Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A cultura ou a ignorância - 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves


O escritor e músico Gabriel, O Pensador foi convidado para ser patrono da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves/RS, que acontecerá neste ano de 2012. A Prefeitura Municipal optou, ainda, por contratar o artista para duas palestras para alunos da cidade e para o show musical de encerramento da Feira, além da compra de 2 mil livros (mil de “Diário Noturno” e mil de “Um garoto chamado Roberto”) para serem repassados às bibliotecas das escolas municipais como incentivo à leitura.

Agindo conforme orienta o bom censo e a legalidade, a Prefeitura divulgou os valores envolvidos nas atividades de Garbiel, O Pensador, R$ 169.430,00. Isso gerou certo desconforto para alguns escritores convidados que receberiam um cachê simbólico pela participação no evento, que foram à mídia e veicularam os milhares de reais a serem repassados para o artista como sendo cachê pela sua participação na Feira do Livro e por ser ele o patrono da mesma. Estava instalado o mal entendido.

Gabriel, O Pensador veio a público para esclarecer o que estava acontecendo. Segundo ele, no valor estavam incluídos todos os serviços e impostos de suas atividades. Ele citou algumas: a venda dos 2 mil exemplares de livros a R$ 35,00 cada, que resulta em R$ 70.000,00, mais R$ 2.016,00 de 2,88% de imposto; passagens aéreas, diárias de alimentação, hospedagem e transporte terrestre para o recebimento da faixa de patrono, que fecharia em cerca de R$ 2.093,00; os mesmo serviços para as palestras, outros R$ 2.093,00; para o show, R$ 60.000,00, mais R$ 10.200,00 de 17% de imposto, mais passagens, hospedagens, transporte e alimentação para a banda e a equipe, R$ 18.568,00; material e equipe de produção de DVD, R$ 3.890,00, mais R$ 661,98 de 17% de impostos; entre outros valores que chegam aos tão comentados R$ 169.430,00. Pela polêmica que se tornou sua presença na Feira do Livro, a Prefeitura Municipal e o artista chegaram ao consenso de não haver mais a compra dos livros para o repasse às escolas, tampouco o show musical de encerramento do evento. Gabriel, O Pensador, porém, não abriu mãos de ser o patrono da feira e o fará de forma gratuita.



Como estamos vivendo um momento do politicamente correto, não é de se espantar que se faça sensacionalismo em torno de algumas temáticas no intuito de desviar o foco de outras.

Ora bolas! O que significa R$ 170.000,00 para ser investido em cultura e educação? Garanto que se os valores referentes à contratação dos serviços de Gabriel, O Pensador não tivessem sido divulgados, nada disso teria acontecido e tudo sairia conforme programado, com entrega de livros às bibliotecas escolares, palestras, show e tudo mais. E digo mais: as cifras de R$ 170.000,00 são desviadas de tantas coisas cotidianamente neste nosso Brasil hipócrita e para isso não acontece nada. Chegamos ao ponto de estar quase se tornando lei que enriquecimento ilícito é crime. Ah, mas que comédia mesmo! Se uma pessoa fatura R$ 5.000,00 por mês, não é o correto que ao final do ano (que tem só 12 meses) ela tenha acumulado algo em torno dos R$ 60.000,00? Não é estranho que uma pessoa, nas circunstâncias citadas, chegue ao final do ano com uma conta bancária de R$ 300.000,00? De onde vem a grana? Depósito transcendental divino?
                Ademais, voltando ao episódio de honorários para escritores, artistas etc, etc... não é digno que os mesmos recebam por seu trabalho? Ou hão de se alimentar de luz, de andar com lençóis cobrindo o corpo, andando descalços? Talvez por alguns elementos arraigados na educação brasileira, a cultura é algo que não merece investimentos. Parafraseando a ilustre frase de Derek Bok, se custear a cultura está caro, arcar com o preço da ignorância será ainda pior.

sábado, 21 de abril de 2012

2037: que Brasil será o seu?

Este é o título de um artigo de Carolina Fuhrmeister, Diretora do Fórum da Liberdade, publicado no Jornal Zero Hora. Nele, Fuhrmeister apresenta alguns dados referentes à realidade do Brasil no cenário mundial: somos a 6ª economia do mundo, estamos na 84ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ocupamos a posição 104 em infraestrutura, na qualidade do sistema educacional estamos no 115º lugar, no índice de percepção da corrupção estamos em 73º (o que significa um rombo nos cofres públicos de cerca de R$ 82 bilhões por ano em falcatruas) e temos 16 milhões de pessoas na miséria.
Fuhrmeister aponta que planejamento não é forte do Brasil, pois a previsão para os próximos 4 anos é que sejam gastos 70 bilhões com a Copa do Mundo e com as Olimíadas.
A autora afirma que "guerreiro esse povo é. Mas ainda nos faltam grandes doses de atitude".

