Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A gente se acostuma

Um espetáculo para ler ou ouvir (ou ambos).
Boa reflexão.
Abraço de paz!


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

 

terça-feira, 3 de julho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Da minha vibração*

As famílias tentam educar, as escolas e universidade tentam ensinar, mas o fato é que tem coisas na vida que não têm como serem absorvidas sem a vivência.
Saber perder, por exemplo, é algo que não se encontra em nenhuma cartilha. Ninguém chega e te oferece um curso de como ser um bom perdedor em três módulos, básico, intermediário e avançado. Não é que a vida seja como um jogo, no qual depois do start inicial é cada um por si e deus contra todos. Mas há algumas semelhanças, não?
Quando falo em perdas não me refiro a algo em específico, mas num âmbito geral. Ainda crianças, devido aos estágios do desenvolvimento, perdemos o peito materno - ah, o peito da mamãe! Com as confusões e os enigmas da adolescência ganhamos uma certa malandragem, que aos poucos vai deixando os atributos angelicais e a inocência para trás. Depois das primeiras transas o lance já não é mais só beijar na boca. As responsabilidades do adulto jovem fazem dar saudades dos tempos em que os compromissos eram poucos ou que se podia esquivar deles. Enfim, cada momento tem seu êxtase e, inevitavelmente, algumas coisas vão se perdendo no caminho. 
Bem, voltando à questão de saber perder. A cada dia a gente tem um decréscimo de vida. É duro admitir isso? É, até pode ser. Mas a cada tic-tac do relógio nosso tempo vai expirando tal como uma licença de antivírus de computador. Com um detalhe, as licenças podem ser renovadas, já a vida tem de ser vivida até o último suspiro. E depois disso? Cremação, céu, inferno, purgatório, reencarnação e tudo mais não passa de especulação. Afinal, não se tem registro de alguém que voltou para dizer o que vem depois que o médico atesta o óbito.
Acontece que a maior parte da sociedade insiste em imprimir nas pessoas que elas devem ser bonitas, saudáveis (ou nem tanto, desde que tenham silicone e bunda empinada e barriga de tanquinho), vencedoras, cheias de sucesso, realizações, prosperidade, etc e tal. Isso não remete às semelhanças da vida com um jogo? Ah, deixa pra lá esse lance de vida, jogo, jogo da vida. Esquece.
Então, às vezes o melhor caminho é andar na contramão do que é imposto como certo. Ao conjecturar que na vida tudo é um mar de rosas você pode estar à beira do suicídio se alguma pétala for levada pelo vento. Porque não admitir nossa condição humana, imperfeita? Não que isso seja explicação para os fracassos ou discurso de derrotado. Ao contrário, é importante tomar ciência de que as coisas podem não sair conforme planejamos, que algumas coisas não dependem apenas da nossa volição, que exatidão mesmo só nas ciências exatas. Probabilidades e possibilidades, aproximações. É isso que temos. E aprender a trabalhar com isso é muito bacana.
Às vezes vamos perder uma amizade, relacionamentos afetivos serão desfeitos, haverá morte de pessoas queridas e tantas outras coisas que fazem parte dos mistérios da vida. Cada uma destas situações envolve perdas. E para perdas há de se fazer um processo de luto bem elaborado para não cair em problemas ainda mais sérios que a própria perda.
Muitas pessoas se desestabilizam, se desestruturam quando passam por perdas, por menores que possam parecer seus efeitos. Eu até me dou bem com as intempéries e armadilhas da vida. E quando estou parecendo um bobo alegre é porque eu não posso deixar de vibrar com cada detalhe desta dádiva que é estar vivo. 
São apenas características. Não existe uma maneira certa e outra errada de viver, tampouco algo bom ou ruim. São diferentes formas que se expressam as existencialidades. Como diria Will Goya "sem contexto, tudo é nada".

