Semana passada comentei com algumas garotas que ando com uma tendência a me apaixonar por mulheres que usam calça jeans. Siim, falei mesmo isso. E depois, pensando um pouco mais, percebi que não é tanta babaquice assim. Oras, em alguns lugares que vou estou acostumado a ver coxas torneadas e pedacinhos de nádegas à mostra em shorts e vestidos minúsculos...
Sei que me e se perguntarão se a roupa que uma pessoa usa diz alguma coisa sobre ela. Pois eu respondo: às vezes a roupa é, sim, uma maneira que a pessoa usa para se expressar; noutras vezes, nem de longe. E isso quem indica não sou eu, nem você, mas a pessoa em questão.
Continuando. Eu admiro o corpo feminino. Ah, o corpo feminino! Quantos encantos e enigmas podem haver nesse ser que foi feito carinhosamente a partir das costelas de Adão (ah, vamos fingir que todos acreditamos nessa parte da historinha da criação).
Pois bem, que padrão de beleza encontramos na nossa época? O corpo torneado, durinho, produzido ou na academia ou desenhado nas mesas cirúrgicas das clínicas de estética. Para muitas pessoas o que importa é isso mesmo. Mas também tem a contraposição: para muitas outras o corpo é apenas uma das tantas dezenas, centenas ou milhares de coisas que se tem na vida.
Unindo a questão da roupa curta e a do corpo sarado, trago aqui algumas palavras do Ferreira Gullart, que foi de onde veio essa minha inquietação para escrever. Ele diz o seguinte: "antigamente a mulher não mostrava nem o pé ao namorado. Hoje muitas delas mostram a bunda em público, protegida apenas por um fio dental. A principal virtude dessa nova mulher é a bunda".
E logo adiante, continua: "que importância se dará aos joelhos de quem já se viu a bunda? Às vezes vale mais imaginar do que ver".
Gullart expressa isso no sentido erótico da coisa. Ora, o que está toda hora à exposição destrói o caráter imaginativo. Nessa perspectiva o corpo como cartão de visitas pode tanto causar o interesse quanto o desinteresse. E isso não depende só de quem se exibe, mas também de quem observa.
Mulheres que usam calça jeans, cuidado que eu me apaixono, hein?!
=)
Um pouco de tudo... e também de nada. Aqui expresso minhas representações acerca do que penso, sinto, faço, vivo...
Originalidade?
Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
Existe alguma fórmula mágica que te faça entender alguma coisa sem ao menos eu falar contigo? Telepatia ou alguma outra conexão através de pensamentos?
Talvez nem seja o caso de te fazer entender, mas de te confundir. Ou, quem sabe, de te fazer sentir. Afinal, isso quebra a lógica racional, ultrapassa os limites das nomenclaturas, está para além daquilo que pode ser dito.
Eu estava me sentindo bem, mas tua companhia me deixou melhor ainda. Peguei carona nas tuas asas. Fui às alturas contigo. Quando caí de volta para o chão nem pensei em me entristecer por ter te deixado partir. Pelo contrário, passei um bom tempo divagando e curtindo a sensação extasiante de poder ter estado em outro plano contigo. Afinal, não é todo dia que se embarca numa viagem assim.
O portal não se fechou. Quando me destes as costas, tua ida em direção contrária não significou um adeus, mas um até breve. E mesmo que isso demore uma eternidade, não esquecerei da suavidade na qual fui envolto.
Eu disse que não agradeceria, mas o fiz e estou novamente emanando minha gratidão a você, que de alguma forma ou de outra vai saber e vai sentir isso.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Saú(da)de!
Dia dos Pais se aproximando.
Mais uma data para movimentar o comércio. Mas não dá para negar que também é uma data para desengessar o coração, para dar aquele abraço forte no "velho", no "coroa". Privilégio para quem tem o pai ao alcance.
Sou da opinião que a figura de pai e de mãe ninguém substitui. Os papeis de ambos até podem ser se configurar com pai fazendo papel de mãe ou essa fazendo papel de pai. Mas a pessoa, a figura, essa nada nem ninguém substitui. Falo isso segundo as minhas prerrogativas. Sei que existem diferentes formas de ser no mundo e não é minha pretensão que todo mundo pense, sinta, se comporte da mesma forma.
Já vi o mundo desabar nos meus ombros algumas vezes. A perda do meu pai foi uma delas. Mas aprendi a lição de ser forte, independente do que surja. Como cantou Chorão "quando a casa cai não dá pra fraquejar. Quem é guerreiro tá ligado que guerreiro é assim." É mais ou menos isso que me norteia. Desistir sem lutar não é comigo. Não para ser melhor que alguém, mas para ser melhor que fui ontem. E na maioria das vezes o aprendizado está sendo relevante. Como o marginal alado versou "vivendo nesse mundo louco hoje só na brisa, viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida."
Hoje faz 5 meses da morte do Chorão, o marginal alado. Final de semana é o 9º Dia dos Pais que o meu não está mais nessa jornada. Duas pessoas, cada qual com suas singularidades e dons, que deram a muitas a alegria de terem pisado na terra.
A saudade é grande. Mas os ensinamentos repassados os fizeram imortais em minha mente e em meu coração e servem como antídoto.
Um brinde à saúde e à saudade.
Saú(da)de!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
loucura no amor e razão na loucura
"É verdade: amamos a vida não por estarmos habituados à vida, mas ao amor.
Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
E também a mim, que sou bem-disposto com a vida, parece-me que borboletas e bolhas de sabão, e o que há de sua espécie entre os homens, são quem mais entende de felicidade.
Ver esvoejar essas alminhas ligeiras, tolas, encantadoras e volúveis leva Zaratustra às lágrimas e ao canto.
Eu acreditaria somente num deus que soubesse dançar."
Nietzsche, Assim falou Zaratustra
Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura.
E também a mim, que sou bem-disposto com a vida, parece-me que borboletas e bolhas de sabão, e o que há de sua espécie entre os homens, são quem mais entende de felicidade.
Ver esvoejar essas alminhas ligeiras, tolas, encantadoras e volúveis leva Zaratustra às lágrimas e ao canto.
Eu acreditaria somente num deus que soubesse dançar."
Nietzsche, Assim falou Zaratustra
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
O homem como invenção de si mesmo
Saudações, terráqueos!
Minha leitura da madrugada foi bem interessante. Depois daquele café forte que eu sabia no que ia dar, fiquei zumbiziando até umas horas. O suficiente para ler O homem como invenção de si mesmo - monólogo em um ato, do Ferreria Gullar. Um livro de 70 páginas que na verdade foi pensado para ser uma peça teatral. Segue, então, um esqueleto do que se trata e, claro, alguns recortes literais da obra.
A temática central gira em torno do título da obra, ou seja, o homem como invenção de si mesmo. O autor afirma que a obra consiste em explicitar a teoria segundo a qual "a vida é inventada e que nós mesmos nos inventamos".
Nos primeiros passos, ou nas primeiras páginas, surge a questão da inserção do bicho homem a uma cultura, o que nos torna seres humanos. Somos, então, seres naturais, constituídos por traços biológicos, naturais; por outro lado, somos seres culturais, o que nos permite a criação, a inventividade. "O homem quando nasce é ninguém. Ele se torna gente pela educação, pela cultura, pelo que lhe ensinam. Ele já encontra um mundo humano inventado e nele se integra; outros decidem reinventá-lo."