Que Brasil eu estou construindo para as próximas gerações? Não sei se estou conseguindo por em prática, mas o país que eu quero é um país em que, no mínimo, as pessoas consigam pensar de forma que não sejam apenas meras reprodutoras do que é posto pelo sistema.
Pouco? Utopia? Pode ser. Mas é meu trabalho de formiguinha, lento e gradual. Quem sabe vá fazer alguma diferença algum dia. E se não fizer, fuck you too!   

Música tema: Marilyn Manson - Mutilation is the most sincere form of flattery

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do filme "Medianeras - Buenos Aires na era do amor digital"

"
Quem será que foram os gênios que taparam os rios com prédios e o céu com fios? Tantos km de cabos servem pra nos unir ou nos afastar? Cada em seu lugar...
A telefonia celular invadiu o mundo com a promessa de te deixar conectado sempre, mensagens de texto! Uma nova linguagem adaptada a 10 teclas que reduz as nossas línguas mais belas a um vocabulário primitivo limitado e sem cultura.
O futuro está na fibra ótica e no céu limpo! Dentre tantas vantagens eles prometem que você conseguirá ajustar a temperatura de sua casa mesmo estando no trabalho, é claro que eles já sabem que não tem ninguém te esperando com a casa quentinha.
Bem vindo à era das relações virtuais.
"

Como diria o Chorão, "cuide de quem corre do teu lado e quem te quer bem. Essa é a coisa mais pura".

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Por uma nova ética

O Supremo Tribunal Federal (STF) me chamou para eu dar meu voto no julgamento que pede a liberação ou a descriminalização do aborto para fetos sem cérebro. Num primeiro momento eu fiquei surpreso, mas vesti uma toga preta e lá fui eu.

Depois de cumprimentar os ministros que tem poder de decisão, tratei de deixar bem claro que eu não sou ministro, não sou advogado, não sou desembargador, não sou juiz, não sou deputado, não sou padre e nem pastor, não sou médico, não sou cientista, não sou santo, não sou nenhuma divindade e, mesmo não sabendo o motivo pelo qual eu estava ali dando meu veredito, disse que não queria afrontar ou ofender alguém com minhas considerações.

Eu estava trêmulo. Que caminhos percorrer?

- “Meus caros, quando começa uma vida? Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozoide? Com a passagem de alguns meses de desenvolvimento do feto? A vida começaria, talvez, no nascimento?

Bem, permitam-me algumas considerações. A partir do surgimento do Cristianismo, a vida passou a ter um caráter sagrado, sendo que a vida humana foi sobreposta à vida de qualquer outro ser. Esta ideia cristã perpassou tradições e perdurou por mais de dois mil anos. Somente há pouco tempo algumas pessoas começaram a contrapor as verdades advindas dos dogmas cristãos, fazendo surgir novas visões de mundo e ampliando as possibilidades de reflexões éticas.

Peter Singer é uma destas pessoas que apresentaram novos paradigmas para a humanidade. Ele propõe uma ética teleontológica, na qual o valor de uma ação é medida por seu fim, por seu resultado. Nesta perspectiva utilitarista, Singer requer que imaginemos as possíveis consequências de nossos atos. Segundo suas considerações, uma ação será moralmente boa quando seus resultados proporcionarem um aumento de felicidade ou uma diminuição da dor da maioria dos afetados por tal ação.

Para a ética tradicional calcada em valores arraigados há milênios, a ética proposta por Singer é insustentável, pois vários de seus elementos entram em conflito com o que a tradição nos legou. A vida possui um valor sagrado, estando acima de todo e qualquer aspecto, privar alguém dela é pecado, homicídio, crime. No rompimento que Singer promove com o que ele chama de velha ética, a eutanásia e o aborto são elencadas como atitudes que podem ser moralmente aceitas e justificáveis, de tal forma que tais atos sejam descriminalizados.

Visto que a proposta singeriana leva em consideração o aumento de felicidade ou a diminuição da dor, interromper uma gravidez na qual foi detectada anencefalia é uma atitude considerada moralmente boa. Isto devido ao sofrimento de todos os envolvidos numa gestação nestes termos, nos quais nem imaginamos o quão doloroso seja, tanto física quanto psicologicamente.

Cabe ressaltar que quando estamos na esfera da ética, a decisão final é sempre do indivíduo. Portanto, se é o desejo de uma mãe ou da família que seja interrompida uma gravidez de um feto anencefálico, não é o Estado ou a Igreja quem deve intervir em tal decisão. Se uma pessoa manifesta conscientemente seu desejo de não permanecer em estado vegetativo, em coma induzido caso isso venha lhe acontecer, quem tem poder de desautorizar esta decisão? Da mesma forma, se uma família decide que é melhor que os profissionais da saúde desliguem os aparelhos daquele familiar que está vegetando já há algum tempo, é o juramento dos médicos que impede que isso se realize?

Devemos pensar, sim, em garantir o direito à plenitude da vida. Mas não devemos confundir o direito à morte com crime, com homicídio.

Tenho meus motivos, portanto, para votar a favor da descriminalização do aborto em casos de má formação genética que indicam anencefalia. E meu voto se dá neste sentido.

Obrigado pela atenção”.