* Inspirado pela crônica de David Coimbra, O que mais sei fazer, publicada no jornal Zero Hora de 29/05/2012.
"O que quero dizer é que a rejeição e o fracasso não me roubam o bom humor. Estou acostumado com eles. Mas vejo que a maioria das pessoas não está. A maioria das pessoas é vencedora. Elas têm excelente opinião sobre si mesmas e, se sofrem um revés, se abalam, se entristecem."          

"O amor é o ridículo da vida...

... a gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.
A vida veio e me levou com ela.
Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas.
Morrer não dói."

Cazuza

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Possibilidades

Às vezes dizem algumas verdades não para que se sinta culpado, humilhado ou porque querem que mude. Muito menos para que se envaideça. Só o fazem por imaginar que você tem condições de ouvir isso sem que uma ferida se abra.
Mentem não para trapacear ou te fazer de idiota. Talvez sejam meias verdades, omissões. Isso pode ser com o intuito de não fazer teu mundo desmoronar. Longe de ser trapaça, pode ser demonstração de carinho. 
Às vezes a cabeça pensa uma coisa, o coração diz outra, os valores indicam para outra direção, a sociedade aponta novas possibilidades ou velhas respostas. E disso tudo podem vir perguntas ou respostas, afirmações ou incertezas.
O mesmo ócio que pode ser criativo, pode levar à beira do precipício, ao abismo. As crises podem tanto impulsionar para baixo quanto dar um up, revelar perspectivas surpreendentes que jamais seriam vislumbradas numa zona de conforto.
A rotina tem um poder de destruição enorme. Porém, pode ser ela, ou a luta contra ela, um elo de interseção que mantém pessoas unidas. Algumas até fazem questão de seguir rotinas pré-estabelecidas a ponto de tudo ir por água abaixo caso uma vírgula não saia como planejado. 
Alguns finais são finais, alguns são inícios, outros são recomeços. Alguns inícios não passam de retomadas. Algumas retomadas nada tem a ver com recomeços.

O que isso tudo quer dizer? Talvez nada, talvez muito. 
Possibilidades. E quando se fala de possibilidades, algo pode ser considerado ou impossível ou pouco provável, dependendo de quem encara o desafio. 
Mesmo sendo pouco provável, algumas coisas não são impossíveis.
E para as impossíveis, paciência e serenidade para admitir, novamente, a condição humana, de meros mortais.


F O R Z A !

Ao som de Fix You - Coldplay
 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Das obsolescências

O desenvolvimento científico-teconlógico tem tornado muita coisa ultrapassada da noite para o dia. Para experienciar isso basta dar uma olhada ao nosso redor. Aparelhos eletrônicos surgem num ritmo frenético com funcionalidades mil e o que foi lançado hoje como top de linha está sujeito a ser obsoleto amanhã.
Não há como negar os pontos positivos disso. A comunicação, por exemplo, tem sido possibilitada por N formas que no século passado sequer podiam ser pensadas. Ainda assim, surgem algumas reflexões. Até que ponto isso é producente para a humanidade? Como isso está refletindo na vida das pessoas? 

Tenho observado, de modo geral, que os relacionamentos estão, de certa forma, se tornado um tanto superficiais. Talvez eu esteja exagerando, ou dirigindo minha intencionalidade ao que estou querendo explicar, sei lá. Mas percebo que muita coisa de foro íntimo, de relacionamentos interpessoais, de altruísmo tem se tornado descartável. Parece que para tudo há um prazo de validade. E nesse ritmo, muitas existencialidades estão perdendo suas referências. Então começam a aparecer sintomas diversos, devido aos conflitos existenciais, estruturais, e algumas pessoas dizem não saber o que está acontecendo. 

Parece uma tese muito simplista, mas algumas estruturas existenciais não estão preparadas para acompanhar as rápidas e constantes mudanças, a ponto de desencadearem processos de desestruturação.
Por isso nunca é demais diminuir o ritmo, respirar fundo e pensar onde quero chegar e o que estou fazendo para tanto. Talvez isso seja producente para algumas pessoas. Para outras, não.   