Tão logo inicia essa reflexão, aflora a questão de uma divindade. Para Gullar, "Deus é de fato a resposta que o homem encontrou para a mais angustiante de todas as perguntas: a vida tem sentido?" Segundo ele a resposta é negativa. "A vida não tem sentido. Nós é que lhe atribuímos sentido." A tese do autor é que o próprio homem inventou Deus para, de certa forma, responder inquietações que a consciência nos impõe, tais como "por que existo? Por que terei que morrer um dia? Será a morte o fim de tudo?" Para preencher a sensação de desamparo e lançar esperança numa vida após a vida terrena é que o homem criou a imagem do sobrenatural. Afinal, "é insuportável viver ao sabor do acaso, sujeito a forças que a gente não controla. Mais uma razão para existir Deus, Ele é o oposto do acaso. A Providência Divina nos faz acreditar que estamos protegidos, que vivemos em segurança".
Intrínseca a essa reflexão sobre a divindade está a temática das religiões. Elas ditam o que é certo e o que é errado e isso faz com que, desde cedo, as crianças aprendam a seguir a cartilha. O pensamento ou comportamento que destoe do que pregam os dogmas religiosos é considerado pecado. E quem peca ou se arrepende e não comete mais o erro, ou vai paro o inferno. Isso mesmo. Inferno, outra invenção humana carregada de significado religioso. Imagina então como fica a cabeça de uma criança com toda essa coação...
Pois bem, o primeiro pecado tem a ver com Adão e Eva. Portanto, muitos dos tabus, preceitos e preconceitos sexuais vem daí. E eu pergunto, o que eu e você temos a ver com pecado original? A condenação do sexo a ponto de torná-lo pecado é um dogma insustentável, segundo o autor, pois sexo é uma coisa natural, animal, instintual. Para dar uma falsa impressão de liberdade a Igreja Católica diminuiu o ímpeto a passou a permitir o sexo, desde que os casais se unam de acordo com as leis da igreja. "Mas só pode transar se for para procriar. Transar por transar, só para ter prazer, não pode. Nada de sacanagem, beijinho aqui, beijinho ali, mãozinha, dedinho, nada disso. Trepar é coisa séria. Papai-mamãe. Meteu, gozou, tirou e pronto. Nada de ficar gemendo, revirando os olhos, se torcendo de gozo na cama. Quem faz isso só pode estar com o Diabo no couro."
Retomando e finalizando, ao mesmo tempo. O homem é invenção dele próprio, ele se inventa e se reinventa de acordo com sua constituição animal, no contato com a cultura e o que advém dela e segundo a significação que atribui ao que se lhe apresenta. É isso o que expressa o conceito de constituição bio-psico-social.
Creio que esses sejam os principais pontos desse pequeno livro, mas com profundo conteúdo filosófico, religioso, psicológico.
Quem refletiu até aqui provavelmente tem alguma coisa para refutar, para acrescentar, para criticar. Fique à vontade para tanto.
Fica a indicação de leitura dO homem como invenção de si mesmo.
Minha leitura da madrugada foi bem interessante. Depois daquele café forte que eu sabia no que ia dar, fiquei zumbiziando até umas horas. O suficiente para ler O homem como invenção de si mesmo - monólogo em um ato, do Ferreria Gullar. Um livro de 70 páginas que na verdade foi pensado para ser uma peça teatral. Segue, então, um esqueleto do que se trata e, claro, alguns recortes literais da obra.
A temática central gira em torno do título da obra, ou seja, o homem como invenção de si mesmo. O autor afirma que a obra consiste em explicitar a teoria segundo a qual "a vida é inventada e que nós mesmos nos inventamos".
Nos primeiros passos, ou nas primeiras páginas, surge a questão da inserção do bicho homem a uma cultura, o que nos torna seres humanos. Somos, então, seres naturais, constituídos por traços biológicos, naturais; por outro lado, somos seres culturais, o que nos permite a criação, a inventividade. "O homem quando nasce é ninguém. Ele se torna gente pela educação, pela cultura, pelo que lhe ensinam. Ele já encontra um mundo humano inventado e nele se integra; outros decidem reinventá-lo."
Tão logo inicia essa reflexão, aflora a questão de uma divindade. Para Gullar, "Deus é de fato a resposta que o homem encontrou para a mais angustiante de todas as perguntas: a vida tem sentido?" Segundo ele a resposta é negativa. "A vida não tem sentido. Nós é que lhe atribuímos sentido." A tese do autor é que o próprio homem inventou Deus para, de certa forma, responder inquietações que a consciência nos impõe, tais como "por que existo? Por que terei que morrer um dia? Será a morte o fim de tudo?" Para preencher a sensação de desamparo e lançar esperança numa vida após a vida terrena é que o homem criou a imagem do sobrenatural. Afinal, "é insuportável viver ao sabor do acaso, sujeito a forças que a gente não controla. Mais uma razão para existir Deus, Ele é o oposto do acaso. A Providência Divina nos faz acreditar que estamos protegidos, que vivemos em segurança".
Intrínseca a essa reflexão sobre a divindade está a temática das religiões. Elas ditam o que é certo e o que é errado e isso faz com que, desde cedo, as crianças aprendam a seguir a cartilha. O pensamento ou comportamento que destoe do que pregam os dogmas religiosos é considerado pecado. E quem peca ou se arrepende e não comete mais o erro, ou vai paro o inferno. Isso mesmo. Inferno, outra invenção humana carregada de significado religioso. Imagina então como fica a cabeça de uma criança com toda essa coação...
Pois bem, o primeiro pecado tem a ver com Adão e Eva. Portanto, muitos dos tabus, preceitos e preconceitos sexuais vem daí. E eu pergunto, o que eu e você temos a ver com pecado original? A condenação do sexo a ponto de torná-lo pecado é um dogma insustentável, segundo o autor, pois sexo é uma coisa natural, animal, instintual. Para dar uma falsa impressão de liberdade a Igreja Católica diminuiu o ímpeto a passou a permitir o sexo, desde que os casais se unam de acordo com as leis da igreja. "Mas só pode transar se for para procriar. Transar por transar, só para ter prazer, não pode. Nada de sacanagem, beijinho aqui, beijinho ali, mãozinha, dedinho, nada disso. Trepar é coisa séria. Papai-mamãe. Meteu, gozou, tirou e pronto. Nada de ficar gemendo, revirando os olhos, se torcendo de gozo na cama. Quem faz isso só pode estar com o Diabo no couro."
Retomando e finalizando, ao mesmo tempo. O homem é invenção dele próprio, ele se inventa e se reinventa de acordo com sua constituição animal, no contato com a cultura e o que advém dela e segundo a significação que atribui ao que se lhe apresenta. É isso o que expressa o conceito de constituição bio-psico-social.
Creio que esses sejam os principais pontos desse pequeno livro, mas com profundo conteúdo filosófico, religioso, psicológico.
Quem refletiu até aqui provavelmente tem alguma coisa para refutar, para acrescentar, para criticar. Fique à vontade para tanto.