Antes mesmo do relator dar prosseguimento ao ato, eu acordei suado. Meu quarto escuro ao invés da luminosidade da sede do STF, sozinho, ao contrário dos holofotes daquele agitado lugar, de cueca no lugar da toga e com a convicção de que o resultado seria favorável ao que havia sido encaminhado para votação.

quarta-feira, 28 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

A farra das diárias

Tem como não ficar puto da vida em época de declaração de Imposto de Renda? Há quem reclame por pagar muito de imposto; já outros, como eu, ficam decepcionados por não declarar o IR porque os rendimentos anuais ficam abaixo do que estabelece a lei do leão.
Como eu sou um curioso nato, decidi dar uma olhada nas diárias que foram pagas aos servidores do Poder Legislativo do Rio Grande do Sul, no Portal da Transparência. Tais diárias são referentes ao período de janeiro a março deste ano. O resultado é o seguinte (e vou citar somente os valores recebidos em diárias acima de R$ 5.000,00):
Aloisio Talso Classmann: R$ 7.044,90 (viajou para Santiago da Compostela, na Espanha, do dia 21 ao dia 28 de janeiro);
Antônio Carlos Gomes da Silva: R$ 6.120,99;
Diógenes Luiz Basegio: R$ 6.991,50;
Edson Meurer Brum: R$ 11.722,91;
Ernani Polo: R$ 14.344,85;
Gilberto Capoani: R$ 11.652,50;
Gilson Pereira: R$ 9.356,90;
José Antônio Junior Frozza Paladini: R$ 6.292,35;
José Franciso Soares Sperotto: R$ 8.156,71;
Jurandir Marques Maciel: R$ 6.023,22;
Luis Fernando Schmidt: R$ 10.254,20;
Marlon Arator Santos da Rosa: R$ 9.788,10;
Nelson Luiz da Silva: R$ 5.312,17;
Pedro Bandarra Westphalen: R$ 10.193,25;
Pedro Ozorio Pereira: R$ 5.847,75;
Ronaldo Santini: R$ 7.560,42;
Volmir José Miki Breier: R$ 5.876,53;
Zilá Maria Breitenbach: R$ 8.766,14.
Eu tentei somar a quantia que estas 18 pessoas receberam em diárias nestes 3 meses de 2012, mas são tantos números que eu me perdi. E esses números são só o começo dos rombos no dinheiro público gastos em sabe-se lá o que.
Para bancar estas diárias sobra dinheiro (talvez nelas estejam inclusos custos de wisky importado e acompanhantes; vai saber...); para umentar escandalosamente os salários dos Deputados tem dinheiro; mas para dar qualificação aos profissionais e remunerá-los com o mínimo de dignidade que eles merecem, aí governo nenhum tem como bancar.

Fica então minha homenagem à Gangue da Matriz.



quarta-feira, 21 de março de 2012

O jeitinho brasileiro não tem jeito mesmo

"Excesso de peso danifica a rodovia. Denuncie."
Prestei atenção em uma placa dessas no início da semana. E andei pensando sobre isso.
Fiz milhares de quilômetros em fevereiro, durante minhas férias. Não lembro de ter visto um posto de pesagem. Oras, o Brasil é o país do jeitinho, então muitas pessoas aproveitam a falta de fiscalização e andam por aí com toneladinhas a mais em suas cargas. É lógico que isso contribui para que o asfalto fique danificado.
Aí vem as licitações forjadas, superfaturadas e tudo mais que estamos carecas de saber para refazer trechos asfálticos. Mais uma vez o jeitinho brasileiro entra em cena: faz-se uma camada de asfalto com qualidade bem inferior para que sobre grana para o pessoal do esquema sujo. 
Isso é malandragem, falcatrua, roubo, descaso, corrupção. 
Estou me convencendo que no Brasil quem se rala é o trabalhador honesto, infelizmente.
E os péssimos exemplos de quem deveria dar bons exemplos só faz com que cada dia mais pessoas rumem para a banda podre. Que desgraça!

quinta-feira, 15 de março de 2012

sábado, 10 de março de 2012

As respostas prontas

Li no Jornal Diário Catarinense de hoje que Lucio Mauro Filho está viajando pelo país com seu monólogo "Clichê". O espetáculo é, de certa forma, uma crítica ao excesso de frases feitas e conta com mais de 600 expressões clichês que se expandem e se reproduzem diariamente.
Em uma rápida entrevista dada ao jornal, o ator declara algo que merece ser ponderado: "Com o advento da internet as pessoas estão cada vez mais rasas". Isto é, de fato, verificável na maioria das conversações do mundo cibernético, principalmente em redes sociais, onde as frases feitas são repetidas com extrema frequência.
O perigo de utilizar os jargões é que eles podem estar deslocados do significado original, além de desprezarem uma série de fatores.  