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando eu blogava direto, quando postava mais coisas aqui eu devia ter uma meia dúzia de leitores. Como tem ficado longo o tempo entre as postagens, devo ter umas duas pessoas que leem o que publico neste espaço.
=)

O penúltimo post foi sobre a polêmica envolvendo a Participação do Gabriel O Pensador na Feira do Livro de Bento Gonçalves/RS. Pois nem bem tinha baixado a poeira e O Pensador apresentou um clipe em resposta ao que aconteceu.
Na minha opinião, uma grande sacada. 
E ficou assim.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Eu estou sendo ingênuo

Algumas coisas estão além de nossa capacidade de entendimento lógico e não dependem somente de nós, da nossa volição.
Nas palavras de Nietzsche, "Só as pessoas por demais ingênuas é que podem acreditar que a natureza humana poderia ser transformada numa natureza puramente lógica".


As coisas meio que descarrilaram e eu com essa minha mania de querer entender tudo. Às vezes penso que por isso sou um idiota, mas Nietzsche me alertou que isso é ingenuidade. 
Menos mau que há uma enorme diferença entre ser ou estar sendo algo.
E, sim, eu estou sendo ingênuo. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A cultura ou a ignorância - 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves


O escritor e músico Gabriel, O Pensador foi convidado para ser patrono da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves/RS, que acontecerá neste ano de 2012. A Prefeitura Municipal optou, ainda, por contratar o artista para duas palestras para alunos da cidade e para o show musical de encerramento da Feira, além da compra de 2 mil livros (mil de “Diário Noturno” e mil de “Um garoto chamado Roberto”) para serem repassados às bibliotecas das escolas municipais como incentivo à leitura.

Agindo conforme orienta o bom censo e a legalidade, a Prefeitura divulgou os valores envolvidos nas atividades de Garbiel, O Pensador, R$ 169.430,00. Isso gerou certo desconforto para alguns escritores convidados que receberiam um cachê simbólico pela participação no evento, que foram à mídia e veicularam os milhares de reais a serem repassados para o artista como sendo cachê pela sua participação na Feira do Livro e por ser ele o patrono da mesma. Estava instalado o mal entendido.

Gabriel, O Pensador veio a público para esclarecer o que estava acontecendo. Segundo ele, no valor estavam incluídos todos os serviços e impostos de suas atividades. Ele citou algumas: a venda dos 2 mil exemplares de livros a R$ 35,00 cada, que resulta em R$ 70.000,00, mais R$ 2.016,00 de 2,88% de imposto; passagens aéreas, diárias de alimentação, hospedagem e transporte terrestre para o recebimento da faixa de patrono, que fecharia em cerca de R$ 2.093,00; os mesmo serviços para as palestras, outros R$ 2.093,00; para o show, R$ 60.000,00, mais R$ 10.200,00 de 17% de imposto, mais passagens, hospedagens, transporte e alimentação para a banda e a equipe, R$ 18.568,00; material e equipe de produção de DVD, R$ 3.890,00, mais R$ 661,98 de 17% de impostos; entre outros valores que chegam aos tão comentados R$ 169.430,00. Pela polêmica que se tornou sua presença na Feira do Livro, a Prefeitura Municipal e o artista chegaram ao consenso de não haver mais a compra dos livros para o repasse às escolas, tampouco o show musical de encerramento do evento. Gabriel, O Pensador, porém, não abriu mãos de ser o patrono da feira e o fará de forma gratuita.



Como estamos vivendo um momento do politicamente correto, não é de se espantar que se faça sensacionalismo em torno de algumas temáticas no intuito de desviar o foco de outras.

