Originalidade?

Desconfio muito do mundo virtual, pois, infelizmente, muitas pessoas tomam para si escritos de outras pessoas. Isso é plágio, passível de penalidade. Uma "referênciazinha" nunca é demais.
Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Me alimento de vivências e idéias de outras nobres almas...
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolvere isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Polêmicas do BBB

Não sou um aficcionado pelo Big Brother Brasil. Confesso que fui um espectador assíduo da primeira edição do programa, ainda no ano 2000. Quando tudo era novidade eu achava o negócio um tanto atrativo. Pois é, achava.
Acompanhar as formas de expressão de cada participante, observar seus comportamentos, jeitos, trejeitos e xiliques é, de certa forma, um exercício. Bem, essa observação nada tem a ver com julgar a pessoa que está lá. Pode parecer estranho para alguns, mas eu consigo entender o contexto, as circunstâncias do jogo sem incidir em préjulgamentos. Se bem que quem entra na casa já deve estar ciente que o público em geral julga mesmo; por um ou dois atos o público já sai dizendo quem é do bem e quem é do mal, quem é o mocinho e quem é o bandido, quem é a santinha e quem é a puta, e assim por diante.

Nos últimos dias tem muita coisa na internet, na TV, no rádio, nos jornais sobre um soposto estupro que teria acontecido depois da primeira festa do BBB 12. Já ouvi várias pessoas comentando sobre o assunto. Eu mesmo postei no meu Facebook "Mesmo que uma garota seja promíscua, use roupas curtas e rebole na minha cara, esteja bêbada ou drogada com o que quer que seja... ainda assim eu não tenho o direito de fazer algo com ela sem seu consentimento. Até para fazer "cagada" tem que ter ATITUDE e RESPONSABILIDADE. Se é homem/mulher para fazer, o mínimo que se espera é que o seja também para asssumir".
Não quis ser tendencioso com meu comentário. Pelo contrário, não atribuí responsabilidade pelo acontecido nem ao rapaz, nem à moça.   

O que realmente houve? Fora os julgamentos e acusações de todos os lados e de todos os tipos, sabe-se lá o que pode ter acontecido. Pelo que vi dos vídeos que encontrei na internet, percebi um movimento que parece, sim, ser de ato sexual. Não consegui distinguir se a garota estava desacordada ou não - aparece o braço dela imóvel sobre o edredon, mas isso não implica que esteja desacordada, pode estar apenas imóvel.
Se é que houve o ato sexual sem o consentimento da garota, o rapaz tem de ser penalizado, sim, pois isso caracteriza abuso. O termo estupro talvez esteja sendo algo forçado e forjado pela mídia sensacionalista.
O jogo de interesses, com acusações, defesas, troca de ofensas e tudo mais, apenas começou. A emissora detentora dos direitos do programa é que agradece. Enquanto a justiça tenta apurar o caso, as atenções continuam voltadas ao programa. Audiência, IBOPE, grana...

Tico Santa Cruz escreveu seu blog algo que merece nossa atenção:
"Vale a pena usar um caso de repercussão tão grande para fazermos uma AUTO-ANÁLISE sobre o que estamos fomentando, o que estamos consumindo, quem estamos exaltando, o que esperamos de nós mesmos, em quem podemos confiar, qual é  tipo de exemplos que estamos oferecendo, como educamos nossos filhos, o que podemos melhorar e qual será nosso grau máximo de Tolerância. No mínimo  SEGUIREMOS NA NAVE BRASIL com alguma lição diante de tantos acontecimentos.
Ou então, que possamos assumir de vez nossa esquizofrenia coletiva"
.

Que cada um pense o que quiser a respeito de todo esse circo.
Pensar às vezes é um bom incício para sair da inércia, para ver que há possibilidades para além do pensamento e do comportamento de manada. Talvez partindo de temas polêmicos fomentados pelos reality shows seja um bom começo...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Firme e forte!

O caminho é longo e com algumas bifurcações. Mesmo que você sofra influências biológicas/instintivas, psicológicas e sociais, a decisão de qual caminho percorrer ainda é sua.
Acaso seus pés estejam descalços, pisando em pedregulhos pontiagudos, não se esqueça de se fortificar com as cores e os cheiros das flores, os desenhos das nuvens e tudo mais que esteja ao redor.
Caminhe no seu ritmo. Respeite as singularidades e as diferenças que encontrares por aí.
Viva intensamente cada experiência, tanto as que já vem de tempos quanto as novas. Dê um pouco mais de si neste ano que se inicia. 
Mesmo que tenhas que retroceder alguns passos para garantir a firmeza dos que ainda virão, não se deixes abater. Siga firme e forte.
Que 2012 traga realizações para a existência de cada um.
Abraço de paz.  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sala de aula III

Já expus algumas de minhas opiniões em Sala de aula I e em Sala de aula II. Prossigo, então, com algumas considerações sobre a educação.

