Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

quinta-feira, 22 de março de 2012

A farra das diárias

Tem como não ficar puto da vida em época de declaração de Imposto de Renda? Há quem reclame por pagar muito de imposto; já outros, como eu, ficam decepcionados por não declarar o IR porque os rendimentos anuais ficam abaixo do que estabelece a lei do leão.
Como eu sou um curioso nato, decidi dar uma olhada nas diárias que foram pagas aos servidores do Poder Legislativo do Rio Grande do Sul, no Portal da Transparência. Tais diárias são referentes ao período de janeiro a março deste ano. O resultado é o seguinte (e vou citar somente os valores recebidos em diárias acima de R$ 5.000,00):
Aloisio Talso Classmann: R$ 7.044,90 (viajou para Santiago da Compostela, na Espanha, do dia 21 ao dia 28 de janeiro);
Antônio Carlos Gomes da Silva: R$ 6.120,99;
Diógenes Luiz Basegio: R$ 6.991,50;
Edson Meurer Brum: R$ 11.722,91;
Ernani Polo: R$ 14.344,85;
Gilberto Capoani: R$ 11.652,50;
Gilson Pereira: R$ 9.356,90;
José Antônio Junior Frozza Paladini: R$ 6.292,35;
José Franciso Soares Sperotto: R$ 8.156,71;
Jurandir Marques Maciel: R$ 6.023,22;
Luis Fernando Schmidt: R$ 10.254,20;
Marlon Arator Santos da Rosa: R$ 9.788,10;
Nelson Luiz da Silva: R$ 5.312,17;
Pedro Bandarra Westphalen: R$ 10.193,25;
Pedro Ozorio Pereira: R$ 5.847,75;
Ronaldo Santini: R$ 7.560,42;
Volmir José Miki Breier: R$ 5.876,53;
Zilá Maria Breitenbach: R$ 8.766,14.
Eu tentei somar a quantia que estas 18 pessoas receberam em diárias nestes 3 meses de 2012, mas são tantos números que eu me perdi. E esses números são só o começo dos rombos no dinheiro público gastos em sabe-se lá o que.
Para bancar estas diárias sobra dinheiro (talvez nelas estejam inclusos custos de wisky importado e acompanhantes; vai saber...); para umentar escandalosamente os salários dos Deputados tem dinheiro; mas para dar qualificação aos profissionais e remunerá-los com o mínimo de dignidade que eles merecem, aí governo nenhum tem como bancar.

Fica então minha homenagem à Gangue da Matriz.



quarta-feira, 21 de março de 2012

O jeitinho brasileiro não tem jeito mesmo

"Excesso de peso danifica a rodovia. Denuncie."
Prestei atenção em uma placa dessas no início da semana. E andei pensando sobre isso.
Fiz milhares de quilômetros em fevereiro, durante minhas férias. Não lembro de ter visto um posto de pesagem. Oras, o Brasil é o país do jeitinho, então muitas pessoas aproveitam a falta de fiscalização e andam por aí com toneladinhas a mais em suas cargas. É lógico que isso contribui para que o asfalto fique danificado.
Aí vem as licitações forjadas, superfaturadas e tudo mais que estamos carecas de saber para refazer trechos asfálticos. Mais uma vez o jeitinho brasileiro entra em cena: faz-se uma camada de asfalto com qualidade bem inferior para que sobre grana para o pessoal do esquema sujo. 
Isso é malandragem, falcatrua, roubo, descaso, corrupção. 
Estou me convencendo que no Brasil quem se rala é o trabalhador honesto, infelizmente.
E os péssimos exemplos de quem deveria dar bons exemplos só faz com que cada dia mais pessoas rumem para a banda podre. Que desgraça!

quinta-feira, 15 de março de 2012

sábado, 10 de março de 2012

As respostas prontas

Li no Jornal Diário Catarinense de hoje que Lucio Mauro Filho está viajando pelo país com seu monólogo "Clichê". O espetáculo é, de certa forma, uma crítica ao excesso de frases feitas e conta com mais de 600 expressões clichês que se expandem e se reproduzem diariamente.
Em uma rápida entrevista dada ao jornal, o ator declara algo que merece ser ponderado: "Com o advento da internet as pessoas estão cada vez mais rasas". Isto é, de fato, verificável na maioria das conversações do mundo cibernético, principalmente em redes sociais, onde as frases feitas são repetidas com extrema frequência.
O perigo de utilizar os jargões é que eles podem estar deslocados do significado original, além de desprezarem uma série de fatores.  

Vamos a um exemplo: No "Pequeno Príncipe", do escritor Antoine de Saint-Exupéry, uma frase ultrapassou gerações e vem sendo reproduzida aos quatro ventos. Trata-se de algo que uma raposa ensinou a uma criança, ambas personagens do livro, sobre o amor: "Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos". Pois bem, para o enredo do livro esta é uma verdade que tem um contexto. Ela revela ainda os traços de como pensava Saint-Exupéry, o autor da obra. Mas isso não implica que esta seja uma verdade universalmente válida quando se trata do amor ou de qualquer outro tema. 
Pode acontecer que, mesmo se tratando de amor, alguém tenha uma representação de mundo na qual o que tem mais valor é justamente o contrário, ou seja, aquilo que olhos veem. Isso já seria suficiente para derrubar a lição de que "o essencial é invisível aos olhos".