Fica a indicação de leitura dO homem como invenção de si mesmo.
Adiós.
Abrazo.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
O caminho é você quem traça
Não sou muito pretensioso. Lembro de um passado no qual eu bolava planos mirabolantes na minha cabeça quanto ao futuro. Mas hoje a lista do que eu preciso para viver é bem menor. Acho que a tônica agora é intensidade, qualidade e não quantidade. Mas isso não necessariamente quer dizer que eu não queira ser uma pessoa melhor a cada dia. Não melhor que alguém, mas melhor para eu mesmo e melhor que eu mesmo. Superação, desenvolvimento, crescimento para que a vida não passe em vão e para que ela não seja inútil, fútil.
Mário Sérgio Cortella diz que "gente que é grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce; gente muito pequena acha que já é grande e o único modo de ela crescer é se ela abaixar/humilhar outra pessoa". Portanto, para potencializar a capacidade de crescimento devemos perceber nossa condição de pequenez. Não que devemos abortar nossos sonhos e ambições, mas nutrirmos a insatisfação. Guimarães Rosa já nos alertou que "o animal satisfeito dorme". A satisfação dá a falsa impressão de que tudo está consumado e de não se pode ir além de onde se está.
Os deuses deram as cartas. A sorte foi lançada. Mas muito do resultado depende do que você fez a partir do momento que entrou no jogo.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
"tu és um vice-treco do sub-troço" *
"Tu és um indivíduo entre outros 6 bilhões e 400 milhões de indivíduos,
compondo uma única espécie entre outras 3 milhões de espécies já classificadas, que vive num
planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre outras 100
bilhões de estrelas, compondo uma única galáxia, entre outras 200 bilhões de
galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Quem é você? Quem sou eu?
Quem sou para achar que o único
modo de fazer as coisas é como eu faço? Quem sou eu para achar que cor de pele
adequada é a que eu tenho? Quem sou para achar que o único lugar bom para
nascer foi onde eu nasci? Quem sou eu para achar que o único sotaque correto é
o que eu uso? Quem sou eu para achar que a única religião certa é a que eu
pratico? Quem sou eu?Quem és tu? Tu és um vice-treco do sub-troço.”
=)
terça-feira, 18 de junho de 2013
Cansamos
Impossível não lembrar das canções do Cazuza, do Renato Russo, do Raul Seixas, da Plebe Rude, dos Titãs, dos Paralamas do Sucesso, dos Detonautas Roque Clube, do Gabriel O Pensador e tantos outros artistas que expressam em suas letras um sentimento de protesto, de revolta, de indignação. Mas não dá pra esquecer que muitos deles também propaga a paz, o amor, a poesia.
O Brasil está em ebulição. Muitas pessoas estão mudando de atitude, passando da passividade para a atividade, do comodismo para a reflexão, da teoria para a prática. Muitos brasileiros cansaram.
Nosso cansaço vem do descaso com as necessidades básicas dos cidadãos. Cansamos de trabalhar meio ano para pagar impostos. Cansamos de ver esses impostos irem para contas bancárias e cuecas de políticos corruptos. Cansamos de sustentar esse engravatados que são os mais caros do mundo. Cansamos de ver políticas públicas baratas feitas somente com o intuito de troca de favores eleitorais. Cansamos de ver gente morrendo em filas de hospitais. Cansamos de ver colarinhos brancos atolados até a bunda com propinas e falcatruas de todas as espécies. Cansamos de ver criança passando fome. Cansamos de idosos levando anos para receber uma migalha de aposentadoria. Cansamos de mendigar o mínimo, sabendo que de nós sempre foi cobrado o máximo. Cansamos de ver servidores públicos abandonando a carreira por falta de capacitação e de remuneração. Cansamos de ter nossos direitos privados sem justificativas morais e legais para tanto. Cansamos duma falsa democracia. Cansamos de ver gente fodendo com a nossa vida e com os nossos sonhos enquanto apenas gritávamos gol. Cansamos disso e de muitas outras coisas que cada um pode ir acrescentando motivos na lista ad infinitum. O jogo agora é outro. As regras são outras. Chega de ser prego, é hora de sermos martelo.
As manifestações que estão ocorrendo no país são, sim, legítimas. Essa história que a mídia está tentando passar, de que são apelos pela redução dos valores das passagens do transporte público das grandes cidades, é mais uma tentativa de minimizar os problemas que estão bem embaixo do nosso nariz. Só não enxerga quem não quer ver e quem é da elite que caga para o resto da população. Aliás, para entender um pouco mais do que realmente está acontecendo o mais indicado é que a televisão seja desligada. As redes sociais estão cheias de conteúdos, textos, imagens, vídeos do que está se passando em todos os cantos do Brasil.
As manifestações que estão ocorrendo no país são, sim, legítimas. Essa história que a mídia está tentando passar, de que são apelos pela redução dos valores das passagens do transporte público das grandes cidades, é mais uma tentativa de minimizar os problemas que estão bem embaixo do nosso nariz. Só não enxerga quem não quer ver e quem é da elite que caga para o resto da população. Aliás, para entender um pouco mais do que realmente está acontecendo o mais indicado é que a televisão seja desligada. As redes sociais estão cheias de conteúdos, textos, imagens, vídeos do que está se passando em todos os cantos do Brasil.
Os protestos estão ocorrendo num momento oportuno, já que os holofotes mundiais estão direcionados ao país devido à realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de Futebol. Os maiores motivos que eu vejo para a indignação e que me parecem contribuir para isso são os gastos elevados na construção de estádios para esses eventos, principalmente os das cidade que depois não sediarão eventos da mesma magnitude, e as barbáries que nossos representantes da Câmara dos Deputados e do Senado estão cometendo.
Está havendo excessos da polícia? Sim! Muitas vezes os policias acabam exagerando na dose e cometendo idiotices sem tamanho de abuso de autoridade e violência contra os manifestantes. Na semana passada o que mais teve foi disparo com munição de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. Isso só mostra o despreparo que eles têm para lidar com situações assim. Ontem em São Paulo a manifestação já foi mais pacífica e espera-se que assim seja de agora em diante.
Está havendo excessos da polícia? Sim! Muitas vezes os policias acabam exagerando na dose e cometendo idiotices sem tamanho de abuso de autoridade e violência contra os manifestantes. Na semana passada o que mais teve foi disparo com munição de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. Isso só mostra o despreparo que eles têm para lidar com situações assim. Ontem em São Paulo a manifestação já foi mais pacífica e espera-se que assim seja de agora em diante.
Está havendo atos de vandalismo? Sim! Algumas pessoas também acabam confundindo um ato pacífico com um ato extremista. Além disso, há todo tipo de pessoa infiltrada numa massa de milhares de manifestantes. Então, nem 8, nem 80. Nem toda a polícia, nem todos os manifestantes são santos.
O fato é que o momento é um marco no futuro do país.
Eu sou a favor das manifestações. Se possível, que seja sem violência de todas as partes.
E que as cabeças pensantes continuem espalhando mensagens que possam contribuir para dar novos rumos para a zona chamada Brasil. Porque administrada do jeito que está, não dá. E nós cansamos...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
um pouco de realidade na fantasia ou um pouco de fantasia na realidade
Apenas mais um dia. Difícil, diga-se de passagem.