Miguel Arroyo publicou um livro chamado Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens (Petrópolis, RJ: Vozes, 2000), no qual aborda temas relevantes sobre o contexto educacional brasileiro. Ele faz uma retomada histórica dos caminhos que o processo de ensino-aprendizagem percorreram até estarem como hoje estão estabelecidos. Quando Arroyo fala em educar, ele se refere a educar para a vida, ou seja, uma educação que transcende as quatro paredes da sala de aula e os conteúdos a serem desenvolvidos no decorrer do ano letivo. É uma espécie de humanização, um rompimento com algumas noções tradicionais sobre o que se entende por educação.
O papel do professor, por esta lógica ou por esta ótica, seria, então, além de ensinar, educar. Porém, ao que me parece, muitos docentes estão se restringindo cada vez mais a ensinar. Claro que em muitas situações percebemos alguns professores incorporarem o papel existencial de mestres, conduzindo, além do ensino, a educação dos seus alunos, visto que a família de certa forma terceiriza esta tarefa para a escola. 
Para o autor, a escola deve ser um espaço para desenvolver as potencialidades dos alunos enquanto seres humanos, não um ambiente limitador que reproduza as opressões que a sociedade impõe aos mesmos. Em suas palavras, "A escola e nossa prática docente não tem que reproduzir necessariamente a sociedade injusta e discriminatória que aí está." (p. 64). Dar visibilidade aos alunos e tentar compreender sua forma de ser é uma tarefa indispensável neste processo. Não menos importante é romper com a visão que encara os alunos meramente como números. Há a necessidade de resgatar a humanidade e tratar as pessoas como pessoas, não como coisas.
Nesta perspectiva, a escola deve ser ambiente de diálogo, onde todos possam expressar seus anseios, suas dificuldades, mostrarem-se em suas singularidades. "No silêncio os alunos poderão aprender saberes fechados, competências úteis, mas não aprenderão a serem humanos. Não aprenderão o domínio das múltiplas linguagens e o talento para o diálogo, a capacidade de aprender os significados da cultura." (p. 165).
Vale ressaltar que o autor não crê em magia que vá fazer isso se tornar possível imediatamente. São os pequenos gestos e afazeres diários que irão mudar o cenário, tanto para os educadores quanto para os educandos. E ele deixa um recado: se o aluno não se motivar e não se interessar em saber, não há mestre que o faça aprender.
Fica a dica para a leitura da obra, que aborda muitos outros temas além desse recorte que fiz.

Abraço. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dos mecanismos de defesa

Estava eu dando uma olhada nos meus materias e encontrei esse resumo sobre mecanismos de defesa.
Não lembro de onde resumi isso.
De qualquer forma, se for útil para alguém...
Correções, ajustes, dicas, etc e tal podem ser compartilhadas por comentários aqui o no e-mail.

As defesas são tentativas do Ego inconsciente em manter o aparelho psíquico “equilibrado”, por assim dizer. Elas se dão quando surgem os conflitos psíquicos, ou seja, quando o Ego busca mediar ou impedir que a energia do Id, a energia instintual que visa o prazer, seja descarregada, pois o Superego, as convenções culturais aprendidas, choca-se ou impossibilita tal descarga.