Ainda outros jargões são utilizados como se valessem para todas as pessoas e em todas as situações.
"Errar é humano, perdoar é divino". Algumas pessoas perdoam porque tem uma ligação amorosa, ou por amizade, ou por caridade e por tantos outros motivos. Mas isso não quer dizer que elas sejam divindades ou seres de outra galáxia.
"Para amar o outro é preciso amar a si mesmo". Não precisamos nos esforçar para perceber que algumas pessoas não estão nem aí para si mesmas e amam profundamente outras.
"É dando que se recebe". Então há sempre este processo de troca, de escambo no qual se da algo pensando em ser retribuido?
Esses e outros infindáveis exemplos podem contribuir para que pensemos que cada pessoa tem uma representação única de mundo e que não necessariamente ela vai pensar e agir como pensa e age a maioria. Algumas até vão nesse ritmo, mas não todas...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As decisões às vezes passam por um clic

Estou me cansando de ouvir lamúrias e choramingos a respeito da grade de programação da televisão brasileira. Isso vale tanto para os canais abertos quanto para os exclusivos para assinantes.

Volta e meia alguém reclama:
- Na parabólica não nada de interessante para olhar.
Ou então: 
- A tv por assinatura só tem mesmo quantidade de canais. Qualidade que é bom, nada.
A pergunta que eu faço para essas pessoas é se o único meio de entretenimento que existe no mundo é a tv.
Parece que não existe atividade física, leitura, conversa com outras pessoas, estudos ou seja lá o que for.

Tem algumas que falam mal do Big Brother, por exemplo, mas não perdem um capítulo do programa. Eu gostaria de entender o que se passa. Talvez a logística dos programas consigam de fato alienar grande parte dos telespectadores.

Ora, se não gosta de consumir determinada coisa, não consome, se controla, muda de hábitos, abondona o comodismo e a mesmice.

Neste sentido, o controle remoto ou os botões dos aparelhos (talvez alguns até já tenham comando de voz) é uma ferramenta e tanto. Algo não te agradou? Muda de canal. Ou assiste e tenta incorporar algo de bom daquilo para tua vida. Ou aproveita as asneiras para não repetir em suas vivências. Ou desliga o aparelho.

O que não pode mais acontecer, poooor favor, é alugar meus ouvidos para reclamações que não vão levar a lugar algum.

Quem me dera eu tivesse um controle remoto para acionar o "mute" de algumas pessoas...

Abraçosss.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Singularidades

Da mesma forma que algumas pessoas necessitam
de uma luz no fim do túnel,
outras precisam de um túnel no final da luz.
Esse é mais um dos motivos que demonstra a diversidade, a diferença, a pluralidade que existe entre os viventes deste mundo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Às vezes é assim

O dito popular "quem cala, consente" é verificável em muitas ocasiões.
Nos cenários político e social atuais me parece que tem gente que se cala mesmo não consentindo. Muitas pessoas que teriam grande influência e poder de esclarecimento e de decisão se omitem, ficam totalmente passivas. Talvez pela grana que tem, que certamente trás alguma comodidade que os impede de sair d´uma zona de conforto, talvez por medo sabe-se lá de que, talvez por se sentirem ameaçados, talvez por terem o rabo preso com algo ou com alguém, ou por tantos outros motivos que a gente não consegue conjecturar.
Algumas coisas são tão certas como 2 + 2 = 4. Basta querer abrir os olhos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre o carnaval

Bem... Cada qual com sua estrutura, seu modo de ser, seu jeito, seus gostos, etc. e tal.
Não tenho a mínima pretensão de ofender alguém ou algum estilo de vida. Quero apenas que minha meia-dúzia de leitores reflitam e cheguem às conclusões que lhes forem pertinentes. 
E segue a vida.



"Ontem foi quarta-feira feira de fogo e eu não vejo a hora de chegar a quarta-feira de cinzas. Não, não é que eu seja inimiga do carnaval – até já brinquei muito em clubes, nos blocos, nas prévias, fui até Olinda em plena terça-feira de carnaval. Portanto, vou falar com conhecimento de causa e revelar algumas verdades que eu encontrei por trás da fantasia do carnaval.
A primeira delas: “O carnaval é uma festa genuinamente brasileira”. Não, não é. O carnaval tal como nós o conhecemos surgiu na Europa, durante a era vitoriana, e se espalhou pelo mundo afora, adaptando-se a outras culturas.
Segunda falsa verdade: “É uma festa popular”. Balela. O carnaval virou negócio, e dos ricos. Que o digam os camarotes vip, as festas privadas e os abadas caríssimos chamadas passaportes da alegria. E quem não tem dinheiro para comprar aquela roupinha colorida não tem também o direito de ser feliz? Não tem não!
E aqui na Paraíba, onde se comemoram as prévias, não é muito diferente, não. A maioria dos blocos vive às custas do poder público e nenhuma atração sobe no trio elétrico para divertir o povo só por ser o carnaval uma festa democrática. Milhões de reais são pagos a artistas da terra (e fora dela) para garantir o circo a uma população miserável, que não tem sequer o pão na mesa.
Muitas coisas hoje me revoltam no carnaval. Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por hits do momento como o “melô da mulher maravilha” e similares que eu não ouso nem citar. Eu fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de carnaval para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra-quebra. Onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe precisa socorrer um filho doente, quando um trabalhador está enfartando, quando um idoso do interior precisa se deslocar de cidade para se submeter a um exame? Eu me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem durante o carnaval e no dia-a-dia falta segurança para o cidadão de bem exercitar o simples direito de ir e vir.
Mas o carnaval é uma festa maravilhosa. Dizem até que faz girar a economia, que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seu churrasquinho. Olha, se esses pais de família dependessem do carnaval para vender e para viver passariam o resto do ano à míngua. Carnaval só dá lucro para dono de cervejaria, para proprietário de trio elétrico e para uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo.
Alguém já parou para calcular o quanto o Estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrente desses acidentes? Quanto o poder público desembolsa com procedimentos de curetagem, que muitas jovens se submetem, depois de uma carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? E isso sem falar na quantidade de DST´s que são transmitidas na festa em que tudo é permitido.
Eu até acho que o carnaval já foi bom, mas isso foi nos tempos de outrora".
Rachel Sheherazade. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Filosofia Clínica, como assim?

