Um pouco de tudo... e também de nada.
Aqui expresso minhas representações acerca do que penso, sinto, faço, vivo...
Originalidade?
Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo. As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor. Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso. Divirta-se ou se entristeça. Boa viagem!
Estar junto de alguém é algo mais que a companhia dessa pessoa. Rola um lance de conexão que se dá mesmo sem o contato físico. Telepatia? Coincidências? Algo que não tem nome? Ou seria só um coração sinalizando para o sistema nervoso central os delírios de uma paixão? Um sms que não vem. Uma ligação que não vem. Nada dos sons que indicam uma mensagem nos sistemas de comunicação on line. Você poderia pensar que a outra pessoa não está nem aí para o fato de você estar vivo ou morto, literalmente cagando com a tua situação. Mas não; todo(a) cheio(a) de si, você pensa que o mundo dela está na mesma vibe que o teu, que ela está pensando alguma coisa que diz respeito à você, que só não te procura porque está fazendo todo aquele joguinho de Tom e Jerry que os flertes costumam ter. E suas noites costumam ser deprimentes porque os sinais não vem. Você até risca a segunda frase deste texto, pois já não há mais a mínima possibilidade de estar conectado a alguém sem estar ao lado dessa pessoa. De tão decepcionado, risca até mesmo a primeira frase deste texto, justificando que não precisa estar com ninguém além de si próprio(a). Dispara: "mentirosa(o)!", "canalha!" e tantos outros adjetivos que podem passar longe do que seja a outra pessoa. Ele(a) não ter aceitado algo contigo, ter te boicotado, te dado um fora, um bolo, um toco não quer dizer que ele(a) seja isso que agora está pensando dele(a). Até há pouco aquela pessoa era um anjo, agora já se tornou o anjo caído que começou toda a bagunça entre o bem e o mal no planeta terra. Então universaliza uma vivência e impermeabiliza suas emoções com base em apenas um relacionamento que deu em nada. Que pena! Assim acaba se fechando para experiências ímpares que poderiam ocorrer logo ali em diante. E tem muito disso, viu?!
*Ouvindo esta canção do Lobão vim aqui e despejei estas palavras.
A transição da noite para o dia é bela. A lua, as estrelas e o sol dividem quase o mesmo espaço no céu. Os tons que nascem desta combinação são um tanto interessantes. Adiciona-se a isso o perfume afável de quem se repousa tranquilamente ao teu lado. Uma mistura e tanto que provoca emoções tão intensas que por palavras não podem ser expressadas. Aliás, palavra alguma precisa ser dita num momento assim. Os olhos costumam manifestar aquilo que está no coração. A cabeça e o corpo pesados clamam por horizontalidade e nenhuma perturbação. Ao longe, o som dos pássaros a cantarolar; ao lado, a respiração suave daquela pessoa que aos poucos vai mergulhando nos estágios iniciais do sono, ajudada pelo toque nos cabelos, no pescoço, nos ombros... Que momento magnífico, orgástico. Feito de coisas simples, de forma espontânea e carinhosa, sem cobrar nada em troca. Depois disso o sono fica mais gostoso, o despertar é mais alegre, o dia é mais prazeroso, a vida fica mais colorida. *Viajando nos embalos de Dear God - Avenged Sevenfold
1- Sobre o espírito livre (Espírito livre , um conceito relativo):
"Chama-se espírito livre àquele que pensa de forma diferente do que se espera dele, em virtude de sua origem, do seu meio, da sua posição e do seu ofício, ou em virtude dos pontos de vista dominantes da época. Ele é a exceção, os espíritos subordinados são a regra. [...] Ele terá ao seu lado a verdade, ou, pelo menos, o espírito da busca da verdade: ele exige razões, os outros, crenças."
2- Sobre a origem da crença (Origem da crença):
"O espírito subordinado não toma a sua atitude por razões, mas por hábito; é, por exemplo, cristão não porque tivesse examinado as diferentes religiões e escolhido entre elas, é inglês não porque se tivesse decidido pela Inglaterra, mas porque encontrou o cristianismo e a nação inglesa e os adotou sem razões, como alguém que nasceu num país vinícola se torna bebedor de vinho. [...] Obrigue-se, por exemplo, um espírito subordinado a apresentar as suas razões contra a bigamia, e verificar-se-á, então, se o seu zelo sagrado pela monogamia assenta-se em razões ou no hábito. É a habituação a princípios espirituais sem razões que se chama crença."
3- Sobre os homens ativos e escravidão (Principal defeito dos homens ativos):
"Aos ativos falta, habitualmente, a atividade superior: refiro-me à individual. Eles são ativos enquanto funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como seres genéricos, mas não enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e únicas [...] Todos os homens se dividem, como em todos os tempos também ainda atualmente, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços do seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito."