Vamos a um exemplo: No "Pequeno Príncipe", do escritor Antoine de Saint-Exupéry, uma frase ultrapassou gerações e vem sendo reproduzida aos quatro ventos. Trata-se de algo que uma raposa ensinou a uma criança, ambas personagens do livro, sobre o amor: "Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos". Pois bem, para o enredo do livro esta é uma verdade que tem um contexto. Ela revela ainda os traços de como pensava Saint-Exupéry, o autor da obra. Mas isso não implica que esta seja uma verdade universalmente válida quando se trata do amor ou de qualquer outro tema. 
Pode acontecer que, mesmo se tratando de amor, alguém tenha uma representação de mundo na qual o que tem mais valor é justamente o contrário, ou seja, aquilo que olhos veem. Isso já seria suficiente para derrubar a lição de que "o essencial é invisível aos olhos".

Ainda outros jargões são utilizados como se valessem para todas as pessoas e em todas as situações.
"Errar é humano, perdoar é divino". Algumas pessoas perdoam porque tem uma ligação amorosa, ou por amizade, ou por caridade e por tantos outros motivos. Mas isso não quer dizer que elas sejam divindades ou seres de outra galáxia.
"Para amar o outro é preciso amar a si mesmo". Não precisamos nos esforçar para perceber que algumas pessoas não estão nem aí para si mesmas e amam profundamente outras.
"É dando que se recebe". Então há sempre este processo de troca, de escambo no qual se da algo pensando em ser retribuido?
Esses e outros infindáveis exemplos podem contribuir para que pensemos que cada pessoa tem uma representação única de mundo e que não necessariamente ela vai pensar e agir como pensa e age a maioria. Algumas até vão nesse ritmo, mas não todas...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As decisões às vezes passam por um clic

Estou me cansando de ouvir lamúrias e choramingos a respeito da grade de programação da televisão brasileira. Isso vale tanto para os canais abertos quanto para os exclusivos para assinantes.

Volta e meia alguém reclama:
- Na parabólica não nada de interessante para olhar.
Ou então: 
- A tv por assinatura só tem mesmo quantidade de canais. Qualidade que é bom, nada.
A pergunta que eu faço para essas pessoas é se o único meio de entretenimento que existe no mundo é a tv.
Parece que não existe atividade física, leitura, conversa com outras pessoas, estudos ou seja lá o que for.

Tem algumas que falam mal do Big Brother, por exemplo, mas não perdem um capítulo do programa. Eu gostaria de entender o que se passa. Talvez a logística dos programas consigam de fato alienar grande parte dos telespectadores.

Ora, se não gosta de consumir determinada coisa, não consome, se controla, muda de hábitos, abondona o comodismo e a mesmice.

Neste sentido, o controle remoto ou os botões dos aparelhos (talvez alguns até já tenham comando de voz) é uma ferramenta e tanto. Algo não te agradou? Muda de canal. Ou assiste e tenta incorporar algo de bom daquilo para tua vida. Ou aproveita as asneiras para não repetir em suas vivências. Ou desliga o aparelho.

O que não pode mais acontecer, poooor favor, é alugar meus ouvidos para reclamações que não vão levar a lugar algum.

Quem me dera eu tivesse um controle remoto para acionar o "mute" de algumas pessoas...

Abraçosss.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Singularidades

Da mesma forma que algumas pessoas necessitam
de uma luz no fim do túnel,
outras precisam de um túnel no final da luz.
Esse é mais um dos motivos que demonstra a diversidade, a diferença, a pluralidade que existe entre os viventes deste mundo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Às vezes é assim

O dito popular "quem cala, consente" é verificável em muitas ocasiões.
Nos cenários político e social atuais me parece que tem gente que se cala mesmo não consentindo. Muitas pessoas que teriam grande influência e poder de esclarecimento e de decisão se omitem, ficam totalmente passivas. Talvez pela grana que tem, que certamente trás alguma comodidade que os impede de sair d´uma zona de conforto, talvez por medo sabe-se lá de que, talvez por se sentirem ameaçados, talvez por terem o rabo preso com algo ou com alguém, ou por tantos outros motivos que a gente não consegue conjecturar.
Algumas coisas são tão certas como 2 + 2 = 4. Basta querer abrir os olhos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre o carnaval

Bem... Cada qual com sua estrutura, seu modo de ser, seu jeito, seus gostos, etc. e tal.
Não tenho a mínima pretensão de ofender alguém ou algum estilo de vida. Quero apenas que minha meia-dúzia de leitores reflitam e cheguem às conclusões que lhes forem pertinentes. 
E segue a vida.