            Minha intenção com as breves considerações a seguir é dar luz do que seja esta abordagem terapêutica que vem ganhando campo tanto em território nacional quanto internacional. Longe de minha alçada está o objetivo de encerrar o assunto. Pelo contrário, quero provocar e convidar o leitor a buscar mais informações a respeito da Filosofia Clínica.
            A Filosofia Clínica foi sintetizada pelo filósofo Lúcio Packter na década de 1990. Packter fundamentou esta abordagem terapêutica, entre outras teorias, com base no logicismo formal, no empirismo, na analítica da linguagem e essencialmente na fenomenologia. Filósofos como Protágoras, Platão, Aristóteles, Bertrand Russell, Schopenhauer, Locke, Berkeley, Kant, Karl Popper, Georg Cantor, Wittgenstein, Levi-Strauss, Deleuze, Foucalt, Paul Ricoeur, Searle, Gadamer, Merleau-Ponty, Jaspers, Heidegger, entre tantos outros tiveram suas teses adaptadas à clínica filosófica.
            Aqui já cabe um pedido de atenção. Tais filósofos e correntes filosóficas apenas fundamentam os métodos da Filosofia Clínica. Isso não quer dizer que nos atendimentos o filósofo clínico irá utilizar obras e teorias com seu partilhante, como ocorre no aconselhamento filosófico ou na filosofia prática.
            Adiante. Falamos em métodos, certo? Correto, pois em Filosofia Clínica não há um método rígido. O que existe são possibilidades de aplicação que se adaptam à singularidade do partilhante e à demanda clínica. Claro que algumas particularidades precisam ser respeitadas, como, por exemplo, estabelecer interseção com o partilhante (condição indispensável para o andamento do trabalho), respeitar suas singularidades, buscar compreender o que está se passando com ele e ter cuidado com os agendamentos (acompanhar o partilhante e não direcioná-lo inadvertida ou aleatoriamente).
             Packter nos diz, no Caderno A, que “o objetivo da clínica filosófica é, tanto quanto possível, reconhecer e entender as interseções (choques) entre tópicos da Estrutura de Pensamento e em seguida utilizar os submodos (procedimentos clínicos) para tentar trabalhar essas interseções tópicas”. Como fazer isso? Veremos adiante, mas antes vamos falar da Estrutura de Pensamento, ou EP.
            A EP é tudo o que habita a pessoa, a forma como ela vê o mundo e a si mesma, suas representações, emoções, buscas, valores, crenças, enfim, é o modo como a pessoa está existencialmente. O filósofo clínico cataloga a historicidade do partilhante em 30 tópicos estruturais, cada qual com seu peso e determinância no todo da EP. Não é o caso de encerrar o ser humano em apenas 30 tópicos, ocorre que os tópicos se inter-relacionam e formam infindáveis formas de ser no mundo, tal como uma mistura de matizes de cores ou as letras do alfabeto formando palavras, frases, textos, etc.
            Os atendimentos terapêuticos contribuem para o acúmulo de experiência do filósofo clínico, porém, visto que cada pessoa é um universo distinto, nunca os atendimentos serão iguais para diferentes partilhantes; o filósofo clínico não sabe de antemão o que encontrará em cada singularidade que o procurará.
            Pois bem. Algo levou uma pessoa a procurar pelos trabalhos do filósofo clínico. Esta pessoa é denominada partilhante. A pessoa não é chamada de paciente ou de cliente, como em algumas outras abordagens psicoterápicas e outras áreas do conhecimento a concebem. Os motivos? Paciente remete a alguém doente que está (paciente) entregue aos cuidados de outrem, o que não ocorre em Filosofia Clínica, visto que aqui não utilizamos a nomenclatura de normalidade e patologia, saúde e doença. E cliente não se aplica por conter certa frieza e um ar meramente comercial. Trabalhamos com pessoas, com existências, então nada mais justo que denominar partilhante a pessoa que irá compartilhar os caminhos existenciais com o terapeuta, com o filósofo clínico.
            Então o partilhante chega ao consultório. Não necessariamente as sessões são entre quatro paredes. Alguns preferem fazer a terapia num café, ou num parque, ou numa praça, ou caminhando em alguma direção. São várias as possibilidades. Há o encontro entre partilhante e filósofo clínico, o que este fará? A princípio conversará informalmente com o partilhante, ouvirá o que o trouxe à clínica, explicará em termos gerais como se dá a terapêutica filosófica e falará como serão os encontros. É um exemplo didático, que nem sempre se dá nesta ordem.