A frase do título do post é de um dos precursores do existencialismo, Fiódor Dostoiévski. Nunca tinha lido nada deste autor, até que numa visita a uma banca de revistas vi um livro em edição de bolso com partes de Notas do Subsolo e de O Grande Inquisidor, capítulo de Os Irmãos Karamázov. Deixo aqui algumas citações que destaquei deste escritor que considerou o momento histórico a que o homem está submetido e compreendeu nossa grandeza trágica, já que estamos divididos entre nossa liberdade e nossos abismos mais profundos. Boas reflexões. "Jamais consegui me tornar nada, nem mesmo me tornar malvado; não consegui ser belo, nem mau, nem canalha, nem herói, nem mesmo um inseto. E, agora, termino a existência no meu cantinho, onde tento piedosamente me consolar, aliás, sem sucesso, dizendo-me que um homem inteligente não consegue nunca se tornar alguma coisa, e que só o imbecil triunfa. Sim, meus senhores, o homem do século XIX tem o dever de ser essencialmente destituído de caráter; está moralmente obrigado a isso. O homem que possui caráter, o homem de ação, é um ser essencialmente medíocre. Tal é a convicção de meus quarenta anos de existência." "O homem se vinga porque considera que isso é justo. Encontra então o princípio fundamental que procurava: é a justiça." "O homem é bruto, terrivelmente bruto, ou, melhor dizendo, não é tão bruto quanto ingrato, e é difícil encontrar quem seja mais ingrato que ele." "Nossos desejos se enganam muito frequentemente, porque nos enganamos na avaliação dos nossos interesses." "Se o coração não é puro, a consciência não pode ser clarividante, nem completa". "Todo homem honesto em nossa época é necessariamente um covarde, um escravo." "Os pais amam sempre as filhas, mais que as mães. As filhas são geralmente felizes na casa paterna." "Ninguém deve conhecer o que se passa entre marido e mulher, se eles se amam verdadeiramente. Quaisquer que sejam as desavenças, não devem tomar como juiz nem mesmo sua mãe e nem contar seja o que for. São eles mesmos os seus próprios juízes. O amor é um mistério divino e que deve permanecer escondido aos olhos de todos, aconteça o que acontecer. É melhor assim, é mais santo." "Oh maldito romantismo dos corações puros! Oh vileza! Oh burrice! Oh mediocridade dessas vulgares almas sentimentais." "Não tenho vergonha da minha pobreza... Ao contrário, estou orgulhoso dela. Sou pobre, mas sou honesto." "Não há nada de mais sedutor para o homem que o livre arbítrio, mas também nada mais doloroso."
Vejamos uma mesma história, porém por paradigmas distintos. Que cada um(a) analise e possa refletir a respeito. A cena é a seguinte. Um pai de família está ocupado ajudando sua esposa a preparar o almoço. Ele pede, então, que o seu filho vá até a padaria e compre pães. A cédula de dinheiro que o pai dá ao filho é do valor total de pães que a família necessita, ou seja, uma nota de R$ 5,00. O filho recebe a seguinte orientação: "filho, vai na padaria, fazendo favor, e peça cinco reais de pães". Uma dica simples para um adulto, talvez um pouco complicado para Joãozinho, um menino de 8 anos pouco acostumado a fazer compras. O garoto se desloca até a padaria e ao chegar no balcão a atendente nem o cumprimenta e já recebe o pedido: "tia, eu quero cinco reais de pães". Ela providencia os pães e a criança entrega os R$ 5,00 para ela. Provavelmente por ter confundido a cédula de dinheiro, a atendente vai até o caixa e trás R$ 5,00 de troco para Joãozinho. Como ainda não tem propriedade sobre como funciona essa coisa de fazer compras, Joãozinho volta para casa com os pães e com R$ 5,00. Surpreso, seu pai pergunta se ele deu o dinheiro para a tia da padaria. Joãozinho afirma que sim. E que ela foi no caixa e devolveu esse dinheiro de troco. Paradigma 1 O pai certamente percebe que a atendente se equivocou na devolução do troco para o Joãozinho (neste caso específico não havia troco a ser devolvido). Ele se dirige com Joãozinho até a padaria, pede que ele mostre quem o atendeu e então chama a moça. "Senhora, meu filho esteva aqui há pouco. Eu dei R$ 5,00 para ele e pedi que ele levasse em pães, mas ele voltou com os mesmos R$ 5,00. Acho que a senhora se enganou. Não precisava devolver troco algum. Esses R$ 5,00 são da padaria. Desculpa o inconveniente. Tenha um bom dia". E logo explica para o Joãozinho que aquele dinheiro não pertencia à família, que a tia da padaria tinha se enganado e que o dinheiro tinha que ser devolvido, porque isso era a coisa certa a se fazer. Pai e filho seguem, então, para casa onde se juntam com a esposa/mãe para confraternizaram no almoço. Paradigma 2 O menino chega com os pães e com os R$ 5,00. Ao devolver o dinheiro para o seu pai, este ri e comenta com a esposa "olha só que otária aquela mulher da padaria, devolveu troco para o Joãozinho e nem precisava devolver troco algum". Ele dá o dinheiro para o menino e diz para ele comprar pirulitos ou fazer o que quisesse com o valor. O menino corre para a rua, o pai fica almoçando no sofá, em frente à televisão, enquanto a esposa almoça sozinha à mesa. Eu sou adulto e meu prazo de validade está se esgotando. Mas tem muita criança que tem uma vida inteira pela frente. Que educação estamos passando para elas? Quais os valores e exemplos elas estão recebendo de nós? Queremos um mundo melhor no futuro (partindo do aqui e agora, sem deixar para depois) ou pouco importa no que vai virar esse planeta? Somos livres para pensar. Façamos isso! E que os laços entre o discurso e as atitudes se estreitem, que diminua o precipício entre a teoria e a prática.