Ora bolas! O que significa R$ 170.000,00 para ser investido em cultura e educação? Garanto que se os valores referentes à contratação dos serviços de Gabriel, O Pensador não tivessem sido divulgados, nada disso teria acontecido e tudo sairia conforme programado, com entrega de livros às bibliotecas escolares, palestras, show e tudo mais. E digo mais: as cifras de R$ 170.000,00 são desviadas de tantas coisas cotidianamente neste nosso Brasil hipócrita e para isso não acontece nada. Chegamos ao ponto de estar quase se tornando lei que enriquecimento ilícito é crime. Ah, mas que comédia mesmo! Se uma pessoa fatura R$ 5.000,00 por mês, não é o correto que ao final do ano (que tem só 12 meses) ela tenha acumulado algo em torno dos R$ 60.000,00? Não é estranho que uma pessoa, nas circunstâncias citadas, chegue ao final do ano com uma conta bancária de R$ 300.000,00? De onde vem a grana? Depósito transcendental divino?
                Ademais, voltando ao episódio de honorários para escritores, artistas etc, etc... não é digno que os mesmos recebam por seu trabalho? Ou hão de se alimentar de luz, de andar com lençóis cobrindo o corpo, andando descalços? Talvez por alguns elementos arraigados na educação brasileira, a cultura é algo que não merece investimentos. Parafraseando a ilustre frase de Derek Bok, se custear a cultura está caro, arcar com o preço da ignorância será ainda pior.

sábado, 21 de abril de 2012

2037: que Brasil será o seu?

Este é o título de um artigo de Carolina Fuhrmeister, Diretora do Fórum da Liberdade, publicado no Jornal Zero Hora. Nele, Fuhrmeister apresenta alguns dados referentes à realidade do Brasil no cenário mundial: somos a 6ª economia do mundo, estamos na 84ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ocupamos a posição 104 em infraestrutura, na qualidade do sistema educacional estamos no 115º lugar, no índice de percepção da corrupção estamos em 73º (o que significa um rombo nos cofres públicos de cerca de R$ 82 bilhões por ano em falcatruas) e temos 16 milhões de pessoas na miséria.
Fuhrmeister aponta que planejamento não é forte do Brasil, pois a previsão para os próximos 4 anos é que sejam gastos 70 bilhões com a Copa do Mundo e com as Olimíadas.
A autora afirma que "guerreiro esse povo é. Mas ainda nos faltam grandes doses de atitude".

Que Brasil eu estou construindo para as próximas gerações? Não sei se estou conseguindo por em prática, mas o país que eu quero é um país em que, no mínimo, as pessoas consigam pensar de forma que não sejam apenas meras reprodutoras do que é posto pelo sistema.
Pouco? Utopia? Pode ser. Mas é meu trabalho de formiguinha, lento e gradual. Quem sabe vá fazer alguma diferença algum dia. E se não fizer, fuck you too!   

Música tema: Marilyn Manson - Mutilation is the most sincere form of flattery

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do filme "Medianeras - Buenos Aires na era do amor digital"

"
Quem será que foram os gênios que taparam os rios com prédios e o céu com fios? Tantos km de cabos servem pra nos unir ou nos afastar? Cada em seu lugar...
A telefonia celular invadiu o mundo com a promessa de te deixar conectado sempre, mensagens de texto! Uma nova linguagem adaptada a 10 teclas que reduz as nossas línguas mais belas a um vocabulário primitivo limitado e sem cultura.
O futuro está na fibra ótica e no céu limpo! Dentre tantas vantagens eles prometem que você conseguirá ajustar a temperatura de sua casa mesmo estando no trabalho, é claro que eles já sabem que não tem ninguém te esperando com a casa quentinha.
Bem vindo à era das relações virtuais.
"

Como diria o Chorão, "cuide de quem corre do teu lado e quem te quer bem. Essa é a coisa mais pura".

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Por uma nova ética

O Supremo Tribunal Federal (STF) me chamou para eu dar meu voto no julgamento que pede a liberação ou a descriminalização do aborto para fetos sem cérebro. Num primeiro momento eu fiquei surpreso, mas vesti uma toga preta e lá fui eu.

Depois de cumprimentar os ministros que tem poder de decisão, tratei de deixar bem claro que eu não sou ministro, não sou advogado, não sou desembargador, não sou juiz, não sou deputado, não sou padre e nem pastor, não sou médico, não sou cientista, não sou santo, não sou nenhuma divindade e, mesmo não sabendo o motivo pelo qual eu estava ali dando meu veredito, disse que não queria afrontar ou ofender alguém com minhas considerações.