Quando o mundo exterior adquire as características de uma instância, de Superego (na segunda tópica freudiana), passa a contribuir tanto para a formação do Ego quanto para as defesas. Em algumas situações o Ego rejeita essa realidade externa como uma forma de manter o equilíbrio do aparelho. A rejeição total do mundo exterior, por outro lado, como Freud já mencionava, abre margem para que se obedeça somente os instintos, o Id, e isso seria/é a essência da psicose. Como que numa função de balança, o Ego efetiva defesas para que o aparelho psíquico mantenha um equilíbrio.
O sentimento de culpa se dá, então, quando o Ego, obedecendo uma exigência do Id, do instintos, vê as possibilidades de execução dessa descarga impossibilitada, devido às oposições de elementos externos, culturais, do Superego. Em todos os conflitos, portanto, existem os sentimentos de culpa, visto que nos conflitos há a um “desejo” do Id, interno, instintual, um “contradesejo” do Superego, externo, e o ponto onde se dá esse conflito, o Ego.
O Ego é “aculturado”, pois se depara com as normas estabelecidas, que formam o Superego, e esse movimento fica registrado no aparelho psíquico como formas de refrear, suprimir ou adiar a conduta instintiva o Id. A culpa, então, é uma forma de ansiedade, visto que ela surge da tensão entre Ego e Superego. A angústia que resulta daí é determinante na formação e ativação da defesa.
“Uma pessoa não adoece por possuir defesas e sim pela sua ineficácia ou pelo mau uso que faz delas.”
Os mecanismos de defesa têm uma função de manter o equilíbrio do sistema, homeostase, e são desencadeados automaticamente e inconscientemente quando o sujeito depara-se com algo que lhe representa perigo ou traga a possibilidade de desprazer.
O primeiro grande mecanismo de defesa investigado por Freud foi a repressão (recalque), que consiste em um esforço do aparelho psíquico para manter alguma representação no inconsciente, pois a entrada de tais conteúdos na consciência poderia desencadear desprazer. Desta forma, o que efetivamente vêm à consciência são derivados daquelas representações originais que já não provocam mais perigo. Dizemos, então, que o recalque o sistema consciente e o mundo exterior do inconsciente.
As resistências dos pacientes, quando nas livres associações dos atendimentos clínicos o mesmo silencia, hesita, recusa, indica que o trabalho associativo aproxima-se com perigo da representação original.
O recalque tornar-se-á patológico devido a um defeito ou excesso quantitativo. Cabe ressaltar que os modos de utilização deste mecanismo dependem da pessoa e da problemática em questão.
Em psicanálise, o sujeito é governado por seus instintos. Freud já assinalava que existem núcleos psíquicos independentes, o que vem corroborar com idéia de divisão, cisão. A cisão do Ego, enquanto mecanismo de defesa, sugere que esta é uma forma de resolução de um conflito, não fonte deste, na qual há uma separação de duas partes para evitar um conflito.
Projeção = atribuir a objetos externos propriedades ou características que o sujeito desconhece em si mesmo.
Deslocamento = consiste em transferir características de um objeto para outros que tenham algum elemento em comum ou próximo. Este processo permite a manutenção de vinculo com o objeto primeiro, o que se observa em casos de fobia.
Regressão parcial = se dá quando a pessoa não consegue resolver algum conflito e regride a uma fase anterior (à qual se fixou) na qual a problemática se resolveria (o que trás consigo representação infantis e/ou da fase a que se regrediu).
Introjeção = quando o sujeito toma para si, assimila atributos ou qualidades de algo exterior.
Isolamento = evita-se a contaminação com objeto perigoso.
Inibição = decréscimo ou inexistência de alguma função do Ego.
Formação reativa = reação que consiste na realização do oposto do que o inconsciente quer rejeitar.
Sublimação = adaptação das pulsões do Id que, em harmonia com o Superego, se satisfazem em prol do aparelho psíquico e das normais sócias (não me ficou muito claro).
Negação = usando a partícula NÃO a pessoa nega algo que foi admitido pela consciência.
Identificação projetiva = “o sujeito se introduz, parcial ou totalmente, no interior do objeto, com a finalidade de controlá-lo, possuí-lo e ferí-lo”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Só em dezembro?

Dezembro me parece ser o mês do remorso, da consciência pesada, do arrependimento.

É incrível como tem gente que passou o ano todo dando calote, enganando, mentindo, fingindo, passando a perna, puxando o tapete ou jogando a sujeira para baixo dele e chega nesta época do ano com ar de bom samaritanto, de santinho e até mesmo de coitado. Se bobear, tais pessoas te convencem da existência do Papai Noel.

Tudo bem, eu sei que é uma época de reflexão, etc e tal.
Pois então, que cada um pare um pouco e pense que não é somente quando se aproxima final de ano que o outro merece ser compreendido e respeitado.

Na real, eita épocazinha de hipocrisia e falsidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Indignado? Ah vá!

Bem, como diz o Mc Guri, do Pretinho Básico (programa de entretenimento da Rádio Atlântida)  "tá ruim pra todo mundo." 
Pois bem, vamos como o Jack, o Estripador: por partes.