"Ontem foi quarta-feira feira de fogo e eu não vejo a hora de chegar a quarta-feira de cinzas. Não, não é que eu seja inimiga do carnaval – até já brinquei muito em clubes, nos blocos, nas prévias, fui até Olinda em plena terça-feira de carnaval. Portanto, vou falar com conhecimento de causa e revelar algumas verdades que eu encontrei por trás da fantasia do carnaval.
A primeira delas: “O carnaval é uma festa genuinamente brasileira”. Não, não é. O carnaval tal como nós o conhecemos surgiu na Europa, durante a era vitoriana, e se espalhou pelo mundo afora, adaptando-se a outras culturas.
Segunda falsa verdade: “É uma festa popular”. Balela. O carnaval virou negócio, e dos ricos. Que o digam os camarotes vip, as festas privadas e os abadas caríssimos chamadas passaportes da alegria. E quem não tem dinheiro para comprar aquela roupinha colorida não tem também o direito de ser feliz? Não tem não!
E aqui na Paraíba, onde se comemoram as prévias, não é muito diferente, não. A maioria dos blocos vive às custas do poder público e nenhuma atração sobe no trio elétrico para divertir o povo só por ser o carnaval uma festa democrática. Milhões de reais são pagos a artistas da terra (e fora dela) para garantir o circo a uma população miserável, que não tem sequer o pão na mesa.
Muitas coisas hoje me revoltam no carnaval. Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por hits do momento como o “melô da mulher maravilha” e similares que eu não ouso nem citar. Eu fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de carnaval para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra-quebra. Onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe precisa socorrer um filho doente, quando um trabalhador está enfartando, quando um idoso do interior precisa se deslocar de cidade para se submeter a um exame? Eu me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem durante o carnaval e no dia-a-dia falta segurança para o cidadão de bem exercitar o simples direito de ir e vir.
Mas o carnaval é uma festa maravilhosa. Dizem até que faz girar a economia, que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seu churrasquinho. Olha, se esses pais de família dependessem do carnaval para vender e para viver passariam o resto do ano à míngua. Carnaval só dá lucro para dono de cervejaria, para proprietário de trio elétrico e para uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo.
Alguém já parou para calcular o quanto o Estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrente desses acidentes? Quanto o poder público desembolsa com procedimentos de curetagem, que muitas jovens se submetem, depois de uma carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? E isso sem falar na quantidade de DST´s que são transmitidas na festa em que tudo é permitido.
Eu até acho que o carnaval já foi bom, mas isso foi nos tempos de outrora".
Rachel Sheherazade. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Filosofia Clínica, como assim?