Depois de dias difíceis as criaturas noturnas tem
ainda mais dificuldade de acomodar os pensamentos e dormir em paz. Uma mesa de
bar e algumas bebidas costumam ser ótimas companhias e tranquilizantes melhores
do que os vendidos nas farmácias.
Fim de noite. Esgotamento quase total. Percepção
alterada. A noção do tempo já foi para o espaço. As energias são levemente
revigoradas com apenas um olhar, com um gesto mínimo que aponte para a
reciprocidade de diversão a dois. É hora de dar vazão aos instintos sem se
preocupar com os papéis sociais ou quaisquer outras convenções que não se
aplicam para o momento. Como expressou Bukowski, “sinta mais, pense menos”. E
esse é o nosso acordo: se entregar, curtir e guardar isso só para nós mesmos. Foda-se
o mundo lá fora. Agora o que importa é eu e você. E o que a gente pode fazer
juntos.
O momento é nosso e de ninguém mais. Nossos corpos
ávidos e sedentos entram em combustão quando sentem o calor um do outro. A
química envolve os olhares, os toques, os cheiros, os suspiros, os sussurros,
os gemidos, os sorrisos. E tudo isso é espontâneo. Ninguém nos obrigou, ninguém
nos forçou. Estamos nos divertindo por opção, sendo levados pelo desejo, pelo
tesão. Sensações indescritíveis fazem parte desses instantes sublimes. Esses
prazeres carnais contribuem para deixar a alma leve.
Eu curti pra caralho! Quero bis. Se tiver outra
oportunidade pode crer que não vai ser menos intenso, nem menos divertido.
O dia seguinte não teve ressaca moral. E a coisa mais
agradável foi sentir o cheiro do teu corpo e dos teus cabelos em mim e na minha
roupa.
Valeu. Um piscar de olhos para você. ;)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Dos dilemas da vida*
Duas pessoas, um homem e uma mulher, tem um compromisso uma para com a outra.
O homem adoece. É diagnosticado um problema renal e a necessidade de transplante é urgente.
A mulher realiza exames para verificar a compatibilidade. Ela poderia ser a doadora, não fosse a gravidez, descoberta na bateria de exames há pouco feita. Caso deseje mesmo doar o órgão ao parceiro, o feto não resistirá.
Eis aí o dilema para ambos.
O homem abre mão de sua própria vida para que a mulher tenha o bebê?
E a mulher, aborta o bebê para salvar a vida do companheiro?
Vários aspectos têm que ser ponderados para um esboço de argumentação. Imaginem, então, vivenciar esse dilema na pele...
Deixemos as respostas simplórias para depois e nos esforcemos nessa tarefa hipotética. A questão é: e se eu estivesse diretamente envolvido numa situação assim?
O homem adoece. É diagnosticado um problema renal e a necessidade de transplante é urgente.
A mulher realiza exames para verificar a compatibilidade. Ela poderia ser a doadora, não fosse a gravidez, descoberta na bateria de exames há pouco feita. Caso deseje mesmo doar o órgão ao parceiro, o feto não resistirá.
Eis aí o dilema para ambos.
O homem abre mão de sua própria vida para que a mulher tenha o bebê?
E a mulher, aborta o bebê para salvar a vida do companheiro?
Vários aspectos têm que ser ponderados para um esboço de argumentação. Imaginem, então, vivenciar esse dilema na pele...
Deixemos as respostas simplórias para depois e nos esforcemos nessa tarefa hipotética. A questão é: e se eu estivesse diretamente envolvido numa situação assim?
* Ao som de
domingo, 19 de maio de 2013
Uma dúzia de mulheres que fazem minha cabeça
Algumas coisas mexem com o imaginário masculino. Às vezes eu fecho os olhos, abstraio e viajo com as vozes, sussurros e gritos dessas divas da música. Elas cantam e encantam, literalmente.
#musicismyreligion
Tarja Turunen, Amy Lee, Pitty, Flávia Couri, Érika Martins, Vivi Peçaibes, Vanessa Krongold, Megh Stock, Tati Portella, Deia Cassali, Luísa LoveFoxxx, Andrea Martins.
Di-vir-tam-se!
=)
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Barba Ensopada de Sangue
O pai o chama o para uma conversa franca. Eles conversam sobre a misteriosa e não esclarecida morte do avô. Inesperadamente, o pai pede para que lhe prometa uma coisa: sacrificar a cadela que há tantos anos lhe acompanha. Motivo? O pai tomara a decisão de suicidar-se. Acha que está velho e doente, que já viveu o que poderia viver, que já cumpriu sua jornada na terra.
Após o suicídio do pai, pega seus poucos pertences e muda-se para Garopaba. Não sacrifica a cadela, que torna-se sua melhor companhia. Aluga um lugar à beira-mar para morar, com pagamento adiantado por um ano. Vende seu Fista e começa a trabalhar numa academia, dando aulas de natação. Passa a perguntar para as pessoas se tem alguma informação do Gaudério, seu avô, que teria sido morto por aquelas bandas. Em vão.
Conhece algumas pessoas, inclusive algumas garotas com as quais manteve relacionamentos curtos e conturbados. Continua tentando desvendar o mistério da morte do avô e larga o trabalho. Se mete em grandes enrascadas remexendo no passado e pondo a própria vida (e a sanidade) em risco.
Certa feita recebe a visita da mãe. Quem o visita também é a esposa do seu irmão, sua ex-namorada, que o convida para ser padrinho do filho que está esperando...
Isso e tantas outras tramas se passam no livro de Gabriel Galera. Uma leitura envolvente, cheia de reflexões das bifurcações e surpresas que a vida eventualmente apresenta.
Trechos que (como de costume) grifei.
"Na adolescência o resto da vida parece uma eternidade e vamos supondo que sobrará tempo para tudo."
"Tu pode deixar pra trás um filho, um irmão, um pai, com certeza uma mulher, há circunstâncias em que tudo isso é justificável, mas não tem o direito de deixar pra trás um cachorro depois de cuidar dele por um certo tempo."
"Tô começando a ficar doente e não tô a fim. Não sinto mais o gosto da cerveja, os charutos tão me fazendo mal e não consigo parar, não tenho vontade nem de tomar viagra pra fuder, não tenho nem a nostalgia de fuder. Essa vida é comprida demais e não tenho paciência. Viver depois dos sessenta, pra quem teve uma vida como a minha, é questão de teimosia. Respeito quem investe nisso, mas não tô a fim.Fui feliz até uns dois anos atrás e agora quero ir embora. Quem acha errado que viva até os cem se quiser, desejo sucesso. Nada contra."
"O que seria da gente sem falsas esperanças?"
"Às vezes só com as sacudidas e choques que a vida dá a gente consegue ter o desprendimento pra concretizar sonhos[...]"
"Essas coisas de relacionamento a gente não escolhe quando acontece. O vento cármico leva e traz."
"Para cada surpresa há dezenas ou centenas de confirmações do que já era mais ou menos esperado ou intuído e toda essa previsibilidade tende a passar despercebida."
"O melhor é jamais fazer esforço nenhum para conquistar ninguém."
