Um pouco de tudo... e também de nada.
Aqui expresso minhas representações acerca do que penso, sinto, faço, vivo...
Originalidade?
Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo. As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor. Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso. Divirta-se ou se entristeça. Boa viagem!
Pense na tua própria vida, na tua história. Será que, de fato, é você quem conduz as coisas? Será que suas escolhas são realmente suas ou são advindas da sociedade, da cultura, da família, do círculo de amigos ou de algum outro fator? Independente de sua resposta, não se preocupe. Isso só indica sua maneira de ser no mundo, uma característica sua. E não necessariamente é ruim, feia, errada...
O fato é que muitas vezes não somos autores da nossa trajetória, somos meros coadjuvantes. Por vezes, de tão bem que interpretamos, temos a impressão de sermos os autores da nossa própria história, quando, na verdade, não passamos de atores.
E acaso estamos preparados para assumir a autoria e deixarmos de ser intérpretes?
Algumas vezes é essencial e necessário que peguemos carona, que não tomemos a direção. Isso não é sinônimo de fraqueza ou demérito algum. Aliás, há momentos em que é melhor poder ir contemplando a paisagem, olhando as cores, sentindo os aromas.
Não há nenhum manual que diga como as coisas devem ser. Se o seu jeito de ser não te prejudica, não prejudica tua convivência com o outro, viva plenamente, indifente de ser roteirizando ou atuando, dirigindo ou pegando carona.
Vou ficar por algum tempo sem ler jornais, sem assistir noticiários na televisão ou ouvi-los no rádio. Preciso de uma desintoxicação. Os problemas não deixarão de existir pelo fato de eu não estar ciente deles. Não é hipocrisia, não é descaso, não é indiferença. A questão é que tenho coisas minhas, que estão mais diretamente relacionadas ao meu estado existencial, que não podem ser deixadas de lado ou em segundo plano. Ou melhor, tenho já as minhas mazelas e ficar me contaminando com algumas coisas que nem de perto conseguirei mudar só está servindo para fazer ressurgir meu eu pessimista. E isso não está sendo bom, pelo que estou percebendo... Vou me desligar um pouco desse mundo material, social, banal, carnal, animal (a rima não foi desproposital)... Quero ficar com um mundo inventado nas poesias, que é mais suave, doce, confortante. Isso mesmo! Conforto. É isso que preciso encontrar. Conto com alguns livros que estão separados para serem apreciados e com a contribuição dos blogs que sigo (indicações são bem vindas). Talvez assim eu desintoxique e traga mais paz para o meu coração.
Belíssima interpretação da cantora Ana Carolina ao texto "Só de sacanagem", de Elisa Lucinda.
"Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!"
Bem, não é novidade para quem trabalha diretamente com educação que o cenário é deprimente, catastrófico.
O depoimento desta Professora (assim mesmo, com letra maiúscula no início) pode mobilizar os governantes? Na prática, só o tempo poderá responder - embora a experiência histórica aponte para uma resposta negativa...
Já ouvi várias vezes que quando duas pessoas passam só brigando, com intrigas aqui e acolá, provavelmente é porque está rolando um sentimento entre elas. Assistindo Dr. House pude pensar mais a respeito depois do que segue:
“O instinto do amor para com um objeto exige dominá-lo para obtê-lo.
E se uma pessoa sente que não pode controlar o objeto ou se sente ameaçada por ele, ela age negativamente para com ele”.
Dra. Cameron, citando Freud em um jantar romântico com Dr. House,
no episódio “O amor dói”, primeira temporada da série.
Foi como uma complementação ou prova ao que o senso comum há muito me indicara...
Ontem eu estava ouvindo o Pretinho Básico, programa de entretenimento da Rádio Atlântida, do Grupo RBS, quando o assunto em pauta passou a ser a fé. Cada integrante deu sua opinião e Everton Cunha, o Mr. Pi, deu a seguinte definição:
Fé nada mais é do que a crença em algo que não existe.
Complementado o que foi dito em "Sala de aula I": a educação brasileira está sucateada. E isso não é novidade para ninguém. Ou será que o discurso meramente político de que os dados apontam para melhorias neste setor esá convencendo a população?
Qualidade? O que é isso para os governantes? A preocupação deles é com estatísticas. Então tem avaliações de tudo quanto é ordem e para tudo quanto é modalidade. E o mais incrível é que, não sei como, tais dados indicam que o Brasil está melhorando no ranking dos países com uma suposta educação qualificada. Qualificada pra que?
Peguemos nossos hermanos argentinos e vejamos quantos livros um universitário de lá lê em um ano. No mínimo o dobro ou o triplo de um acadêmico brasileiro. Tudo bem, há quem diga que conhecimento não se adquire apenas nas páginas de livros. Concordo plenamente. Mas o fato é que não se vai muito longe sem leitura, sem ampliar horizontes. E olha que estamos comparando aos nossos vizinhos sulamericanos. Se olharmos os índices de um país mais desenvolvido seremos massacrados, dando vexame, passando vergonha...
Tenho percebido que acadêmicos estão passando pela graduação e ganhando diplomas de presente. Ou melhor, comprando diplomas. Aliás, muito bem pagos, por sinal. Os de universidades e faculdades privadas pagando com seu próprio dinheiro; os de instituições públicas ou bolsistas de programas federais, com o nosso.