            O assunto que a pessoa inicialmente trouxe à clínica pode não ter nada a ver com o que realmente será trabalhado na terapêutica. Pode ser apenas algo sintomático, uma queixa que resulta de alguma outra demanda. O assunto último, aquele que norteará o planejamento clínico é elucidado no decorrer da clínica. Às vezes é fácil identificá-lo, às vezes é muito trabalhoso para o clínico, dependendo do caso. 
             Então o filósofo clínico pedirá que o partilhante fale sobre sua história de vida, o que ele lembra desde os tempos mais remotos. Como história é o que de fato ocorreu e o relato disso não é mais história, sim uma interpretação do que foi vivenciado, a isso chamamos historicidade. Alguns elencam aspectos desde o início da vida, 2, 3 anos. Outros só passam a lembrar de episódios a partir de 5, 6 anos, da época da escola e assim conforme a singularidade de cada um. Alguns não conseguem retomar do início e o caminho é ir retrocedendo cada vez mais até chegar ao passado. É impressionante como cada pessoa possui uma estruturação única, singular, inigualável.
            O filósofo não direcionará a narrativa do partilhante, tampouco interromperá com questionamentos por hora inúteis. Agora o que se busca é ordenar a historicidade e o filósofo utilizará suas ferramentas para tanto. Não é à toa que a formação em Filosofia Clínica exige, em média, 3 a 4 anos para ser concluída, pois envolve clínicas didáticas e estágios supervisionados, tudo devidamente registrado e acompanhado pelo Instituto Packter, pelos Centros de Formação e pelo Conselho de Ética da ANFIC – Associação Nacional de Filósofos Clínicos.
            E se a pessoa não utiliza a fala como meio de expressar? Se ela fala dela mesma, de sua historicidade através da escrita, ou por desenhos, ou por esculturas? Cabe ao filósofo clínico trabalhar com a pessoa através do que é mais producente a ela. Ele tem habilidades para não deixar que isso seja um empecilho à clínica.
            O conteúdo da historicidade é o que preencherá os tópicos da EP, que o filósofo monta quando esgotada esta primeira etapa da clínica. Quanto tempo isso leva? Talvez semanas, ou meses, dependendo de como é a historicidade que se apresenta diante dele. Ao mesmo tempo que o filósofo está atento à forma como a pessoa está estruturada, como está a EP desse partilhante, ele verá como a pessoa costumeiramente resolveu seus problemas no decorrer da vida. Isso é de grande valia para o desenvolvimento da clínica.
            Agora que a o filósofo clínico já sabe o assunto último, aquele que precisa ser trabalhado e que a EP do partilhante já está montada, resta organizar o planejamento clínico e aplicar os procedimentos clínicos, também chamados de submodos, com o partilhante. São 32 procedimentos clínicos que podem ser utilizados individualmente ou mesclados, dependendo do objetivo clínico. Os submodos podem compor uma variedade enorme de possibilidades de aplicação, semelhante ao que ocorre com os 30 tópicos da EP.
            O filósofo saberá o que pode fazer e como fazer para ajudar a pessoa, pois a trajetória da clínica o permite a chegar a tais conclusões. Os choques estruturais que fizeram a pessoa procurar a terapia foram identificados e o filósofo trabalha com o partilhante novos caminhos para o exercício existencial.
            Vale ressaltar que a terapêutica em Filosofia Clínica parte da pessoa, ou seja, não é algo estabelecido aprioristicamente. Os rumos do trabalho se dão de acordo com o que está sendo visto no diálogo das singularidades. Como cada pessoa possui uma estruturação, é digno que a terapêutica dela seja aplicável a ela e de forma que não afronte seu modo de ser no mundo.
            Espero ter dado uma explanada de modo que tenha possibilitado o entendimento, ao menos em termos gerais, de como a Filosofia se tornou Clínica e de como se dá o processo terapêutico nessa abordagem. Como dito no início, não é em alguns parágrafos que se encerra uma explicação ou caracterização da Filosofia Clínica. Fica, então, o convite para buscar mais informações e conhecer mais sobre os temas aqui relacionados.
            Em www.filosofiaclinica.com.br é possível ler e baixar o livro Propedêutica, de Lúcio Packter e ter acesso a outros conteúdos. Lúcio possui outros títulos publicados, assim como Monica Aiub, Helio Strassburger, José Maurício de Carvalho, Marta Claus, Nichele Paulo e mais alguns filósofos clínicos e especialistas da área que apresentam a Filosofia Clínica em seus mais variados aspectos.
*Everton Augusto Corso, especialista em Filosofia Clínica,  Centro de Filosofia Clínica de Chapecó/SC.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rita Lee não é marginal, não (apesar da atitude rock´n´roll)