As leis existem ou são criadas para? Muitas respostas são possíveis para esta indagação. Podem servir para que a nação prospere, se desenvolva, cresça e apareça, para beneficiar alguém ou alguma classe, para promoção política ou tantos outros interesses.

Aos fatos. O Sr. Tarso Genro,quando Ministro da Educação no Governo Lula, foi um dos idealizadores da Lei 11.738, de 16 de julho de 2008, que versa sobre a regulamentação do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Trocando em miúdos, foi estabelecido que o professor deveria receber um valor em R$ por sua jornada de trabalho. O Sr. Lula saiu da presidência e entrou a Sra. Dilma e nada do tal piso chegar ao bolso do professor.  

Agora Governador do Estado do Rio Grande do Sul, o Sr. Tarso reluta em repassar aos professores o que por direito lhes foi concedido pela Lei por ele assinada em 2008. A Governadora anterior, Sra. Yeda havia entrado com uma ADIN, Ação Direta de Inconstitucionalidade, junto ao Superior Tribunal Federal. O STF deu parecer favorável à constitucionalidade da Lei. Não satisfeito com a derrota, a Procuradoria Geral do Estado pediu prazo de 18 meses para implantar o pagamento, o que estende o prazo até meados de outubro de 2012.
O Governador afirma que irá pagar o piso aos professores ainda em sua gestão, porém não há nenhum indicativo de quando, de quanto por cento em tal ou qual época. Isso desencadeou um grande descontentamento por parte dos professores e movimentações por parte do CEPERS, sindicato representante da categoria.

Na última sexta-feira, 18, houve Assembléia Geral do sindicato, em Porto Alegre. Todos os núcleos do CEPERS estavam reunidos e na pauta o assunto mais discutido, sem dúvida alguma, foi a implantação do piso nacional. Na Assembléia o CEPERS optou pela parada dos profissionais da educação, ou seja, GREVE até que haja um posicionamento mais claro do Governo.
Os dados divulgados na mídia não são conclusivos e não se sabe ao certo a porcentagem de escolas e professores que aderiram a greve. Há claramente um entrave político entre sindicalistas e militantes do Governo. Nem sempre é possível identificar quem faz parte do que; como diz o ditado, "aí tem lobos em peles de cordeiros."

É sabido que uma greve agora prejudica as férias tanto dos alunos quanto dos professores. Claro que os vestibulandos e ingressos em universidades serão lesados. Isso tudo foi pensado pelo sindicato e a greve nesta época é proposital para ver se o Governo se agiliza; é uma forma a mais para pressionar e lutar pelos direitos que a Lei adjudicou a favor dos professores. 

A explicação mais utilizada na mídia é com as cifras (R$). Dizem que o Estado não tem como investir um montante em dinheiro no pagamento do piso, ao menos integral e imediatamente. O que os professores cobram, volto a dizer, é um posicionamento mais firme, não apenas a postergação desse direito.

A minha opinião sobre tudo isso? Alguns podem dizer que ela de nada importa, mas tudo bem. 
A greve é oportuna para que a pressão seja feita. Muitos outros profissionais de outras categorias param, fazem greve, lutam pelos seus direitos. Mas nenhuma deles é tão atacada quanto os professores.
Não me agrada e não me convence o argumento de que o Estado está quebrado e não tem dinheiro para esse investimento. Quando os Deputados Estaduais do Rio Grande do Sul aumentaram em 70% seus salários para o início deste ano, nem a mídia e nem o Governo chiaram. Quer dizer, para uns tem, paro outros não. Ou melhor, só tem para quem já tem; para quem tem pouco, que continue com este pouco.
Ressalto que a greve não está estabelecida somente pela questão do salário defasado. Quem vivencia o ambiente escolar, sabe que a educação está sofrida. A luta é por melhores condições de trabalho e, o mais importante, por RECONHECIMENTO.

Peço que olhem para a educação com olhos mais apurados, poooor favor.
Como está não dá pra ficar.

E para finalizar, deixo uma citação do revolucionário Bakunin.
"Só desejo uma coisa: conservar até o fim dos meus dias com toda integridade, o dom, para mim sagrado, da indignação!
A forte atração pelo fantástico é um defeito capital de meu ser, a tranquilidade me aborrece."

Encontre sua paz.
E que ela não esteja no comodismo ou na alienação.