            Minha intenção com as breves considerações a seguir é dar luz do que seja esta abordagem terapêutica que vem ganhando campo tanto em território nacional quanto internacional. Longe de minha alçada está o objetivo de encerrar o assunto. Pelo contrário, quero provocar e convidar o leitor a buscar mais informações a respeito da Filosofia Clínica.
            A Filosofia Clínica foi sintetizada pelo filósofo Lúcio Packter na década de 1990. Packter fundamentou esta abordagem terapêutica, entre outras teorias, com base no logicismo formal, no empirismo, na analítica da linguagem e essencialmente na fenomenologia. Filósofos como Protágoras, Platão, Aristóteles, Bertrand Russell, Schopenhauer, Locke, Berkeley, Kant, Karl Popper, Georg Cantor, Wittgenstein, Levi-Strauss, Deleuze, Foucalt, Paul Ricoeur, Searle, Gadamer, Merleau-Ponty, Jaspers, Heidegger, entre tantos outros tiveram suas teses adaptadas à clínica filosófica.
            Aqui já cabe um pedido de atenção. Tais filósofos e correntes filosóficas apenas fundamentam os métodos da Filosofia Clínica. Isso não quer dizer que nos atendimentos o filósofo clínico irá utilizar obras e teorias com seu partilhante, como ocorre no aconselhamento filosófico ou na filosofia prática.
            Adiante. Falamos em métodos, certo? Correto, pois em Filosofia Clínica não há um método rígido. O que existe são possibilidades de aplicação que se adaptam à singularidade do partilhante e à demanda clínica. Claro que algumas particularidades precisam ser respeitadas, como, por exemplo, estabelecer interseção com o partilhante (condição indispensável para o andamento do trabalho), respeitar suas singularidades, buscar compreender o que está se passando com ele e ter cuidado com os agendamentos (acompanhar o partilhante e não direcioná-lo inadvertida ou aleatoriamente).
             Packter nos diz, no Caderno A, que “o objetivo da clínica filosófica é, tanto quanto possível, reconhecer e entender as interseções (choques) entre tópicos da Estrutura de Pensamento e em seguida utilizar os submodos (procedimentos clínicos) para tentar trabalhar essas interseções tópicas”. Como fazer isso? Veremos adiante, mas antes vamos falar da Estrutura de Pensamento, ou EP.
            A EP é tudo o que habita a pessoa, a forma como ela vê o mundo e a si mesma, suas representações, emoções, buscas, valores, crenças, enfim, é o modo como a pessoa está existencialmente. O filósofo clínico cataloga a historicidade do partilhante em 30 tópicos estruturais, cada qual com seu peso e determinância no todo da EP. Não é o caso de encerrar o ser humano em apenas 30 tópicos, ocorre que os tópicos se inter-relacionam e formam infindáveis formas de ser no mundo, tal como uma mistura de matizes de cores ou as letras do alfabeto formando palavras, frases, textos, etc.
            Os atendimentos terapêuticos contribuem para o acúmulo de experiência do filósofo clínico, porém, visto que cada pessoa é um universo distinto, nunca os atendimentos serão iguais para diferentes partilhantes; o filósofo clínico não sabe de antemão o que encontrará em cada singularidade que o procurará.
            Pois bem. Algo levou uma pessoa a procurar pelos trabalhos do filósofo clínico. Esta pessoa é denominada partilhante. A pessoa não é chamada de paciente ou de cliente, como em algumas outras abordagens psicoterápicas e outras áreas do conhecimento a concebem. Os motivos? Paciente remete a alguém doente que está (paciente) entregue aos cuidados de outrem, o que não ocorre em Filosofia Clínica, visto que aqui não utilizamos a nomenclatura de normalidade e patologia, saúde e doença. E cliente não se aplica por conter certa frieza e um ar meramente comercial. Trabalhamos com pessoas, com existências, então nada mais justo que denominar partilhante a pessoa que irá compartilhar os caminhos existenciais com o terapeuta, com o filósofo clínico.
            Então o partilhante chega ao consultório. Não necessariamente as sessões são entre quatro paredes. Alguns preferem fazer a terapia num café, ou num parque, ou numa praça, ou caminhando em alguma direção. São várias as possibilidades. Há o encontro entre partilhante e filósofo clínico, o que este fará? A princípio conversará informalmente com o partilhante, ouvirá o que o trouxe à clínica, explicará em termos gerais como se dá a terapêutica filosófica e falará como serão os encontros. É um exemplo didático, que nem sempre se dá nesta ordem.
            O assunto que a pessoa inicialmente trouxe à clínica pode não ter nada a ver com o que realmente será trabalhado na terapêutica. Pode ser apenas algo sintomático, uma queixa que resulta de alguma outra demanda. O assunto último, aquele que norteará o planejamento clínico é elucidado no decorrer da clínica. Às vezes é fácil identificá-lo, às vezes é muito trabalhoso para o clínico, dependendo do caso. 
             Então o filósofo clínico pedirá que o partilhante fale sobre sua história de vida, o que ele lembra desde os tempos mais remotos. Como história é o que de fato ocorreu e o relato disso não é mais história, sim uma interpretação do que foi vivenciado, a isso chamamos historicidade. Alguns elencam aspectos desde o início da vida, 2, 3 anos. Outros só passam a lembrar de episódios a partir de 5, 6 anos, da época da escola e assim conforme a singularidade de cada um. Alguns não conseguem retomar do início e o caminho é ir retrocedendo cada vez mais até chegar ao passado. É impressionante como cada pessoa possui uma estruturação única, singular, inigualável.
            O filósofo não direcionará a narrativa do partilhante, tampouco interromperá com questionamentos por hora inúteis. Agora o que se busca é ordenar a historicidade e o filósofo utilizará suas ferramentas para tanto. Não é à toa que a formação em Filosofia Clínica exige, em média, 3 a 4 anos para ser concluída, pois envolve clínicas didáticas e estágios supervisionados, tudo devidamente registrado e acompanhado pelo Instituto Packter, pelos Centros de Formação e pelo Conselho de Ética da ANFIC – Associação Nacional de Filósofos Clínicos.
            E se a pessoa não utiliza a fala como meio de expressar? Se ela fala dela mesma, de sua historicidade através da escrita, ou por desenhos, ou por esculturas? Cabe ao filósofo clínico trabalhar com a pessoa através do que é mais producente a ela. Ele tem habilidades para não deixar que isso seja um empecilho à clínica.
            O conteúdo da historicidade é o que preencherá os tópicos da EP, que o filósofo monta quando esgotada esta primeira etapa da clínica. Quanto tempo isso leva? Talvez semanas, ou meses, dependendo de como é a historicidade que se apresenta diante dele. Ao mesmo tempo que o filósofo está atento à forma como a pessoa está estruturada, como está a EP desse partilhante, ele verá como a pessoa costumeiramente resolveu seus problemas no decorrer da vida. Isso é de grande valia para o desenvolvimento da clínica.
            Agora que a o filósofo clínico já sabe o assunto último, aquele que precisa ser trabalhado e que a EP do partilhante já está montada, resta organizar o planejamento clínico e aplicar os procedimentos clínicos, também chamados de submodos, com o partilhante. São 32 procedimentos clínicos que podem ser utilizados individualmente ou mesclados, dependendo do objetivo clínico. Os submodos podem compor uma variedade enorme de possibilidades de aplicação, semelhante ao que ocorre com os 30 tópicos da EP.
            O filósofo saberá o que pode fazer e como fazer para ajudar a pessoa, pois a trajetória da clínica o permite a chegar a tais conclusões. Os choques estruturais que fizeram a pessoa procurar a terapia foram identificados e o filósofo trabalha com o partilhante novos caminhos para o exercício existencial.
            Vale ressaltar que a terapêutica em Filosofia Clínica parte da pessoa, ou seja, não é algo estabelecido aprioristicamente. Os rumos do trabalho se dão de acordo com o que está sendo visto no diálogo das singularidades. Como cada pessoa possui uma estruturação, é digno que a terapêutica dela seja aplicável a ela e de forma que não afronte seu modo de ser no mundo.
            Espero ter dado uma explanada de modo que tenha possibilitado o entendimento, ao menos em termos gerais, de como a Filosofia se tornou Clínica e de como se dá o processo terapêutico nessa abordagem. Como dito no início, não é em alguns parágrafos que se encerra uma explicação ou caracterização da Filosofia Clínica. Fica, então, o convite para buscar mais informações e conhecer mais sobre os temas aqui relacionados.
            Em www.filosofiaclinica.com.br é possível ler e baixar o livro Propedêutica, de Lúcio Packter e ter acesso a outros conteúdos. Lúcio possui outros títulos publicados, assim como Monica Aiub, Helio Strassburger, José Maurício de Carvalho, Marta Claus, Nichele Paulo e mais alguns filósofos clínicos e especialistas da área que apresentam a Filosofia Clínica em seus mais variados aspectos.
*Everton Augusto Corso, especialista em Filosofia Clínica,  Centro de Filosofia Clínica de Chapecó/SC.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rita Lee não é marginal, não (apesar da atitude rock´n´roll)