Lá vou eu para outro tema polêmico...

Após o último show da carreira de Rita Lee, que ocorreu nas proximidades de Aracaju, Sergipe, ela foi parar na delegacia. O motivo alegado é que ela teria xingado os policiais e utilizado palavras de baixo calão para tanto.
Bem, de cima do palco a cantora avistou policiais usando a força (ou literalmente descendo o cascetete) contra um grupo de seus fãs que supostamente estaria fumando maconha. A reação foi imediata e Rita Lee xingou mesmo os policiais.
Os fatos são estes. Já as interpretações dependem de vááários aspectos.

Em nosso país, legalmente falando, não é permitido o uso da maconha. Porque? Por que, segundo nossas leis, é uma substância entorpecente ilícita.
Da mesma forma, não é justificável o abuso da força por parte do Estado, no caso representado pelos policiais.
Até a própria cantora poderia ter contornado a situação com mais cautela, mas...

Antes de mais nada, quero deixar claro que não uso drogas. Consumo diariamente muito lixo advindo das mídias. Isso talvez seja mais prejudicial que um baseado, mas as mídias não são tratadas como ilícitas. 

Porque não se pode fumar maconha, mas se pode fumar cigarro (que tem milhares de substâncias prejudiciais à saúde) e beber cerveja, wiski e tudo o mais que tenha elevados teores álcoolicos? Talvez seja algo para ser pensado.

E porque há necessidade de omissão perante coisas julgadas como incorretas, abusivas, excessivas? Pelo que recordo, a liberdade de expressão está na constituição, não é???

Não quero entrar em delongas.
Exagero. Exagero dos policiais por utilizarem de força desproporcional, exagero da Rita Lee por usar palavrões pesados como fez e exagero dos que estão tentando fazer da rainha dor rock uma delinquente/criminosa.
Tem muitas coisas mais sérias para serem resolvidas nesse cabaré chamado Brasil.
E para quem servir o chapéu, aí vai:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Polêmicas do BBB

Não sou um aficcionado pelo Big Brother Brasil. Confesso que fui um espectador assíduo da primeira edição do programa, ainda no ano 2000. Quando tudo era novidade eu achava o negócio um tanto atrativo. Pois é, achava.
Acompanhar as formas de expressão de cada participante, observar seus comportamentos, jeitos, trejeitos e xiliques é, de certa forma, um exercício. Bem, essa observação nada tem a ver com julgar a pessoa que está lá. Pode parecer estranho para alguns, mas eu consigo entender o contexto, as circunstâncias do jogo sem incidir em préjulgamentos. Se bem que quem entra na casa já deve estar ciente que o público em geral julga mesmo; por um ou dois atos o público já sai dizendo quem é do bem e quem é do mal, quem é o mocinho e quem é o bandido, quem é a santinha e quem é a puta, e assim por diante.

Nos últimos dias tem muita coisa na internet, na TV, no rádio, nos jornais sobre um soposto estupro que teria acontecido depois da primeira festa do BBB 12. Já ouvi várias pessoas comentando sobre o assunto. Eu mesmo postei no meu Facebook "Mesmo que uma garota seja promíscua, use roupas curtas e rebole na minha cara, esteja bêbada ou drogada com o que quer que seja... ainda assim eu não tenho o direito de fazer algo com ela sem seu consentimento. Até para fazer "cagada" tem que ter ATITUDE e RESPONSABILIDADE. Se é homem/mulher para fazer, o mínimo que se espera é que o seja também para asssumir".
Não quis ser tendencioso com meu comentário. Pelo contrário, não atribuí responsabilidade pelo acontecido nem ao rapaz, nem à moça.   

O que realmente houve? Fora os julgamentos e acusações de todos os lados e de todos os tipos, sabe-se lá o que pode ter acontecido. Pelo que vi dos vídeos que encontrei na internet, percebi um movimento que parece, sim, ser de ato sexual. Não consegui distinguir se a garota estava desacordada ou não - aparece o braço dela imóvel sobre o edredon, mas isso não implica que esteja desacordada, pode estar apenas imóvel.
Se é que houve o ato sexual sem o consentimento da garota, o rapaz tem de ser penalizado, sim, pois isso caracteriza abuso. O termo estupro talvez esteja sendo algo forçado e forjado pela mídia sensacionalista.
O jogo de interesses, com acusações, defesas, troca de ofensas e tudo mais, apenas começou. A emissora detentora dos direitos do programa é que agradece. Enquanto a justiça tenta apurar o caso, as atenções continuam voltadas ao programa. Audiência, IBOPE, grana...

Tico Santa Cruz escreveu seu blog algo que merece nossa atenção:
"Vale a pena usar um caso de repercussão tão grande para fazermos uma AUTO-ANÁLISE sobre o que estamos fomentando, o que estamos consumindo, quem estamos exaltando, o que esperamos de nós mesmos, em quem podemos confiar, qual é  tipo de exemplos que estamos oferecendo, como educamos nossos filhos, o que podemos melhorar e qual será nosso grau máximo de Tolerância. No mínimo  SEGUIREMOS NA NAVE BRASIL com alguma lição diante de tantos acontecimentos.
Ou então, que possamos assumir de vez nossa esquizofrenia coletiva"
.