Eu estava trêmulo. Que caminhos percorrer?

- “Meus caros, quando começa uma vida? Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozoide? Com a passagem de alguns meses de desenvolvimento do feto? A vida começaria, talvez, no nascimento?

Bem, permitam-me algumas considerações. A partir do surgimento do Cristianismo, a vida passou a ter um caráter sagrado, sendo que a vida humana foi sobreposta à vida de qualquer outro ser. Esta ideia cristã perpassou tradições e perdurou por mais de dois mil anos. Somente há pouco tempo algumas pessoas começaram a contrapor as verdades advindas dos dogmas cristãos, fazendo surgir novas visões de mundo e ampliando as possibilidades de reflexões éticas.

Peter Singer é uma destas pessoas que apresentaram novos paradigmas para a humanidade. Ele propõe uma ética teleontológica, na qual o valor de uma ação é medida por seu fim, por seu resultado. Nesta perspectiva utilitarista, Singer requer que imaginemos as possíveis consequências de nossos atos. Segundo suas considerações, uma ação será moralmente boa quando seus resultados proporcionarem um aumento de felicidade ou uma diminuição da dor da maioria dos afetados por tal ação.

Para a ética tradicional calcada em valores arraigados há milênios, a ética proposta por Singer é insustentável, pois vários de seus elementos entram em conflito com o que a tradição nos legou. A vida possui um valor sagrado, estando acima de todo e qualquer aspecto, privar alguém dela é pecado, homicídio, crime. No rompimento que Singer promove com o que ele chama de velha ética, a eutanásia e o aborto são elencadas como atitudes que podem ser moralmente aceitas e justificáveis, de tal forma que tais atos sejam descriminalizados.

Visto que a proposta singeriana leva em consideração o aumento de felicidade ou a diminuição da dor, interromper uma gravidez na qual foi detectada anencefalia é uma atitude considerada moralmente boa. Isto devido ao sofrimento de todos os envolvidos numa gestação nestes termos, nos quais nem imaginamos o quão doloroso seja, tanto física quanto psicologicamente.

Cabe ressaltar que quando estamos na esfera da ética, a decisão final é sempre do indivíduo. Portanto, se é o desejo de uma mãe ou da família que seja interrompida uma gravidez de um feto anencefálico, não é o Estado ou a Igreja quem deve intervir em tal decisão. Se uma pessoa manifesta conscientemente seu desejo de não permanecer em estado vegetativo, em coma induzido caso isso venha lhe acontecer, quem tem poder de desautorizar esta decisão? Da mesma forma, se uma família decide que é melhor que os profissionais da saúde desliguem os aparelhos daquele familiar que está vegetando já há algum tempo, é o juramento dos médicos que impede que isso se realize?

Devemos pensar, sim, em garantir o direito à plenitude da vida. Mas não devemos confundir o direito à morte com crime, com homicídio.

Tenho meus motivos, portanto, para votar a favor da descriminalização do aborto em casos de má formação genética que indicam anencefalia. E meu voto se dá neste sentido.

Obrigado pela atenção”.

Antes mesmo do relator dar prosseguimento ao ato, eu acordei suado. Meu quarto escuro ao invés da luminosidade da sede do STF, sozinho, ao contrário dos holofotes daquele agitado lugar, de cueca no lugar da toga e com a convicção de que o resultado seria favorável ao que havia sido encaminhado para votação.