Abraçoo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que você vê e ouve pode não ser bem o que ocorreu

Em tempos de grande intervenção do governo sobre a liberdade individual dos cidadãos, ficar atentos à manipualção midiática é indispensável.
O trecho abaixo pode ajudar a clarear o que quero dizer com isso:

"As forças propulsoras por trás do jornalismo, visando basicamente à maior audiência, levam a uma deturpação condenável da cobertura dos fatos. [...]
Indevidamente utilizada, a mídia pode se transformar numa máquina de lavagem cerebral, cuja distorção dos fatos consegue chegar ao absurdo de total inversão de causalidade. Em um mundo ansioso por explicações rápidas e simples, e sempre em busca de culpados claros, fruto de uma visão maniqueísta, a mídia adquire um poder estrondoso.
Imaginar uma mídia responsável e imparcial, que cumpre seu fundamental papel em uma sociedade aberta, parece apenas um sonho distante."

CONSTANTINO, Rodrigo. Prisioneiros da Liberdade, Belo Horizonte: Soler Editora, 2004

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quanto vale a vida?

"Quem souber, fale em alto e bom som!"

No caso que cito abaixo, uma vida custa R$ 3.000,00.
Absurdo!

Um imprudente que atropela e mata duas pessoas, bate em uma mureta de proteção da rua e derruba um poste de iluminação pública não estava trafegando a 40km/h. Ou seja, essa criatura estava acima do limite da velocidade permitida. E o agravante é que ele estava embriagado, bêbado. Após ceifar duas vidas e causar prejuízos ao patrimônio público, o delinquente foi levado à delegacia e solto na mesma noite após pagar multa de R$ 6.000,00. Agora ele vai responder por homicídio e não sei mais o que em liberdade. Sabe o que vai acontecer? Nada. Não vai acontecer nada porque esse assassino em potencial tem grana e a justiça brasileira, infelizmente, não tem atuado coerentemente com quem tem uma boa conta bancária.
Triste realidade.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Recriação de sentidos

Bem, não vou me estender na introdução. Vou apenas citar e deixar que cada um reflita a respeito do que explicitou Miguel Spinelli em sua obra Helenização e Recriação de Sentidos: A Filosofia na Época da Expansão do Cristianismo - Séculos II, III e IV - Porto Alegre: EDIPUCS, 2002. A questão das passagens é sobre a divindade de Jesus:

"A divindade de Jesus é a questão fundamental não só do Evangelho de São João, como de todos os Evangelhos. Ela é um dogma inquestionável para o cristão, e se constitui no princípio essencial da sua fé, que, por sua vez, é a garantia de seu testemunho. A convicção qualifica o testemunho, mas ele sozinho, e por mais confiável que seja, não basta. A ciência exige provas. Tanto o testemunho, em geral, quanto um testemunho, em particular, são sempre carentes de crédito: são provas fracas." (p. 111).

"Mas será mesmo que teria sido? Não é no 'sermão da montanha' (Mateus, 5, 1-10), que se encontra a síntese da doutrina cristã, ou melhor, de Jesus? Jesus não buscou discípulos entre simples pecadores, se fez amigo do povo, dos marginais (ele mesmo um deles) e das prostitutas? Jesus não é alguém que transgrediu a lei, a tradição e o poder religioso estabelecido, e que, inclusive, delatou a hipocrisia dos 'escribas' (dos doutores da lei)? Ele também não expulsou do tempo os vendilhões, os mercenários da fé (Marcos, 11, 15)? Ora, se ele fez isso, como será que ele procederia hoje ao saber que o seu nome, e a sua figura, se tornaram uma marca economicamente mais rentável do que qualquer outro produto do mundo capitalista? Como agiria com os fariseus e com os mercenários de hoje? Alguns são supostamente carismáticos, outros sob o rótulo de uma igreja, em benefício da graça ou em nome do reino de deus, exploram legiões de indivíduos de boa vontade, sobretudo os que estão acuados pela pobreza, fragilizados pela doença, pela dor e pela carência?! Ora, será que Eunomos não tinha razão? Ou seja, será que valeu e está valendo a pena, que foi e é correto, fazer tudo o que se fez, e que se está fazendo, em nome da divindade de Jesus e em nome da fé? Enfim, não vamos bater palmas só para a razão, e incorrer nos mesmos erros. Mas também não vamos imbecilizar o nosso povo em nome da autoridade e dos poderes do Senhor Jesus, e ainda (enquanto o povo ergue as mãos) encher os nossos cofres, e mais: distribuir uma parte do dízimo em nome da caridade e da benevolência, e assim justificar e legitimar o restante que fica em nossos bolsos!" (p. 253).