"[...] há casos famosos de pessoas que se mataram por tédio ou cansaço, naturezas predispostas a ver a morte como uma questão pragmática. Vive-se enquanto vale a pena, enquanto é útil."
"O verão é euforia, dinheiro. O povo fica ocupado demais pra sofrer. O inverno é tédio, falta de perspectiva. Frio. Aí o bicho pega."
"É uma sociedade inteira despreparada pro sofrimento ou consciente demais do sofrimento. Quanto mais a gente compreende e trata o sofrimento mais a gente acha que sofre e ao mesmo tempo o sofrimento dos outros começa a parecer frescura."
"[...] falar sobre as coisas avacalha com tudo pra mim. Falar estraga. É só dar nome que morre."
"É sempre duro fazer o que tem que ser feito, romper com pessoas legais, mesmo quando se está convicto de que é o melhor."
"O amor é o coração do desespero."
"Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa. A família é um deles. O outro é o mundo inteiro."
"Ou existe livre-arbítrio ou não existe. Se o ser humano é um agente livre, se temos escolhas, podemos ser responsabilizados. Se não existe, se o universo é predeterminado pelas leis da natureza e tudo não passa do resultado do que aconteceu logo antes, aí ninguém tem culpa do que faz. Nem rancor nem perdão fazem sentido."
segunda-feira, 6 de maio de 2013
As coisas pelas quais valem a pena viver
Cada pessoa tem suas buscas e se posiciona perante o mundo de acordo com prerrogativas próprias, que vão sendo construídas no decorrer da vida. O respeito a isso é o mínimo que se espera.
A título de exemplificação, trago uma passagem do filme Sociedade dos Poetas Mortos, na qual um Professor explica aos seus alunos:
"Não lemos e escrevemos poesia porque é moda. Lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está impregnada de paixão. Medicina, Direito, Administração, Engenharia são atividades nobres, necessárias à vida. Mas a poesia a beleza, o romance, o amor são as coisas pelas quais valem a pena viver"
Isso aponta para a representação de mundo do professor. As coisas são assim para ele. Para outras pessoas as coisas pelas quais valem a pena viver podem ser outras.
Se eu te perguntar quais as coisas pelas quais valem a pena viver? Qual será a tua resposta? Faça um exercício: olhe para a tua história e veja se realmente isso que você está vivenciando tem a ver contigo e o que pode ser feito a partir daí.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
15 doses de Bukowski*
Sensacionais algumas passagens dos poemas do Bukowski. Palavras viscerais, ditadas pela experiência de vivências intensas e/ou devaneios complexos.
Nunca é demais compartilhar.
=)
Desempenhando
[...] às vezes o cheiro do amor e sempre o cheiro do sexo
[...] mas várias vezes
nos momentos mais intensos
e apaixonados
eu desejei se aquele
cara solitário novamente
sentado no cinema com
meu pacote de pipoca
enquanto ao meu redor
casais se sentavam
juntos
lado a lado."
Moça na escada rolante
[...] observo ele acompanhando ela
pela
escada rolante, seu braço
de forma protetora na cintura
dela, pensando que tem
sorte,
pensando que é um cara muito
especial, pensando que
ninguém no mundo tem
o que ele tem.
e ele está certo, terrivelmente
terrivelmente certo"
Um poema de amor
[...] não fui nem depravado nem
desleal. apenas
um aprendiz.
[...] as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outros
assuntos; cada uma tem limites assim como eu tenho
limites e nos descobrimos
um ao outro
rapidamente."
O poema
"[...] o poema não é grande coisa
mas deixa eu te dizer
se não tivesse descoberto
ele
eu estaria morto"
A índole da multidão
"[...] e os melhores, na guerra
- no final - são os que
pregam
a paz.
[...] Cuidado Com Os Que Sempre Procuram
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos."
Está feito
"[...] se queixar sobre velhas feridas é
um estúpido desperdício do coração."
Nós, dinossauros
"[...] nascemos nisso
em hospitais tão caros que é mais barato morrer
em advogados que cobram tanto que é mais barato
se declarar culpado
num país onde as cadeias estão lotadas e os hospícios fechados
num lugar onde as massas promovem idiotas a heróis ricos
nascemos nisso
caminhando e sobrevivendo a isso
morrendo por causa disso
mudos por causa disso
castrados
depravados
deserdados
por causa disso
enganados por isso
usados por isso
desprezados por isso
ficando loucos e doentes por isso
ficando violentos
ficando desumanos
por isso"
Jogue os dados
"se você tentar, vá até o
fim.
caso contrário, nem comece.
[...] isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos e
talvez sua sanidade.
[...] solidão é uma dádiva."
*Trechos extraídos de
Nunca é demais compartilhar.
=)
Desempenhando
[...] às vezes o cheiro do amor e sempre o cheiro do sexo
[...] mas várias vezes
nos momentos mais intensos
e apaixonados
eu desejei se aquele
cara solitário novamente
sentado no cinema com
meu pacote de pipoca
enquanto ao meu redor
casais se sentavam
juntos
lado a lado."
Todas, uma boa tentativa
"[...] refletindo sobre o meu fértil passado
lembro de todas as mulheres que conheci
que no início do namoro
já estavam desanimadas e in-
felizes por causa de suas tristes
experiências anteriores com outros
homens.
eu era considerado apenas mais uma
parada no meio do caminho
e talvez eu
fosse e talvez eu não fosse.
as mulheres há tempos eram usadas e ab-
usadas
enquanto certamente acrescentavam sua porção de
abuso
à mistura."
Moça na escada rolante
[...] observo ele acompanhando ela
pela
escada rolante, seu braço
de forma protetora na cintura
dela, pensando que tem
sorte,
pensando que é um cara muito
especial, pensando que
ninguém no mundo tem
o que ele tem.
e ele está certo, terrivelmente
terrivelmente certo"
Uma definição
"amor é uma luz à
noite atravessando o nevoeiro
[...] amor é o que você acha que a outra
pessoa destruiu
[...] amor é tudo que nós dissemos
que não era
[...] e amor é uma palavra usada
muitas vezes e
muitas vezes
cedo demais.
Um poema de amor
[...] não fui nem depravado nem
desleal. apenas
um aprendiz.
[...] as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outros
assuntos; cada uma tem limites assim como eu tenho
limites e nos descobrimos
um ao outro
rapidamente."
Então você quer ser escritor?
"[...] a não ser que saia de
sua alma como um foguete,
a não ser que ficar parado te
leva à loucura ou
ao suicídio ou assassinato,
não faça.
a não ser que o sol dentro de você esteja
queimando suas vísceras,
não faça."
O poema
"[...] o poema não é grande coisa
mas deixa eu te dizer
se não tivesse descoberto
ele
eu estaria morto"
Às vezes quando você fica triste há uma razão
"é preciso apenas 6 ou 8 líderes políticos inaptos
ou 8 ou 10 escritores, compositores e pintores pedantes para
fazer o curso natural do desenvolvimento humano
retroceder
50 anos
ou mais."
A índole da multidão
"[...] e os melhores, na guerra
- no final - são os que
pregam
a paz.
[...] Cuidado Com Os Que Sempre Procuram
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos."
Um truque para atenuar nosso sangramento
"[...] e o fracasso não foi nada maisque um
truque
para nos fazer continuar,
e a fama e o amor
um truque para atenuar nosso sangramento.