quarta-feira, 28 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

A farra das diárias

Tem como não ficar puto da vida em época de declaração de Imposto de Renda? Há quem reclame por pagar muito de imposto; já outros, como eu, ficam decepcionados por não declarar o IR porque os rendimentos anuais ficam abaixo do que estabelece a lei do leão.
Como eu sou um curioso nato, decidi dar uma olhada nas diárias que foram pagas aos servidores do Poder Legislativo do Rio Grande do Sul, no Portal da Transparência. Tais diárias são referentes ao período de janeiro a março deste ano. O resultado é o seguinte (e vou citar somente os valores recebidos em diárias acima de R$ 5.000,00):
Aloisio Talso Classmann: R$ 7.044,90 (viajou para Santiago da Compostela, na Espanha, do dia 21 ao dia 28 de janeiro);
Antônio Carlos Gomes da Silva: R$ 6.120,99;
Diógenes Luiz Basegio: R$ 6.991,50;
Edson Meurer Brum: R$ 11.722,91;
Ernani Polo: R$ 14.344,85;
Gilberto Capoani: R$ 11.652,50;
Gilson Pereira: R$ 9.356,90;
José Antônio Junior Frozza Paladini: R$ 6.292,35;
José Franciso Soares Sperotto: R$ 8.156,71;
Jurandir Marques Maciel: R$ 6.023,22;
Luis Fernando Schmidt: R$ 10.254,20;
Marlon Arator Santos da Rosa: R$ 9.788,10;
Nelson Luiz da Silva: R$ 5.312,17;
Pedro Bandarra Westphalen: R$ 10.193,25;
Pedro Ozorio Pereira: R$ 5.847,75;
Ronaldo Santini: R$ 7.560,42;
Volmir José Miki Breier: R$ 5.876,53;
Zilá Maria Breitenbach: R$ 8.766,14.
Eu tentei somar a quantia que estas 18 pessoas receberam em diárias nestes 3 meses de 2012, mas são tantos números que eu me perdi. E esses números são só o começo dos rombos no dinheiro público gastos em sabe-se lá o que.
Para bancar estas diárias sobra dinheiro (talvez nelas estejam inclusos custos de wisky importado e acompanhantes; vai saber...); para umentar escandalosamente os salários dos Deputados tem dinheiro; mas para dar qualificação aos profissionais e remunerá-los com o mínimo de dignidade que eles merecem, aí governo nenhum tem como bancar.

Fica então minha homenagem à Gangue da Matriz.



quarta-feira, 21 de março de 2012

O jeitinho brasileiro não tem jeito mesmo

"Excesso de peso danifica a rodovia. Denuncie."
Prestei atenção em uma placa dessas no início da semana. E andei pensando sobre isso.
Fiz milhares de quilômetros em fevereiro, durante minhas férias. Não lembro de ter visto um posto de pesagem. Oras, o Brasil é o país do jeitinho, então muitas pessoas aproveitam a falta de fiscalização e andam por aí com toneladinhas a mais em suas cargas. É lógico que isso contribui para que o asfalto fique danificado.
Aí vem as licitações forjadas, superfaturadas e tudo mais que estamos carecas de saber para refazer trechos asfálticos. Mais uma vez o jeitinho brasileiro entra em cena: faz-se uma camada de asfalto com qualidade bem inferior para que sobre grana para o pessoal do esquema sujo. 
Isso é malandragem, falcatrua, roubo, descaso, corrupção. 
Estou me convencendo que no Brasil quem se rala é o trabalhador honesto, infelizmente.
E os péssimos exemplos de quem deveria dar bons exemplos só faz com que cada dia mais pessoas rumem para a banda podre. Que desgraça!

quinta-feira, 15 de março de 2012

sábado, 10 de março de 2012

As respostas prontas

Li no Jornal Diário Catarinense de hoje que Lucio Mauro Filho está viajando pelo país com seu monólogo "Clichê". O espetáculo é, de certa forma, uma crítica ao excesso de frases feitas e conta com mais de 600 expressões clichês que se expandem e se reproduzem diariamente.
Em uma rápida entrevista dada ao jornal, o ator declara algo que merece ser ponderado: "Com o advento da internet as pessoas estão cada vez mais rasas". Isto é, de fato, verificável na maioria das conversações do mundo cibernético, principalmente em redes sociais, onde as frases feitas são repetidas com extrema frequência.
O perigo de utilizar os jargões é que eles podem estar deslocados do significado original, além de desprezarem uma série de fatores.  