P.S.: A pretensão não é impor uma visão de mundo, tampouco influenciar naquilo que meus poucos leitores acreditam ou deixam de acreditar. Um dos objetivos do blog é instigar a reflexão. Cada pessoa sabe o que absorver e o que descartar do que é publicado aqui.

Saúde e força.

Abraço.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

a vida é movimento

Algumas pessoas tem o dom de reclamar de tudo e de todos. Parece que o mundo conspira contra elas. Cinco minutos perto de quem é assim já bastam para te deixar pra baixo. Não me considero uma pessoa dessas. Comigo se passa diferente, é como se o anjinho do lado direito do ombro converssasse com o diabinho do lado oposto. =)

Ultimamente tenho feito essas criaturinhas imaginárias entrarem em conflito. Melhor elas do que infectar o ambiente e as pessoas que convivem comigo.

Bem... eu curto as estações do ano, cada qual com sua peculiaridade. Afinal, não tem como lutar contra a natureza. Ou adapta ou já era. Tio Darwin já comentou isso em outra época, em outro lugar e com outras palavras. Mas confesso que os extremos, "um calor do cão ou um frio de rachar" (como canta Humberto Gessinger em Sem você (é foda)) me deixam um pouco desnorteado. Quando faz muito frio eu tento apressar o mundo e fazer com que chegue logo o verão, o calor. Só que quando vem o calorão eu não sei se quero adiantar as coisas para que chegue o inverno ou se quero retroceder as coisas para que o frio volte.

No inverno ao menos eu durmo um pouco melhor. No verão eu não sei se estou dormindo ou se estou acordado, levanto tomar água, brigo com os mosquitos, sonho coisas de tudo quanto é gênero, dou murro nos travesseiros por não conseguir descansar melhor e por aí vai.

Por isso e por outros motivos, como por exemplo poder dormir de conchinha - algo possível só daqui a alguns meses, é que me inclino a afirmar que o inverno não é tão o inferno quanto eu pensava ser enquanto era inverno.
Provavelmente quando for época de frio eu vou chorar as pitangas querendo que chegue logo o verão.

E você, que teve paciência de ler até aqui, deve estar se perguntando "e eu com isso?". Bem, você pode refletir sobre as mudanças que ocorrem a cada instante. "O tempo muda a gente o tempo inteiro", canta Tico Santa Cruz com os Detonautas em Nada é sempre igual.

Movimento. A vida se re-faz a cada momento. E o mesmo pode fazer você.


Gostou?
Bate aqui o/ 
=) 


  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

15 anos sem Renato Russo

Hoje, 11 de outubro de 2011, faz 15 anos que nos despedimos de um dos maiores cantores e compositores da humanidade, Renato Russo. 
Para os amantes da música, Saudade com S maiúsculo. Ou então SAUDADE, em caixa alta. Pode-se negritar, sublinhar , colocar entre aspas e tudo mais.
O tempo passa e ninguém se aproxima do posto de maior letrista que já tivemos. Atrevo-me a dizer que minha geração continuará com esse vazio, pois a maioria das coisas que faz sucesso hoje é oca; sem contar que em muitos casos não é a pessoa que gosta ou deixa de gostar de algo, é a mídia e o que está na modinha do momento que ditam isso. Tem algo aqui (blog do Regis Tadeu) que expressa algumas coisas do que penso e sinto a respeito.
Viva Renato Russo, viva Legião Urbana. E que suas canções continuem fazendo bem aos nossos ouvidos e alimentando nossos corações.
Era isso...

Em tempo:

No post que fiz sobre o Rock in Rio, que está logo ali embaixo, deixei minhas impressões sobre os shows que vi. Detonautas fica no primeiro da lista pelo conjunto da obra, como escrevi lá. Os demais que fazem parte do meu top five tem os motivos para tanto. Nota: os motivos são meus e, portanto, não tenho que achar bom o que os outros julgam ser bom. Além dos cinco citados, gostei do Jota Quest e do Skank, apesar de serem bandas embaladas por gravadoras que influenciam no que toca nas rádios e no que passa na tv. 
Se dependesse de mim, tem muitas coisas, muitas pessoas, muitas bandas que sequer pisariam nos palcos da Cidade do Rock. Mas não dá para esquecermos que o evento é comercial, ou seja, precisa de grana para acontecer. Só isso já dá para deduzir muita coisa... 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

o que é?