Quando no escrito anterior comentei sobre os reflexos futuros de uma formação precária, me referi aos desafios de uma sociedade que terá profissionais inseguros, incompetentes, fingindo saberem o que, na verdade, ignoram, não sabem. Aí vem aquele crítico e diz que a teoria não necessariamente tem a ver com a prática ou que a pessoa pode ser um bom estudante e um péssimo profsissional ou vice-versa. Perfeito. Também compactuo com essa teoria. Porém, a prática tem que estar fundamentada em algo. Se não numa sólida formação, de onde virão os conhecimentos necessários para o exercício da profissão? Iluminação divina?
Dias atrás vi uma notícia de acadêmicos do curso de Direito de uma renomanda Universidade aqui do Rio Grande do Sul que compraram, vejam bem, Trabalhos de Conclusão de Curso. Como se não bastasse isso, os trabalhos comprados eram plágios, já haviam sido defendidos e publicados por outras pessoas. Dá para acreditar? Sim, quem convive com o dia-a-dia da educação sabe que é perfeitamente concebível que isso aconteça. A maioria dos alunos não leem. Alguns até leem muita coisa, mas não sabem interpretar o que acabaram de ler. Talvez por isso são poucos os que escrevem de forma correta. E, volto à minha inquietação, isso terá reflexo em nossa sociedade. Como serão os professores, médicos, enfermeiros, advogados, cientistas, engenheiros, arquitetos e tantos outros profissionais indispensáveis para nós? Ah, e claro, não dá para deixar de lado: como serão nossos políticos, as pessoas que ditam os rumos da nação?
Abri meu e-mail e verifiquei a notificação de uma empresa que disse ter feito um sorteio aleatório entre 50 mil usuários. Adivinha quem ganhou o prêmio? Ah, claro! O cara mais sortudo que o mundo já viu.
O melhor é que posso escolher entre computadores, i-pods, i-phones, celulares, entre tantas outras coisas que nem sei o nome.
É só clicar ali naquele link que vai infectar até as paredes do quarto e, pronto! Estará tudo consumado e em dias o prêmio estará no meu endereço.
Fácil, né!?
Detalhe: nunca tive nenhum contato com a empresa que gentilmente me premiou.
Droga de lixo eletrônico!
Entre o prêmio oferecido pela empresa e o prêmio de continuar utilizando meu computador, optei por este último. Ao menos vou poder utilizar a máquina para fazer minhas coisas...e talvez continuar sendo premiado por sei lá quem por um bom tempo ainda...
Não é regra, mas geralmente o professor que tem um bom olhar pode antever qual será o futuro de determinado aluno. Não, o professor não é vidente e muitas vezes quebra a cara com relação a isso. Claro, às vezes tem um Joãozinho ou uma Mariazinha que não quer nada com nada em sala de aula, mas acaba conseguindo um bom emprego, um cargo legal, grana, reconhecimento, etcétera e tal. Afinal, uma coisa não necessariamente tem a ver com a outra.
Pois bem, uma das abordagens que trabalho me permite comentar alguns aspectos práticos. Assim como cada pessoa tem suas singularidades, cada turma também tem seus jeitos e trajeitos. É digno de mérito o professor que consegue fazer esta leitura, pois a partir dela é que serão elaborados os conteúdos a serem trabalhados (respeitando a legislação e o que estabelece a instituição) e as formas que isso será feito. Portanto, de acordo com esta abordagem o que funciona com uma turma pode não ser funcional, ser frustrante com outra. Não precisa muito esforço para compreender isso.
O fato é que em muitas ocasiões o professor faz a leitura da turma, estuda as melhores maneiras de passar seu conteúdo para a mesma, planeja aula e ainda cria um coringa, um plano B para ser utilizado se as coisas não saírem muito bem na execussão do que foi teorizado. Mesmo com essas artimanhas todas, tem muitas vezes que o resultado não é nem perto de 1/3 daquilo que se esperava.
Motivos para isso? Muitos. Dentre eles, talvez a falta de comprometimento e de vontade de aprender de muitos alunos seja a mais gritante.
Aí, meus queridos, não tem poção mágica, varinha de condão, fé, ou qualquer outra coisa que resolva.
Minha esperança é que os docentes não percam a esperança e a persistência, apesar de todas os contratempos que encontram diariamente, e mantenham a serenidade para desempenhar sua tarefa de extrema relevância social. Espero também que os estudantes (o que serve também para alguns professores) consigam se conscientizar que isso pode ter fortes impactos num futuro próximo.
Voltarei a escrever sobre isso, no Sala de aula II.
Às vezes dói quando alguém é direto conosco e bate com a verdade em nossa cara ou em nosso coração, dizendo coisas que não esperávamos ou pensávamos não merecer. Mas, pensando bem, tem coisa melhor que isso? A partir daí podemos podemos ponderar muita coisa e crescer, amadurecer, mudar.
De forma parecida, tão bom poder jogar limpo, bater no peito e jogar verdades no ventilador para que elas se espalhem pelos cantos, sem rodeios, sem meias-palavras.
"A verdade quase nunca é apreciada.
E no entanto se ganha muito tempo
e se evita muita conversa fiada falando a verdade".
Dr. Franklin, personagem de Agatha Christie em Cai o Pano
edição especial, traduzida por Clarice Lispector, Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2009, p.165