Vamos a um exemplo: No "Pequeno Príncipe", do escritor Antoine de Saint-Exupéry, uma frase ultrapassou gerações e vem sendo reproduzida aos quatro ventos. Trata-se de algo que uma raposa ensinou a uma criança, ambas personagens do livro, sobre o amor: "Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos". Pois bem, para o enredo do livro esta é uma verdade que tem um contexto. Ela revela ainda os traços de como pensava Saint-Exupéry, o autor da obra. Mas isso não implica que esta seja uma verdade universalmente válida quando se trata do amor ou de qualquer outro tema. 
Pode acontecer que, mesmo se tratando de amor, alguém tenha uma representação de mundo na qual o que tem mais valor é justamente o contrário, ou seja, aquilo que olhos veem. Isso já seria suficiente para derrubar a lição de que "o essencial é invisível aos olhos".

Ainda outros jargões são utilizados como se valessem para todas as pessoas e em todas as situações.
"Errar é humano, perdoar é divino". Algumas pessoas perdoam porque tem uma ligação amorosa, ou por amizade, ou por caridade e por tantos outros motivos. Mas isso não quer dizer que elas sejam divindades ou seres de outra galáxia.
"Para amar o outro é preciso amar a si mesmo". Não precisamos nos esforçar para perceber que algumas pessoas não estão nem aí para si mesmas e amam profundamente outras.
"É dando que se recebe". Então há sempre este processo de troca, de escambo no qual se da algo pensando em ser retribuido?
Esses e outros infindáveis exemplos podem contribuir para que pensemos que cada pessoa tem uma representação única de mundo e que não necessariamente ela vai pensar e agir como pensa e age a maioria. Algumas até vão nesse ritmo, mas não todas...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As decisões às vezes passam por um clic

Estou me cansando de ouvir lamúrias e choramingos a respeito da grade de programação da televisão brasileira. Isso vale tanto para os canais abertos quanto para os exclusivos para assinantes.

Volta e meia alguém reclama:
- Na parabólica não nada de interessante para olhar.
Ou então: 
- A tv por assinatura só tem mesmo quantidade de canais. Qualidade que é bom, nada.
A pergunta que eu faço para essas pessoas é se o único meio de entretenimento que existe no mundo é a tv.
Parece que não existe atividade física, leitura, conversa com outras pessoas, estudos ou seja lá o que for.

Tem algumas que falam mal do Big Brother, por exemplo, mas não perdem um capítulo do programa. Eu gostaria de entender o que se passa. Talvez a logística dos programas consigam de fato alienar grande parte dos telespectadores.

Ora, se não gosta de consumir determinada coisa, não consome, se controla, muda de hábitos, abondona o comodismo e a mesmice.

Neste sentido, o controle remoto ou os botões dos aparelhos (talvez alguns até já tenham comando de voz) é uma ferramenta e tanto. Algo não te agradou? Muda de canal. Ou assiste e tenta incorporar algo de bom daquilo para tua vida. Ou aproveita as asneiras para não repetir em suas vivências. Ou desliga o aparelho.

O que não pode mais acontecer, poooor favor, é alugar meus ouvidos para reclamações que não vão levar a lugar algum.

Quem me dera eu tivesse um controle remoto para acionar o "mute" de algumas pessoas...

Abraçosss.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Singularidades

Da mesma forma que algumas pessoas necessitam
de uma luz no fim do túnel,
outras precisam de um túnel no final da luz.
Esse é mais um dos motivos que demonstra a diversidade, a diferença, a pluralidade que existe entre os viventes deste mundo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Às vezes é assim

O dito popular "quem cala, consente" é verificável em muitas ocasiões.
Nos cenários político e social atuais me parece que tem gente que se cala mesmo não consentindo. Muitas pessoas que teriam grande influência e poder de esclarecimento e de decisão se omitem, ficam totalmente passivas. Talvez pela grana que tem, que certamente trás alguma comodidade que os impede de sair d´uma zona de conforto, talvez por medo sabe-se lá de que, talvez por se sentirem ameaçados, talvez por terem o rabo preso com algo ou com alguém, ou por tantos outros motivos que a gente não consegue conjecturar.
Algumas coisas são tão certas como 2 + 2 = 4. Basta querer abrir os olhos.