O ritmo do mundo anda muito acelerado
ou eu é que estou lento demais?
É a proximidade do meu primeiro retorno de Saturno?
É o que chamam de crise da meia-idade?
Seja lá o que for, avante!
Levo tudo do meu jeito.
=)

trauma de ir ao dentista

Várias pessoas manifestam horror ao barulinho chato do aparelho do dentista. Aquele dzzzzzzzzz é quase insuportável. Até mesmo os próprios dentistas devem odiar aquilo em seus ouvidos. Mas para quem vai ao dentista, o barulho é o de menos...
Encontrei uma explicação para um grande número de pessoas ter repulsa à cadeira do dentista. Não lembro onde li isso, provavelmente em algum livro que falava sobre condicionamento clássico, estímulo não condicionado, estímulo condicionado, resposta não condicionada, resposta condicionada, etc e tal.
A ida ao dentista ocorre quando se é criança (ao menos é recomendável ir desde essa fase). Existem dois fatores que podem influenciar e/ou ser condicionantes para que o medo e a ansiedade acompanhem a pessoa por toda a vida quando da ida ao Sr. Dentista:
1) Ou ele alerta que pode doer (e de fato um incômodo será sentido);
2) Ou ele diz que não vai doer nada (o que não se confirma e dói pra dedéu).
Seja qual for a atitude do Sr. Dentista, a criança internalizará isso de tal forma que cada ida ao consultório seja um calvário. Para alguns os arrepios começam no mesmo momento em que a consulta foi marcada, para outros no caminho do consultório, para outros na sala de espera... E tem também os que tiveram sorte (de ter os dentes bem cuidados, de terem encontrado um bom profissional, de não terem sentido dor) e não veem problema algum em fazer as visitas regularmente.
=)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O que ficou do Rock in Rio 2011

Não, eu não estive no Rio de Janeiro. Assisti pela telinha. E o que ficou?
Vamos lá!
Vi alguns trechos de algumas das atrações do Palco Sunset. Sepultura e Angra, mesmo fora dos holofotes principais, agitaram o povo com o som nosso de cada dia que toca mais no exterior que aqui. Mesmo não sendo as melhores apresentações destas bandas, foi massa ver que o Brasil representa bem no metal.
Do Palco Mundo, na sexta, 23, me atrevi a ver Katy Perry. E Gostei. Tem algumas músicas dela que colam na cabeça da gente. No sábado, 24, só vi Red Hot Chili Peppers. E valeu a noite. Queria ter visto Capital Inicial, mas vou no show dos caras no dia 29. Claro que não é Rock in Rio, mas é Capital Inicial. No domingo, 25, Motörhead, Slipknot e Metallica e sugaram a energia do público que estava nos shows e de quem estava em casa também. Show de bola. 
Na semana seguinte eu respirei Rock in Rio. Não sei se ficava mais eufórico com os shows que havia visto ou ansioso pelos que estavam por vir.
Na quinta, 29, só vi um pedacinho do Jamiroquai. O sono bateu e me entreguei facinho. Tinha que me poupar para o que ainda tinha pela frente. E acertei em cheio ao fazer isso. Sexta, 30, vi Jota Quest, um pedaço do Lenny Kravitz e um pedaço do da Shakira. Este último tinha um som ruim na tv. Mas no geral, a noite pop (tá, eu sei que Kravitz é mais rock que pop, mas deixa quieto) foi bacana também. No sábado, 01, fiz plantão e fiquei ligado nos shows. Só deixei de lado o do Maroon 5. Frejat, Skank, Maná e Coldplay me surpreenderam. Este último foi muito bom. Gostei mesmo. Talvez por ser a primeira vez que vi eles no palco, apesar de gostar das músicas da banda. No domingo, 02, passei o dia todo transpirando mais, ansioso mais que o normal, agitado. Esperei muito tempo pra ver os Detonautas. E foi SHOW. A banda é uma das minhas preferidas e botou o público pra detonar, literalmente. Na minha opinião, e mesmo com a qualidade dos shows gringos, Detonautas foi o melhor show do Rock in Rio. Melhor pelo conjunto da obra. Pelo som, pelo set list, pela desenvoltura da banda no palco, por ter um vocalista ousado, etc e tal. Tico Santa Cruz e sua trupe mandaram bem e invejaram muita banda que veio para cá de salto alto. Depois desse mega show, fui no embalo. Pitty, System of a Down e Evanescence foram panos de fundo da última noite da edição 2011 deste que é um dos maiores eventos de música do mundo (se não o maior). E o Guns? Para mim, há muito tempo Guns deixou de ser Guns. Muita badalação e pouca apresentação. Longa na duração, mas pouco empolgante. Peguei no sono no começo.
De tudo e de todos, meu top five ficou assim:
1º Detonautas
2º System of a Down
3º Coldplay
4º Slipknot
5º Maná
Esperemos o próximo Rock in Rio, suas polêmicas, seus erros, seus acertos e tudo o que faz este festival ser o centro das atenções vez em quando.
Viva a música!
=)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