[...] palavras bonitas
assim como mulheres bonitas,
ficam enrugadas e morrem."
Está feito
"[...] se queixar sobre velhas feridas é
um estúpido desperdício do coração."
Fim
"[...]nós já matamos a nós mesmos
a cada dia que levantamos da cama."
Nós, dinossauros
"[...] nascemos nisso
em hospitais tão caros que é mais barato morrer
em advogados que cobram tanto que é mais barato
se declarar culpado
num país onde as cadeias estão lotadas e os hospícios fechados
num lugar onde as massas promovem idiotas a heróis ricos
nascemos nisso
caminhando e sobrevivendo a isso
morrendo por causa disso
mudos por causa disso
castrados
depravados
deserdados
por causa disso
enganados por isso
usados por isso
desprezados por isso
ficando loucos e doentes por isso
ficando violentos
ficando desumanos
por isso"
Paraíso bastardo
"[...] mas o destino não é o único
culpado.
nós desperdiçamos
nossas oportunidades,
nós estrangulamos
nossos próprios corações."
Jogue os dados
"se você tentar, vá até o
fim.
caso contrário, nem comece.
[...] isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos e
talvez sua sanidade.
[...] solidão é uma dádiva."
*Trechos extraídos de
terça-feira, 2 de abril de 2013
Em que eu acredito?
Religião
é um tema um tanto delicado de conversar, sobretudo com quem tem uma visão
unilateral e dogmática a respeita do mesmo. Por se tratar da fé das pessoas (e
isso merece ser respeitado profundamente) geralmente o que se tem a fazer é
ouvir a opinião da outra pessoa e entendê-la como legítima, contextualizando
isso na história de vida dela. E ao expor a própria opinião não precisa ser
ofensivo ou tentar convencer o outro a migrar para o mesmo credo que você. O
mundo é muito vasto e nele tem espaço para todos, cada qual do seu modo, do seu
jeito.
Vez ou outra em converso com algumas
pessoas que fazem parte de alguma religião ou que frequentam algum ritual
religioso. Isso é uma opção existencial. Geralmente a institucionalização da fé
acaba transformando a espiritualidade em religiosidade. E em casos assim o
diálogo fica mais para monólogo. É quase inevitável que eu comunique a minha
posição quanto aos assuntos apresentados. Acho interessante esse jogo de
argumentos, embora perceba que a maioria deles já vem encaixotado/fechado de
acordo com o que prega a doutrina que é seguida.
Em alguns casos e para algumas
pessoas a fé indispensável. Mas a fé cega, restrita aos dogmas das religiões, é
um tanto perigosa, pois pode levar o indivíduo a uma alienação muito grande,
deixando-o à mercê do que diz o padre, o bispo, o pastor. Às vezes esses que se
intitulam como representantes de um sobrenatural na terra mais trabalham para
tornar as pessoas ignorantes, quando na verdade deveriam esclarecê-las ou fazer
outras coisas que não o que fazem. Com fé não se brinca. Ou ao menos não se
deveria brincar.
Há muito tempo me tornei agnóstico. Não
tenho conhecimento, não posso saber da existência ou não de um ser
sobrenatural, tampouco seus atributos e outros aspectos com relação a isso. Eu
não sei. Simples assim. A capacidade humana é limitada e não temos alcance para
saber/conhecer isso. O que existem são as crenças. Alguns acreditam na
existência de um deus, ou de deuses, outros não acreditam. Eu estou mais para
estes últimos. Então, recapitulando, sou agnóstico por não ter conhecimento,
por não saber da existência de um sobrenatural e sou ateu por não acreditar
nessa existência.
Ter esses posicionamentos não me faz
uma pessoa antiética, sem compaixão, desumana, et cetera e tal. Ser uma pessoa
honesta e não fazer mal às pessoas, aos animais e ao planeta como um todo não
necessariamente tem a ver com a crença religiosa. São coisas distintas. Algumas
pessoas só agem assim impulsionadas pela fé, pela crença. Isso decorre, talvez,
do entendimento de que Deus seria uma espécie de punidor das pessoas pelas
coisas erradas que elas cometem e recompensador das mesmas pelas seus acertos.
Meio infantil pensar assim, mas respeito que tem isso incutido sobre os ombros.
E volto a afirmar, ética não tem a ver com religião. Se tivesse, pessoas religiosas não cometeriam algumas enormes atrocidades que vimos por
aí.
Eu
costumo me questionar sobre dois pontos, já que admito não ter conhecimento,
não saber sobre. Na hipótese afirmativa da existência de um sobrenatural e que
ele possua algumas características que costumeiramente o são atribuídas, tal
como onisciência, onipotência, onipresença, que ele seja infinitamente bom,
infinitamente acolhedor e tudo mais que a tradição nos lega, (1) esse
sobrenatural tem poder para interferir nas ações humanas? (2) Se tem, porque
não o faz e permite que coisas más aconteçam com pessoas boas, com pessoas
inocentes? Além dessas inquietações, outras coisas me instigam com relação ao
assunto, mas vou abortar por aqui para não me estender muito e não correr
(ainda mais) o risco de incompreensão ou julgamento equivocado.
É raro, após eu elucidar um pouco
das minhas crenças (ou falta delas) não ouvir a pergunta “Mas então em que você acredita?” Não é uma resposta fácil. Há uma
ebulição de ideias que apontam alguns caminhos. Costumo dizer que acredito nas
pessoas, acredito no amor como sendo algo que dá sentido e movimento ao
universo. Sim, o amor é o que nos move. Não esse amor romântico vendido nas
bancas de revistas, nas novelas, nos faz-de-contas. Mas o amor como uma
disposição para empenhar-se em fazer as coisas dando o melhor de si sem esperar
nada em troca e sem querer tirar proveito sobre situações ou pessoas. Para
alguns isso pode até parecer simplista, ou utópico, ou ridículo. Mas é isso. É
nisso que eu acredito. É assim que eu me posiciono no mundo. É assim que eu
vivo.
Me desatei a escrever sobre essas
coisas depois de ter lido, dias atrás, esse texto (clica pra ver) do David Coimbra, no
qual ele fala de um câncer que culminou com a retirada de um rim. Sobre a
situação ele fala do carinho e o apoio recebido das pessoas “Não
há nada transcendental aí; o que há são as pessoas. Os homens. O homem que
inventa a bomba atômica, mas que também desenvolve a medicina nuclear, o homem
é, sim, o lobo do homem, mas também o seu consolo e a sua salvação. Depois de
olhar na cara da morte, vi que a vida está na relação com as outras pessoas. As
pessoas, as pessoas. Os outros seres humanos é que nos tornam humanos”.
Minha
pretensão com isso tudo? Instigar a reflexão e o senso crítico, lembrar que o
preconceito não faz bem à nossa alma, quebrar algumas correntes que nos
aprisionam e nos impedem de vislumbrar o que a vida tem a nos oferecer. Essas e
algumas coisitas mais.