Lá vou eu para outro tema polêmico...

Após o último show da carreira de Rita Lee, que ocorreu nas proximidades de Aracaju, Sergipe, ela foi parar na delegacia. O motivo alegado é que ela teria xingado os policiais e utilizado palavras de baixo calão para tanto.
Bem, de cima do palco a cantora avistou policiais usando a força (ou literalmente descendo o cascetete) contra um grupo de seus fãs que supostamente estaria fumando maconha. A reação foi imediata e Rita Lee xingou mesmo os policiais.
Os fatos são estes. Já as interpretações dependem de vááários aspectos.

Em nosso país, legalmente falando, não é permitido o uso da maconha. Porque? Por que, segundo nossas leis, é uma substância entorpecente ilícita.
Da mesma forma, não é justificável o abuso da força por parte do Estado, no caso representado pelos policiais.
Até a própria cantora poderia ter contornado a situação com mais cautela, mas...

Antes de mais nada, quero deixar claro que não uso drogas. Consumo diariamente muito lixo advindo das mídias. Isso talvez seja mais prejudicial que um baseado, mas as mídias não são tratadas como ilícitas. 

Porque não se pode fumar maconha, mas se pode fumar cigarro (que tem milhares de substâncias prejudiciais à saúde) e beber cerveja, wiski e tudo o mais que tenha elevados teores álcoolicos? Talvez seja algo para ser pensado.

E porque há necessidade de omissão perante coisas julgadas como incorretas, abusivas, excessivas? Pelo que recordo, a liberdade de expressão está na constituição, não é???

Não quero entrar em delongas.
Exagero. Exagero dos policiais por utilizarem de força desproporcional, exagero da Rita Lee por usar palavrões pesados como fez e exagero dos que estão tentando fazer da rainha dor rock uma delinquente/criminosa.
Tem muitas coisas mais sérias para serem resolvidas nesse cabaré chamado Brasil.
E para quem servir o chapéu, aí vai:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Polêmicas do BBB

Não sou um aficcionado pelo Big Brother Brasil. Confesso que fui um espectador assíduo da primeira edição do programa, ainda no ano 2000. Quando tudo era novidade eu achava o negócio um tanto atrativo. Pois é, achava.
Acompanhar as formas de expressão de cada participante, observar seus comportamentos, jeitos, trejeitos e xiliques é, de certa forma, um exercício. Bem, essa observação nada tem a ver com julgar a pessoa que está lá. Pode parecer estranho para alguns, mas eu consigo entender o contexto, as circunstâncias do jogo sem incidir em préjulgamentos. Se bem que quem entra na casa já deve estar ciente que o público em geral julga mesmo; por um ou dois atos o público já sai dizendo quem é do bem e quem é do mal, quem é o mocinho e quem é o bandido, quem é a santinha e quem é a puta, e assim por diante.

Nos últimos dias tem muita coisa na internet, na TV, no rádio, nos jornais sobre um soposto estupro que teria acontecido depois da primeira festa do BBB 12. Já ouvi várias pessoas comentando sobre o assunto. Eu mesmo postei no meu Facebook "Mesmo que uma garota seja promíscua, use roupas curtas e rebole na minha cara, esteja bêbada ou drogada com o que quer que seja... ainda assim eu não tenho o direito de fazer algo com ela sem seu consentimento. Até para fazer "cagada" tem que ter ATITUDE e RESPONSABILIDADE. Se é homem/mulher para fazer, o mínimo que se espera é que o seja também para asssumir".
Não quis ser tendencioso com meu comentário. Pelo contrário, não atribuí responsabilidade pelo acontecido nem ao rapaz, nem à moça.   

