prensado o dedo na porta do carro, ou aturado o entra e sai das agulhas na pele.
No que passo a considerar a seguir, isso é deslocado para a condição de nos colocarmos no lugar do outro. Ou seja, podemos até fazer esse exercício, mas nunca sentiremos, de fato, aquilo que a pessoa sente - será sempre algo por aproximação, nunca de maneira exata, precisa. 

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Hipoteticamente, eis uma situação em que o teu melhor amigo te liga, emocionado, noticiando a morte do pai dele, ou da mãe, ou de uma pessoa que de certa forma era especial para ele. Na hora você vai meio que tentar negar a veracidade da notícia com algo do tipo "não acredito!", "sério?". Depois de desligar o telefone, um copo d´água para digerir o que lhe foi informado e provavelmente você começará a pensar na dor do teu amigo, dos familiares, dos conhecidos de quem acaba de partir. É nesse momento que não se mede esforços para tentar ajudar. 
O que geralmente costuma ser desconsiderado é a forma de ajuda que se está disponibilizando. Nessas circunstâncias difíceis um olhar, um aperto de mãos, um abraço, um carinho podem ser gestos nobres. Algumas palavras também podem ter alguma relevância. Porém, e muita atenção para este porém, gestos ou palavras jogadas ao vento podem surtir efeito reverso ou efeito algum em ocasiões assim. Isso porque a pessoa que você está disposta a ajudar está com a ferida aberta, com as funções do organismo debilitadas pelo choque, pelo cansaço de estar sem comer e sem dormir direito e pelos demais fatores e sintomas que uma perda pode trazer consigo.
O importante é se colocar no lugar do outro e ver as cosias com as prerrogativas dele. Não é uma tarefa fácil, pois nem todos conseguem se deslocar de seu próprio mundo e ir em direção ao mundo do outro. Fazer esse exercício ajuda a não cometermos equívocos quando, na verdade, nossa intenção era de ajudar, de ser útil, de confortar a pessoa que gostamos, como estamos tratando aqui.
De nada vai adiantar, por exemplo, tentar confortar seu amigo ateu com dizeres do tipo "ah, ela (a pessoa) vai estar melhor no lugar para onde foi". Ora, se seu amigo não confia na vida pós morte, essas palavras não vão ajudar em nada. Ou "foi melhor assim". Seu amigo pode pensar ou até mesmo lhe dizer "melhor pra quem?" ou "melhor pra você que não acabou de perder um irmão".
Entendo as manifestações de carinho em que cada um tenta, à sua maneira, minimizar a dor do outro. Geralmente isso costuma ser bom para quem enfrenta essa barra. Particularmente, e não é nada de insensibilidade - muito pelo contrário, prefiro um abraço e um silêncio. Voltando ao que introduziu esse texto, mesmo que nos desloquemos até o mundo do outro só conseguiremos sentir por aproximação aquilo que ele está sentindo.
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Concluo com o que Rubem Alves expôs num escrito seu chamado A Dor da Morte, presente no livro Pimentas - Para provocar um incêndio, não é preciso fogo.
"A morte faz calar as palavras. São inúteis. Servem para nada. Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que palavras de consolo, brotadas das mais puras intenções, são ofensas à dor da pessoa golpeada pela morte. Porque elas, as palavras de consolo, são ditas no pressuposto de que elas tem poder para diminuir o vazio que a morte deixou. Como se a pessoa que a morte levou não fosse tão importante assim e algumas palavras pudessem diminuir a dor que sua morte deixou."
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