Que cada um pense o que quiser a respeito de todo esse circo.
Pensar às vezes é um bom incício para sair da inércia, para ver que há possibilidades para além do pensamento e do comportamento de manada. Talvez partindo de temas polêmicos fomentados pelos reality shows seja um bom começo...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Firme e forte!

O caminho é longo e com algumas bifurcações. Mesmo que você sofra influências biológicas/instintivas, psicológicas e sociais, a decisão de qual caminho percorrer ainda é sua.
Acaso seus pés estejam descalços, pisando em pedregulhos pontiagudos, não se esqueça de se fortificar com as cores e os cheiros das flores, os desenhos das nuvens e tudo mais que esteja ao redor.
Caminhe no seu ritmo. Respeite as singularidades e as diferenças que encontrares por aí.
Viva intensamente cada experiência, tanto as que já vem de tempos quanto as novas. Dê um pouco mais de si neste ano que se inicia. 
Mesmo que tenhas que retroceder alguns passos para garantir a firmeza dos que ainda virão, não se deixes abater. Siga firme e forte.
Que 2012 traga realizações para a existência de cada um.
Abraço de paz.  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sala de aula III

Já expus algumas de minhas opiniões em Sala de aula I e em Sala de aula II. Prossigo, então, com algumas considerações sobre a educação.

Miguel Arroyo publicou um livro chamado Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens (Petrópolis, RJ: Vozes, 2000), no qual aborda temas relevantes sobre o contexto educacional brasileiro. Ele faz uma retomada histórica dos caminhos que o processo de ensino-aprendizagem percorreram até estarem como hoje estão estabelecidos. Quando Arroyo fala em educar, ele se refere a educar para a vida, ou seja, uma educação que transcende as quatro paredes da sala de aula e os conteúdos a serem desenvolvidos no decorrer do ano letivo. É uma espécie de humanização, um rompimento com algumas noções tradicionais sobre o que se entende por educação.
O papel do professor, por esta lógica ou por esta ótica, seria, então, além de ensinar, educar. Porém, ao que me parece, muitos docentes estão se restringindo cada vez mais a ensinar. Claro que em muitas situações percebemos alguns professores incorporarem o papel existencial de mestres, conduzindo, além do ensino, a educação dos seus alunos, visto que a família de certa forma terceiriza esta tarefa para a escola. 
Para o autor, a escola deve ser um espaço para desenvolver as potencialidades dos alunos enquanto seres humanos, não um ambiente limitador que reproduza as opressões que a sociedade impõe aos mesmos. Em suas palavras, "A escola e nossa prática docente não tem que reproduzir necessariamente a sociedade injusta e discriminatória que aí está." (p. 64). Dar visibilidade aos alunos e tentar compreender sua forma de ser é uma tarefa indispensável neste processo. Não menos importante é romper com a visão que encara os alunos meramente como números. Há a necessidade de resgatar a humanidade e tratar as pessoas como pessoas, não como coisas.
Nesta perspectiva, a escola deve ser ambiente de diálogo, onde todos possam expressar seus anseios, suas dificuldades, mostrarem-se em suas singularidades. "No silêncio os alunos poderão aprender saberes fechados, competências úteis, mas não aprenderão a serem humanos. Não aprenderão o domínio das múltiplas linguagens e o talento para o diálogo, a capacidade de aprender os significados da cultura." (p. 165).
Vale ressaltar que o autor não crê em magia que vá fazer isso se tornar possível imediatamente. São os pequenos gestos e afazeres diários que irão mudar o cenário, tanto para os educadores quanto para os educandos. E ele deixa um recado: se o aluno não se motivar e não se interessar em saber, não há mestre que o faça aprender.
Fica a dica para a leitura da obra, que aborda muitos outros temas além desse recorte que fiz.

Abraço. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dos mecanismos de defesa

Estava eu dando uma olhada nos meus materias e encontrei esse resumo sobre mecanismos de defesa.
Não lembro de onde resumi isso.
De qualquer forma, se for útil para alguém...
Correções, ajustes, dicas, etc e tal podem ser compartilhadas por comentários aqui o no e-mail.

As defesas são tentativas do Ego inconsciente em manter o aparelho psíquico “equilibrado”, por assim dizer. Elas se dão quando surgem os conflitos psíquicos, ou seja, quando o Ego busca mediar ou impedir que a energia do Id, a energia instintual que visa o prazer, seja descarregada, pois o Superego, as convenções culturais aprendidas, choca-se ou impossibilita tal descarga.

