Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Mais 15 doses de Bukowski*


Bukowski publicou seu primeiro conto quando tinha 24 anos, em 1944. Aí deu uma pausa em suas produções por dez anos. Nesse intervalo de tempo viajou pela América, envolveu-se com várias mulheres e com a bebida. Esse ritmo culminou em uma hemorragia estomacal provocada pelo excesso de álcool. Essas experiências de autoconhecimento são a base da produção do escritor, que dedicou-se exclusivamente à tarefa da escrita a partir de seus 49 anos, após largar seu emprego nos correios.
Alguns críticos apontam para os gritantes aspectos do cotidiano abordados na poesia de Bukowski
Já havia postado aqui 15 doses de Bukowski e agora posto mais algumas das verdades desse homem, que, imagino, são também as verdades de tantas outras pessoas.




Garotas quietas e limpinhas de vestidos xadrez de algodão
"jamais apareça com uma puta, falo para meus
poucos amigos, eu ia me apaixonar por ela."

Borboletas
"acredito em fazer por merecer nosso caminho
mas também acredito em um presente
inesperado."

A gente precisa conversar
"É preciso ser homem para mostrar
seus sentimentos.
[...] vou arranjar para mim alguém que seja
real, alguém que converse comigo,
alguém que diga, 'olha, Paula, eu percebi
que estamos tendo alguns problemas e talvez
se nós falássemos sobre eles, poderíamos entender um ao outro melhor
e fazer as coisas funcionarem.'
[...] e o que você sabe sobre o amor?
é uma palavra suja para você! amor. você nem mesmo sabe o que é ´gostar'!
você não gosta do seu país, você não gosta de cinema, você
não gosta de dançar, você não gosta de dirigir na estrada, 
você não gosta de crianças, você não olha para as pessoas."

Corcunda
"eu fui amado por muitas mulheres,
e para uma vida corcunda,
isso é uma sorte.
[...]fui tratado melhor que deveria
ser -
não pela vida em geral
nem pelo mecanismo das coisas
mas pelas mulheres."

Eles, todos eles, sabem
"uma esposa rosnando no portão é mais
do que qualquer homem pode suportar."

Os substitutos
"agora nossos escritores 
discursam em universidades
de terno e gravata,
os aluninhos atentos e sóbrios,
as aluninhas de olhos vidrados
olhando
admiradas,
a grama tão verde, os livros tão chatos,
a vida tão morrendo de 
sede."

Assim que os poemas vão
"os melhores escritores disseram bem
pouco
e os piores,
demais."

Como ser um grande escritor
"você tem mais é que comer muitas mulheres
mulheres bonitas
e escrever uns poemas de amor decentes.
[...] não faça muito exercício.
durma até o meio-dia.
evite cartões de crédito
ou pagar qualquer coisa no 
dia.
[...] e se você tiver a capacidade de amar
primeiro ame a si mesmo
mas sempre tenha em mente a possibilidade de
derrota total
ainda que a razão dessa derrota
pareça certa ou errada - 
um gostinho de morte cedo não é necessariamente
uma coisa ruim.

Agora, se você estivesse lecionando escrita
criativa, ele perguntou, o que diria a eles?
"eu diria a eles para terem um caso de amor
infeliz, hemorroidas, dentes cariados
e para beberem vinho barato.
[...] jamais se considerem superiores e/
ou imparciais
e jamais tentem ser.
tenham outro caso de amo infeliz.
[...] jamais tentem fazer sucesso.
[...] aí depois de tudo isso
invertam o procedimento.
tenham um bom caso de amor.
e o que
vocês podem aprender 
é que ninguém sabe nada -
[...] e se vocês algum dia me pegarem 
lecionando escrita criativa
e lerem isso de volta para mim
eu darei um 10 direto
para você enfiarem naquele lugar."

Splash
"isto não é a porra 
de um poema.
isto é um cavalo adormecido.
uma borboleta em
seu cérebro.
isto é um circo
do diabo.
você não está lendo isto
numa página.
a página é que está lendo
você.
[...] estas palavras te arrastam 
para uma nova
loucura.
você foi abençoado,
você foi atirado 
num
lugar que cega
de tanta luz."

Os mais fortes dos estranhos
"você não vai vê-los direito
pois onde a multidão estiver
eles não estarão.
estes esquisitos, não
são muitos
mas deles 
vêm
os poucos
bons quadros
as poucas
boas sinfonias
os poucos
bons livros
e outras
obras.
e dos
melhores destes
estranhos
talvez 
nada"

Ressacas
"já tive provavelmente mais delas
do que qualquer outro ser vivo
e elas não me mataram
ainda
embora algumas manhãs parecessem
bem próximas
da morte.
[...] é preciso uma resistência inacreditável para
ser alguém que beba por várias
décadas.
[...] escrevo isto agora
sob os efeitos de uma das minhas
piores ressacas."

Assalto
"já fui um cara contente por estar só.
agora fui violado,
tudo tem seus limites.

A crise
"há uma solidão tão grande nesse mundo
que você pode vê-la no lento movimento dos
ponteiros do relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto por amar como por não amar.
[...] nosso sistema educacional diz
que todos podemos ser 
grandes vencedores.
ele não fala nada 
sobre os miseráveis
ou os suicidas.
ou do pavor de uma pessoa
sentindo dor num lugar
sozinha
intocada
incomunicável.
[...] as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem 
nossas mortes não seriam tão tristes.
[...] com certeza deve haver um jeito que ainda não
pensamos."

Ao acender um charuto
"[...] e quando o amor veio a nós pela segunda vez
e mentiu para nós pela segunda vez
decidimos nunca mais amar novamente
isso era justo
justo com a gente
e justo com o amor mesmo."

* trechos extraídos do livro Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, 2ª edição, 7 letras, 2012 


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