Abraço de paz!
sábado, 30 de março de 2013
*walk on
Duas pessoas vivenciam uma história juntas por um tempo. Um mês ou três séculos, sei lá. Curtem adoidado cada momento, são cúmplices uma para com a outra, se respeitam, combinam em muitas coisas e nas que discordam conseguem dialogar sem agressões verbais ou físicas. Enfim, se perfeição existisse elas seriam algo muito próximo dela. Mas eis que, por uma gama de fatores, o relacionamento finda. Aí vem as poções mágicas que tratam da existência como se a vida tivesse uma bula explicando a dosagem certa, o intervalo entre as aplicações ou ingestões, o período de repouso, o tempo para a recuperação plena...
Quem nunca ouviu algo parecido como as duas perguntas a seguir quando o assunto é o rompimento de um relacionamento? Minha opinião a respeito delas vem logo na sequência.
- Ah, se se dessem tão bem assim, se se amassem de verdade o relacionamento não acabaria, não é?
Ué! Por que não? Volta e meia se vê gente por aí confessando que rompeu um relacionamento e que ainda ama o ou a ex. E que o ou a ex também continua o ou a amando. Se amor fosse tudo num relacionamento afetivo, certamente muitas relações ainda estariam de pé, firmes e fortes. Mas não, além do amor várias outras coisas estão envolvidas.
- Por que não deu certo?
E quem disse que não deu certo? Não deu certo para quem? Aquele mês ou aqueles três séculos foi o tempo que mais vai ficar marcado para a pessoa justamente porque deu certo, porque uma história foi criada nesse intervalo. O rompimento até pode ser motivo para algumas pessoas odiarem o ou a ex, quererem distância e tudo mais; mas muitas pessoas preferem ficar com as experiências do que passou na bagagem, aprender com isso, usar isso positivamente para as próximas etapas, logo ali na frente.
Oras! Nossa época continua acreditando que o amor romântico é tudo. De fato, para algumas pessoas ele é a base de tudo. Mas até as maiores edificações do mundo ruíram. Por que cargas d´água um amor seria imune a tudo? Tem nisso um respingo da nossa criação judaico cristã, aquela história de apesar de tudo e até a morte nos separe. Tem também um dedo da literatura infantil e dos romances holiwoodianos, nos quais o final é feliz, o famoso e viveram felizes para sempre.
Nossa existência não é matemática assim. Acho que nem seria interessante se fosse. O bacana é que algumas coisas podem e devem ser deixadas para trás, que outras nos acompanharão eternamente, que o mundo dará outras voltas.
Onde eu quis chegar com isso? Que viver transcende os jargões prontos. Que viver é uma dádiva que deve ser apreciada em todos os momentos. Que, apesar de tudo, é possível olhar para frente e continuar na direção que estamos dispostos a trilhar.
*(siga em frente)
Canção do U2 que não consegui linkar aqui.
Abraço de paz!
Quem nunca ouviu algo parecido como as duas perguntas a seguir quando o assunto é o rompimento de um relacionamento? Minha opinião a respeito delas vem logo na sequência.
- Ah, se se dessem tão bem assim, se se amassem de verdade o relacionamento não acabaria, não é?
Ué! Por que não? Volta e meia se vê gente por aí confessando que rompeu um relacionamento e que ainda ama o ou a ex. E que o ou a ex também continua o ou a amando. Se amor fosse tudo num relacionamento afetivo, certamente muitas relações ainda estariam de pé, firmes e fortes. Mas não, além do amor várias outras coisas estão envolvidas.
- Por que não deu certo?
E quem disse que não deu certo? Não deu certo para quem? Aquele mês ou aqueles três séculos foi o tempo que mais vai ficar marcado para a pessoa justamente porque deu certo, porque uma história foi criada nesse intervalo. O rompimento até pode ser motivo para algumas pessoas odiarem o ou a ex, quererem distância e tudo mais; mas muitas pessoas preferem ficar com as experiências do que passou na bagagem, aprender com isso, usar isso positivamente para as próximas etapas, logo ali na frente.
Oras! Nossa época continua acreditando que o amor romântico é tudo. De fato, para algumas pessoas ele é a base de tudo. Mas até as maiores edificações do mundo ruíram. Por que cargas d´água um amor seria imune a tudo? Tem nisso um respingo da nossa criação judaico cristã, aquela história de apesar de tudo e até a morte nos separe. Tem também um dedo da literatura infantil e dos romances holiwoodianos, nos quais o final é feliz, o famoso e viveram felizes para sempre.
Nossa existência não é matemática assim. Acho que nem seria interessante se fosse. O bacana é que algumas coisas podem e devem ser deixadas para trás, que outras nos acompanharão eternamente, que o mundo dará outras voltas.
Onde eu quis chegar com isso? Que viver transcende os jargões prontos. Que viver é uma dádiva que deve ser apreciada em todos os momentos. Que, apesar de tudo, é possível olhar para frente e continuar na direção que estamos dispostos a trilhar.
*(siga em frente)
Canção do U2 que não consegui linkar aqui.
Abraço de paz!
domingo, 24 de março de 2013
a arte não necessariamente imita a vida (e vice-versa)
Final de semana. Pós-almoço, que na real foi também um lanche da tarde. Não estava com sono, pois tinha acordado às 13 horas. Dormir tarde não é mais motivo para me deixar cansado, já que quase todas as noites tenho a companhia da insônia. Às vezes isso enche o saco, às vezes é bem bacana e producente. As madrugadas tem lá seus encantos.
Quis manter o silêncio para minha mãe repousar. Meu quarto estava escuro em plena luz do dia. Acendi a luz. Dei de mãos no Bukowski que estou lendo e me deitei, sem tirar os tênis, com os pés para fora da cama desarrumada. Li algumas páginas. Fiquei viajando em algo que me despertou atenção. Meus pensamentos divagaram. Repousei o livro aberto em meu rosto. Isso evitava o contato direto com a luz que cegava meus olhos. Fui marca páginas humano pelo instante que fiquei sentindo o cheiro do livro.
Momento sublime! Não vou dizer que teve a intensidade de um orgasmo. Não chegou a tanto, ao menos em termos de reações físicas. Mas foi algo quase que indescritível. Meio que uma espécie de sexo oral. Ela se oferecendo de pernas abertas, reconfortando sua maior zona erógena bem à disposição da minha boca. Senti o cheiro de pele úmida, embora o cheiro real fosse de material impresso industrializado. Minha salivação se alterou, fiquei com água na boca. Me policiei para que os movimentos da minha língua ficassem apenas entre meus dentes cerrados ou que alcançassem, no máximo, meus lábios, que vez ou outra eu mordi. Estava conectado com a ideia. Sexo é o que estava na minha mente. Talvez tenho sido remetido a isso justamente pela passagem que me fez interromper a leitura e me pôs a refletir.
De repente meu telefone tocou. O livro mudou de posição. O clima se desfez. A realidade me trouxe de volta. E então li mais algumas páginas antes do banho.
Se no chuveiro eu me masturbei ou não é tão fantasia ou realidade quanto o que expus até aqui.
Quis manter o silêncio para minha mãe repousar. Meu quarto estava escuro em plena luz do dia. Acendi a luz. Dei de mãos no Bukowski que estou lendo e me deitei, sem tirar os tênis, com os pés para fora da cama desarrumada. Li algumas páginas. Fiquei viajando em algo que me despertou atenção. Meus pensamentos divagaram. Repousei o livro aberto em meu rosto. Isso evitava o contato direto com a luz que cegava meus olhos. Fui marca páginas humano pelo instante que fiquei sentindo o cheiro do livro.