Quando o mundo exterior adquire as características de uma instância, de Superego (na segunda tópica freudiana), passa a contribuir tanto para a formação do Ego quanto para as defesas. Em algumas situações o Ego rejeita essa realidade externa como uma forma de manter o equilíbrio do aparelho. A rejeição total do mundo exterior, por outro lado, como Freud já mencionava, abre margem para que se obedeça somente os instintos, o Id, e isso seria/é a essência da psicose. Como que numa função de balança, o Ego efetiva defesas para que o aparelho psíquico mantenha um equilíbrio.
O sentimento de culpa se dá, então, quando o Ego, obedecendo uma exigência do Id, do instintos, vê as possibilidades de execução dessa descarga impossibilitada, devido às oposições de elementos externos, culturais, do Superego. Em todos os conflitos, portanto, existem os sentimentos de culpa, visto que nos conflitos há a um “desejo” do Id, interno, instintual, um “contradesejo” do Superego, externo, e o ponto onde se dá esse conflito, o Ego.
O Ego é “aculturado”, pois se depara com as normas estabelecidas, que formam o Superego, e esse movimento fica registrado no aparelho psíquico como formas de refrear, suprimir ou adiar a conduta instintiva o Id. A culpa, então, é uma forma de ansiedade, visto que ela surge da tensão entre Ego e Superego. A angústia que resulta daí é determinante na formação e ativação da defesa.
“Uma pessoa não adoece por possuir defesas e sim pela sua ineficácia ou pelo mau uso que faz delas.”
Os mecanismos de defesa têm uma função de manter o equilíbrio do sistema, homeostase, e são desencadeados automaticamente e inconscientemente quando o sujeito depara-se com algo que lhe representa perigo ou traga a possibilidade de desprazer.
O primeiro grande mecanismo de defesa investigado por Freud foi a repressão (recalque), que consiste em um esforço do aparelho psíquico para manter alguma representação no inconsciente, pois a entrada de tais conteúdos na consciência poderia desencadear desprazer. Desta forma, o que efetivamente vêm à consciência são derivados daquelas representações originais que já não provocam mais perigo. Dizemos, então, que o recalque o sistema consciente e o mundo exterior do inconsciente.
As resistências dos pacientes, quando nas livres associações dos atendimentos clínicos o mesmo silencia, hesita, recusa, indica que o trabalho associativo aproxima-se com perigo da representação original.
O recalque tornar-se-á patológico devido a um defeito ou excesso quantitativo. Cabe ressaltar que os modos de utilização deste mecanismo dependem da pessoa e da problemática em questão.
Em psicanálise, o sujeito é governado por seus instintos. Freud já assinalava que existem núcleos psíquicos independentes, o que vem corroborar com idéia de divisão, cisão. A cisão do Ego, enquanto mecanismo de defesa, sugere que esta é uma forma de resolução de um conflito, não fonte deste, na qual há uma separação de duas partes para evitar um conflito.
Projeção = atribuir a objetos externos propriedades ou características que o sujeito desconhece em si mesmo.
Deslocamento = consiste em transferir características de um objeto para outros que tenham algum elemento em comum ou próximo. Este processo permite a manutenção de vinculo com o objeto primeiro, o que se observa em casos de fobia.
Regressão parcial = se dá quando a pessoa não consegue resolver algum conflito e regride a uma fase anterior (à qual se fixou) na qual a problemática se resolveria (o que trás consigo representação infantis e/ou da fase a que se regrediu).
Introjeção = quando o sujeito toma para si, assimila atributos ou qualidades de algo exterior.
Isolamento = evita-se a contaminação com objeto perigoso.
Inibição = decréscimo ou inexistência de alguma função do Ego.
Formação reativa = reação que consiste na realização do oposto do que o inconsciente quer rejeitar.
Sublimação = adaptação das pulsões do Id que, em harmonia com o Superego, se satisfazem em prol do aparelho psíquico e das normais sócias (não me ficou muito claro).
Negação = usando a partícula NÃO a pessoa nega algo que foi admitido pela consciência.
Identificação projetiva = “o sujeito se introduz, parcial ou totalmente, no interior do objeto, com a finalidade de controlá-lo, possuí-lo e ferí-lo”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Só em dezembro?

Dezembro me parece ser o mês do remorso, da consciência pesada, do arrependimento.

É incrível como tem gente que passou o ano todo dando calote, enganando, mentindo, fingindo, passando a perna, puxando o tapete ou jogando a sujeira para baixo dele e chega nesta época do ano com ar de bom samaritanto, de santinho e até mesmo de coitado. Se bobear, tais pessoas te convencem da existência do Papai Noel.

Tudo bem, eu sei que é uma época de reflexão, etc e tal.
Pois então, que cada um pare um pouco e pense que não é somente quando se aproxima final de ano que o outro merece ser compreendido e respeitado.

Na real, eita épocazinha de hipocrisia e falsidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Indignado? Ah vá!

Bem, como diz o Mc Guri, do Pretinho Básico (programa de entretenimento da Rádio Atlântida)  "tá ruim pra todo mundo." 
Pois bem, vamos como o Jack, o Estripador: por partes.

As leis existem ou são criadas para? Muitas respostas são possíveis para esta indagação. Podem servir para que a nação prospere, se desenvolva, cresça e apareça, para beneficiar alguém ou alguma classe, para promoção política ou tantos outros interesses.

Aos fatos. O Sr. Tarso Genro,quando Ministro da Educação no Governo Lula, foi um dos idealizadores da Lei 11.738, de 16 de julho de 2008, que versa sobre a regulamentação do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Trocando em miúdos, foi estabelecido que o professor deveria receber um valor em R$ por sua jornada de trabalho. O Sr. Lula saiu da presidência e entrou a Sra. Dilma e nada do tal piso chegar ao bolso do professor.  