como me tornei incompetente

Dias atrás ocorreu um problema no meu local de trabalho. Eu nem sabia o que tinha acontecido. Atendi ao telefone e ouvi uma enxurrada de reclamações que, aos poucos, viraram xingamentos exacerbados. Para finalizar a ligação, a pessoa deselegante me chamou de incompetente e desligou o telefone na minha cara.
Ah, mas virei no bicho. Não sei se por ser chamado de incompetente ou por não ter tido tempo de me explicar. Comentei com o pessoal que eu queria passar essa história a limpo. Mal podia esperar pela hora de estar cara-a-cara com quem se saiu atravessado assim comigo.
Parênteses: vindo de quem veio, eu poderia ter respirado fundo e ignorado os fatos. Mas meu ego se inflou de um jeito que eu não esperava. Ora, eu não sou incompetente! (ou não era até então)
Pois bem. Resolvi a situação olhando na cara da tal pessoa e argumentando com ela. Pensa que o fulano olhou nos meu olhos? Nem pra isso ele serviu. Me coloquei no lugar dele e comentei que entendia o extremo a que ele chegara, mas que isso não justificava ele ter descarregado sobre o pobre mortal que sou (rs).
Então, dias atrás, eu alimentando minha curiosidade de ficar bisbilhotando nos blogs que sigo, encontrei algo que mudou minha concepção a respeito disso tudo.  nesse blog dizia para refletir sobre isso: que "o incompetente é um ousado por excelência".
Agora, da próxima vez que alguém me chamar de incompetente, já sei como freiar meu ego. Com a leitura e a reflexão de uma frase eu me tornei o maior incompetente que pode haver nesse mundo.
Eu vivo, eu arrisco. Se não conseguir é incompetência, fico com minha ousadia em ao menos ter tentado.

ATITUDE rapaziada!
=)

Abraçooo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Manter uma relação dá trabalho
mas se o esforço for mútuo a satisfação é garantida.

Cláudia Morais, no blog A Psicóloga

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

a importância do (bom) exemplo

Gosto muito de ouvir a música Senhor do Tempo, do Charlie Brown Jr., numa versão ao vivo. Antes dela começar, o vocalista, Chorão, anuncia:
"Melhor do que a palavra, maluco, é o exemplo".

Para complementar as reflexões que faço a respeito, cito Gonzáles-Pecotche, o fundador da Logosofia:
"Todo ensinamento moral não avalizado pelo exemplo de quem o dita, atua em sentido contrário na alma de quem o recebe."

De fato, para algumas pessoas é isso mesmo. Para elas, são os atos, as atitudes que interessam, que valem. Não importa muito o que você diz, mas o que você faz. Não basta apenas dizer que ama, tem que demonstrar; não basta discurso anti-corrupção, tem que ter uma conduta reta e assim por diante.

Por outro lado, e não podemos esquecer que cada um tem representações singulares do mundo e das coisas, tem outras pessoas extremamente opostas. Para estas, não tem muito valor o que você fizer, o exemplo é praticamente descartável. Aqui, vale o que é dito. Pouco importa demonstrações de amor, dizer que ama já basta; prezar pela moralidade não implica em não se deixar corromper e por aí vai.

Não há uma meneira certa e outra errada de ser. E vale lembrar que o julgamento sem compreensão é delicado e costuma promover discriminações. 

Particularmente, prefiro estreitar os laços entre a teoria e a prática, entre o que digo e o que faço. Penso que assim, agindo de acordo com os preceitos éticos que acredito serem corretos, os bons exemplos podem se sobressair e ser seguidos.

Viva! 
Enquanto há tempo.