O que realmente houve? Fora os julgamentos e acusações de todos os lados e de todos os tipos, sabe-se lá o que pode ter acontecido. Pelo que vi dos vídeos que encontrei na internet, percebi um movimento que parece, sim, ser de ato sexual. Não consegui distinguir se a garota estava desacordada ou não - aparece o braço dela imóvel sobre o edredon, mas isso não implica que esteja desacordada, pode estar apenas imóvel.
Se é que houve o ato sexual sem o consentimento da garota, o rapaz tem de ser penalizado, sim, pois isso caracteriza abuso. O termo estupro talvez esteja sendo algo forçado e forjado pela mídia sensacionalista.
O jogo de interesses, com acusações, defesas, troca de ofensas e tudo mais, apenas começou. A emissora detentora dos direitos do programa é que agradece. Enquanto a justiça tenta apurar o caso, as atenções continuam voltadas ao programa. Audiência, IBOPE, grana...

Tico Santa Cruz escreveu seu blog algo que merece nossa atenção:
"Vale a pena usar um caso de repercussão tão grande para fazermos uma AUTO-ANÁLISE sobre o que estamos fomentando, o que estamos consumindo, quem estamos exaltando, o que esperamos de nós mesmos, em quem podemos confiar, qual é  tipo de exemplos que estamos oferecendo, como educamos nossos filhos, o que podemos melhorar e qual será nosso grau máximo de Tolerância. No mínimo  SEGUIREMOS NA NAVE BRASIL com alguma lição diante de tantos acontecimentos.
Ou então, que possamos assumir de vez nossa esquizofrenia coletiva"
.

Que cada um pense o que quiser a respeito de todo esse circo.
Pensar às vezes é um bom incício para sair da inércia, para ver que há possibilidades para além do pensamento e do comportamento de manada. Talvez partindo de temas polêmicos fomentados pelos reality shows seja um bom começo...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Firme e forte!

O caminho é longo e com algumas bifurcações. Mesmo que você sofra influências biológicas/instintivas, psicológicas e sociais, a decisão de qual caminho percorrer ainda é sua.
Acaso seus pés estejam descalços, pisando em pedregulhos pontiagudos, não se esqueça de se fortificar com as cores e os cheiros das flores, os desenhos das nuvens e tudo mais que esteja ao redor.
Caminhe no seu ritmo. Respeite as singularidades e as diferenças que encontrares por aí.
Viva intensamente cada experiência, tanto as que já vem de tempos quanto as novas. Dê um pouco mais de si neste ano que se inicia. 
Mesmo que tenhas que retroceder alguns passos para garantir a firmeza dos que ainda virão, não se deixes abater. Siga firme e forte.
Que 2012 traga realizações para a existência de cada um.
Abraço de paz.  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sala de aula III

Já expus algumas de minhas opiniões em Sala de aula I e em Sala de aula II. Prossigo, então, com algumas considerações sobre a educação.

Miguel Arroyo publicou um livro chamado Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens (Petrópolis, RJ: Vozes, 2000), no qual aborda temas relevantes sobre o contexto educacional brasileiro. Ele faz uma retomada histórica dos caminhos que o processo de ensino-aprendizagem percorreram até estarem como hoje estão estabelecidos. Quando Arroyo fala em educar, ele se refere a educar para a vida, ou seja, uma educação que transcende as quatro paredes da sala de aula e os conteúdos a serem desenvolvidos no decorrer do ano letivo. É uma espécie de humanização, um rompimento com algumas noções tradicionais sobre o que se entende por educação.
O papel do professor, por esta lógica ou por esta ótica, seria, então, além de ensinar, educar. Porém, ao que me parece, muitos docentes estão se restringindo cada vez mais a ensinar. Claro que em muitas situações percebemos alguns professores incorporarem o papel existencial de mestres, conduzindo, além do ensino, a educação dos seus alunos, visto que a família de certa forma terceiriza esta tarefa para a escola. 
Para o autor, a escola deve ser um espaço para desenvolver as potencialidades dos alunos enquanto seres humanos, não um ambiente limitador que reproduza as opressões que a sociedade impõe aos mesmos. Em suas palavras, "A escola e nossa prática docente não tem que reproduzir necessariamente a sociedade injusta e discriminatória que aí está." (p. 64). Dar visibilidade aos alunos e tentar compreender sua forma de ser é uma tarefa indispensável neste processo. Não menos importante é romper com a visão que encara os alunos meramente como números. Há a necessidade de resgatar a humanidade e tratar as pessoas como pessoas, não como coisas.
Nesta perspectiva, a escola deve ser ambiente de diálogo, onde todos possam expressar seus anseios, suas dificuldades, mostrarem-se em suas singularidades. "No silêncio os alunos poderão aprender saberes fechados, competências úteis, mas não aprenderão a serem humanos. Não aprenderão o domínio das múltiplas linguagens e o talento para o diálogo, a capacidade de aprender os significados da cultura." (p. 165).
Vale ressaltar que o autor não crê em magia que vá fazer isso se tornar possível imediatamente. São os pequenos gestos e afazeres diários que irão mudar o cenário, tanto para os educadores quanto para os educandos. E ele deixa um recado: se o aluno não se motivar e não se interessar em saber, não há mestre que o faça aprender.
Fica a dica para a leitura da obra, que aborda muitos outros temas além desse recorte que fiz.

Abraço.