Agora Governador do Estado do Rio Grande do Sul, o Sr. Tarso reluta em repassar aos professores o que por direito lhes foi concedido pela Lei por ele assinada em 2008. A Governadora anterior, Sra. Yeda havia entrado com uma ADIN, Ação Direta de Inconstitucionalidade, junto ao Superior Tribunal Federal. O STF deu parecer favorável à constitucionalidade da Lei. Não satisfeito com a derrota, a Procuradoria Geral do Estado pediu prazo de 18 meses para implantar o pagamento, o que estende o prazo até meados de outubro de 2012.
O Governador afirma que irá pagar o piso aos professores ainda em sua gestão, porém não há nenhum indicativo de quando, de quanto por cento em tal ou qual época. Isso desencadeou um grande descontentamento por parte dos professores e movimentações por parte do CEPERS, sindicato representante da categoria.

Na última sexta-feira, 18, houve Assembléia Geral do sindicato, em Porto Alegre. Todos os núcleos do CEPERS estavam reunidos e na pauta o assunto mais discutido, sem dúvida alguma, foi a implantação do piso nacional. Na Assembléia o CEPERS optou pela parada dos profissionais da educação, ou seja, GREVE até que haja um posicionamento mais claro do Governo.
Os dados divulgados na mídia não são conclusivos e não se sabe ao certo a porcentagem de escolas e professores que aderiram a greve. Há claramente um entrave político entre sindicalistas e militantes do Governo. Nem sempre é possível identificar quem faz parte do que; como diz o ditado, "aí tem lobos em peles de cordeiros."

É sabido que uma greve agora prejudica as férias tanto dos alunos quanto dos professores. Claro que os vestibulandos e ingressos em universidades serão lesados. Isso tudo foi pensado pelo sindicato e a greve nesta época é proposital para ver se o Governo se agiliza; é uma forma a mais para pressionar e lutar pelos direitos que a Lei adjudicou a favor dos professores. 

A explicação mais utilizada na mídia é com as cifras (R$). Dizem que o Estado não tem como investir um montante em dinheiro no pagamento do piso, ao menos integral e imediatamente. O que os professores cobram, volto a dizer, é um posicionamento mais firme, não apenas a postergação desse direito.

A minha opinião sobre tudo isso? Alguns podem dizer que ela de nada importa, mas tudo bem. 
A greve é oportuna para que a pressão seja feita. Muitos outros profissionais de outras categorias param, fazem greve, lutam pelos seus direitos. Mas nenhuma deles é tão atacada quanto os professores.
Não me agrada e não me convence o argumento de que o Estado está quebrado e não tem dinheiro para esse investimento. Quando os Deputados Estaduais do Rio Grande do Sul aumentaram em 70% seus salários para o início deste ano, nem a mídia e nem o Governo chiaram. Quer dizer, para uns tem, paro outros não. Ou melhor, só tem para quem já tem; para quem tem pouco, que continue com este pouco.
Ressalto que a greve não está estabelecida somente pela questão do salário defasado. Quem vivencia o ambiente escolar, sabe que a educação está sofrida. A luta é por melhores condições de trabalho e, o mais importante, por RECONHECIMENTO.

Peço que olhem para a educação com olhos mais apurados, poooor favor.
Como está não dá pra ficar.

E para finalizar, deixo uma citação do revolucionário Bakunin.
"Só desejo uma coisa: conservar até o fim dos meus dias com toda integridade, o dom, para mim sagrado, da indignação!
A forte atração pelo fantástico é um defeito capital de meu ser, a tranquilidade me aborrece."

Encontre sua paz.
E que ela não esteja no comodismo ou na alienação.

Abraçoo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que você vê e ouve pode não ser bem o que ocorreu

Em tempos de grande intervenção do governo sobre a liberdade individual dos cidadãos, ficar atentos à manipualção midiática é indispensável.
O trecho abaixo pode ajudar a clarear o que quero dizer com isso:

"As forças propulsoras por trás do jornalismo, visando basicamente à maior audiência, levam a uma deturpação condenável da cobertura dos fatos. [...]
Indevidamente utilizada, a mídia pode se transformar numa máquina de lavagem cerebral, cuja distorção dos fatos consegue chegar ao absurdo de total inversão de causalidade. Em um mundo ansioso por explicações rápidas e simples, e sempre em busca de culpados claros, fruto de uma visão maniqueísta, a mídia adquire um poder estrondoso.
Imaginar uma mídia responsável e imparcial, que cumpre seu fundamental papel em uma sociedade aberta, parece apenas um sonho distante."

CONSTANTINO, Rodrigo. Prisioneiros da Liberdade, Belo Horizonte: Soler Editora, 2004

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quanto vale a vida?

"Quem souber, fale em alto e bom som!"

No caso que cito abaixo, uma vida custa R$ 3.000,00.
Absurdo!

Um imprudente que atropela e mata duas pessoas, bate em uma mureta de proteção da rua e derruba um poste de iluminação pública não estava trafegando a 40km/h. Ou seja, essa criatura estava acima do limite da velocidade permitida. E o agravante é que ele estava embriagado, bêbado. Após ceifar duas vidas e causar prejuízos ao patrimônio público, o delinquente foi levado à delegacia e solto na mesma noite após pagar multa de R$ 6.000,00. Agora ele vai responder por homicídio e não sei mais o que em liberdade. Sabe o que vai acontecer? Nada. Não vai acontecer nada porque esse assassino em potencial tem grana e a justiça brasileira, infelizmente, não tem atuado coerentemente com quem tem uma boa conta bancária.
Triste realidade.