Momento sublime! Não vou dizer que teve a intensidade de um orgasmo. Não chegou a tanto, ao menos em termos de reações físicas. Mas foi algo quase que indescritível. Meio que uma espécie de sexo oral. Ela se oferecendo de pernas abertas, reconfortando sua maior zona erógena bem à disposição da minha boca. Senti o cheiro de pele úmida, embora o cheiro real fosse de material impresso industrializado. Minha salivação se alterou, fiquei com água na boca. Me policiei para que os movimentos da minha língua ficassem apenas entre meus dentes cerrados ou que alcançassem, no máximo, meus lábios, que vez ou outra eu mordi. Estava conectado com a ideia. Sexo é o que estava na minha mente. Talvez tenho sido remetido a isso justamente pela passagem que me fez interromper a leitura e me pôs a refletir.
De repente meu telefone tocou. O livro mudou de posição. O clima se desfez. A realidade me trouxe de volta. E então li mais algumas páginas antes do banho.
Se no chuveiro eu me masturbei ou não é tão fantasia ou realidade quanto o que expus até aqui.
sexta-feira, 22 de março de 2013
da arte de viver reclamando
Tem pessoas que são PHD em viver reclamando. E não se formaram em qualquer instituiçãozinha, não. Deve ter sido em Harvard, nos EUA, ou em Oxford, na Inglaterra.
Tudo bem. Quem não tem problemas, não é mesmo? Mas é muita tempestade em copo d´água, minha gente! Pelamor!
O mundo gira. Só por que ele girou até agora não quer dizer que ele nunca vai ficar estático, sem movimento algum. O mundo gira.
As estações se sucedem. Pelos efeitos causados pelo homem na natureza, não necessariamente as condições climáticas respeitam as peculiaridades de primavera, verão, outono e inverno. As estações se sucedem.
O sol brilha. Ele dá a cara após semanas inteiras encoberto pelas nuvens cinza. Improvável que se esconda e não mais nos visite. O sol brilha.
A lua reluz. Nova, crescente, cheia e minguante. Não é seguro que sua luz cesse e não mais se ofereça para nossa contemplação. A lua reluz.
Poucas são as coisas estáticas, não passíveis de mudança, de alternância, de modificação. E de nada adianta reclamar do calor, do frio, da chuva, do sol, do barro, da poeira, do vento e todos aqueles mi-mi-mis que frequentemente ganham espaço nas redes sociais e nas rodas de conversas. Essas coisas são muito mais pertencentes ao universo que nós mesmos. Estão aqui desde muito antes de nós e permanecerão até muito depois.
Nós somos animais. Não podemos nos esquecer da nossa capacidade de adaptação. A não ser que queiramos continuar fazendo birra/drama por aí porque esquentou, porque esfriou, porque choveu, porque anoiteceu, porque nascemos...
quarta-feira, 20 de março de 2013
crônicas de amor & sexo
Fabrício Carpinejar é uma pessoa um tanto exótica. Sua sua "guíngua pgesa", suas vestes, seus anéis, suas unhas pintadas, seu cortes de cabelo sempre com uma palavra na nuca e, claro, seu enorme potencial de jogar com as palavras o fizeram conhecido pelo país todo. Professor universitário, poeta e jornalista são os rótulos sociais e de formação. Mas muitos outros adjetivos cabem para descrever esse ser irreverente.
Em Ai meu Deus, Ai meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo Carpinejar esbanja conhecimento de causa (e de causos). Muito do livro é ironia, sarcasmo, espontaneidade. O que não dá para negar é que suas histórias pessoais, suas vivências deram origem a grande parte das crônicas. Cotidiano, intrigas, atrações, falhas, aprendizados.
Quem dera a mistura amor e sexo pudesse estar presente na vida das pessoas!
Compartilho recortes de algumas crônicas.
A carne é forte
"Todos os meus pecados eram um único: bater punheta. Mudava apenas o horário.
Não, não dizia bater punheta. Eu bati punheta somente quando adulto.
Eu dizia: 'eu me toquei, padre'. [...]
Torturado por não ir ao céu, confidenciava por quem me tocava. Acho que não precisava, mas pecado bom é com detalhe.
O padre conheceu minhas fantasias eróticas melhor do que qualquer mulher."
Maldição
"O homem peca por estar exposto. [...] Tenta-se recordar da avó, da tia, da morte, da mendiga mais descabelada, despistar as imagens, mas nada o demove da inflação. O equivalente seria se, excitados, os seios crescessem a ponto de furar o sutiã ou inchar a blusa.
É comum o homem despir na sua imaginação a mulher com quem conversa. [...]
Não se respeita um homem de pau duro. É - de cara - um tarado. [...]
O pau é incontrolável, não tem como suborná-lo ou fazer um acordo - goza de vida própria. [...] Não respeita a mulher de seu melhor amigo ou filha de sua melhor amiga. Endurece e pronto, teimoso que só vendo. O jeito é dobrar as pernas, andar como um pato, botar a pasta na frente e rezar, rezar muito para que ninguém note a diferença."
Falso brilhante
"Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. [...]
O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo. [...]
O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado. [...]
Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com a comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.
São demonstrações sutis, que não dá pra contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida."
Em Ai meu Deus, Ai meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo Carpinejar esbanja conhecimento de causa (e de causos). Muito do livro é ironia, sarcasmo, espontaneidade. O que não dá para negar é que suas histórias pessoais, suas vivências deram origem a grande parte das crônicas. Cotidiano, intrigas, atrações, falhas, aprendizados.
Quem dera a mistura amor e sexo pudesse estar presente na vida das pessoas!
Compartilho recortes de algumas crônicas.
A carne é forte
"Todos os meus pecados eram um único: bater punheta. Mudava apenas o horário.
Não, não dizia bater punheta. Eu bati punheta somente quando adulto.
Eu dizia: 'eu me toquei, padre'. [...]
Torturado por não ir ao céu, confidenciava por quem me tocava. Acho que não precisava, mas pecado bom é com detalhe.
O padre conheceu minhas fantasias eróticas melhor do que qualquer mulher."
Maldição
"O homem peca por estar exposto. [...] Tenta-se recordar da avó, da tia, da morte, da mendiga mais descabelada, despistar as imagens, mas nada o demove da inflação. O equivalente seria se, excitados, os seios crescessem a ponto de furar o sutiã ou inchar a blusa.
É comum o homem despir na sua imaginação a mulher com quem conversa. [...]
Não se respeita um homem de pau duro. É - de cara - um tarado. [...]
O pau é incontrolável, não tem como suborná-lo ou fazer um acordo - goza de vida própria. [...] Não respeita a mulher de seu melhor amigo ou filha de sua melhor amiga. Endurece e pronto, teimoso que só vendo. O jeito é dobrar as pernas, andar como um pato, botar a pasta na frente e rezar, rezar muito para que ninguém note a diferença."
Falso brilhante
"Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. [...]
O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo. [...]
O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado. [...]
Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com a comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.
São demonstrações sutis, que não dá pra contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida."
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