Não quero tratar do tempo de forma ampla e profunda, como fez Kant. O alemão era 'expert' em metafísica e talvez tenha sido quem mais se dedicou a esta categoria.
Muitas pessoas, após um evento traumático, seja um acidente, o término de um relacionamento, a perda de um ente querido, costumam dizer que o tempo é o melhor remédio. Quando eu ouço isso, penso com meus botões: se tempo fosse o melhor remédio, será que não teria tempo em gotas, em ampolas e pílulas à venda nas farmácias? Siiim, de fato o tempo é o melhor remédio para algumas pessoas, em determinadas circunstâncias. E para tantas outras, o tempo passa e não produz efeito algum sobre os percalços que as assolaram. Como diria meu querido Wil Goya, "sem contexto, tudo é nada".
Não há como parar o tempo. Podemos raptar todas as pilhas de relógios de pulso, de parede e de bolso (ah, estes acho que existiam só num tempo muito remoto - ou será que os relógios de bolso sobreviveram ao tempo?), podemos incendiar todas as baterias de celulares, iphones, tablets, notbooks, computadores de mesa, podemos derrubar as torres das catedrais e seus gigantescos instumentos que indicam os horários em que os sinos soam... e ainda assim o tempo continuará nos ignorando. Nós é que não temos como ignorá-lo. Estamos presos ao tempo. Ou melhor, aos tempos. Costumamos jogar passado, presente e futuro no liquidificador da vida e ligamos o aparelho na valocidade máxima. Seja o que for que resulta disso, lá está o tempo a circundar nossas escolhas, nossas lembranças, nossas vivências, nossas projeções. Tempo objetivo, marcado pelo relógio. Tempo subjetivo, aquele que acreditamos controlar.
Para algumas pessoas, tempo amigo, bom aliado na cicatrização de chagas profundas. Para outros, tempo desgraçado, que insiste em infeccionar as feridas. E saber que o tempo está nem aí cagando para nós...
Já o mau tempo, aquele que vem acompanhado de fortes rajadas de vento e de trovoadas que transformam a noite em dia por alguns segundos, mudando a coloração do céu e o ritmo dos batimentos cardíacos, esse eu passei a temer depois que num temporal minha casa foi descoberta. Eita sensação desagradável cada vez que o céu vai dando sinais de que a natureza está revoltada com as atrocidade cagadas que o ser humano fez ao longo da história.
A boa notícia é que o mau tempo já não me preocupa mais como há puco tempo atrás. Tenho experimentado ouvir música com fone de ouvido no volume mais alto que o barulho provocado pelo mau tempo. E não é que tem dado certo?! E minha mãe tem se mostrado uma santa no quesito espantar tempo feio. Ela anda pela casa toda, faz caretas, esfrega as mãos, lê trechos da bíblia, joga água benta pela janela, fuma uns cigarrinhos para tentar aliviar a tensão... O problema agora é que eu passei a temer por incêndios. O que aquela mulher tem queimado de ramos e galhos é coisa impressionante! E tem dado certo.
Há meses atrás, em palestra de Filosofia Clínica aberta ao público o tema central foi ciúmes. Para iniciar os trabalhos, uma pergunta inicial foi lançada pelo Professor Lúcio Packter: - Vocês sentem ciúmes?
Apressado, um colega presente acenou com a mão estendida para cima: - Ah, eu já senti mais. Acho que aprendi a lidar bem com isso. Tão logo ele expressou sua opinião, uma colega estendeu o braço para cima, o indicador apontando para o teto: - Eu sinto! O que é meu eu quero só para mim. Eu sinto uma coisa estranha, uma reação em mim em relação ao ciúme. Aqui já podemos ir dando as coordenadas. Quem está certo? Quem sente ciúmes ou quem não sente? Não é uma questão de estar certo ou errado, de ser bom ou ruim. Sentir ou não ciúmes indica apenas traços da forma de ser da pessoa. Portanto, a resposta para as questões anteriores é nenhuma das opções. Sentir ciúmes é uma das características da nossa época. Herdamos os ensinamentos da posse, da propriedade, do ter, mas esqueceram de ensinar-nos o amor genuíno, aquele que parte da afinidade. Isso costuma trazer consigo sentimentos de desconfiança, de insegurança, de dúvidas, de controle. Na maioria dos casos, sentir ciúmes não costuma ser agradável, aprazível. Algumas relações, porém, são calcadas nos ciúmes. Ou seja, o ciúme de X para com a Y pode funcionar como um vínculo muito forte, dando a impressão, para Y, de estar sendo cuidada, acarinhada, protegida por X. Às vezes, na relação minha com determinada pessoa falta um pouco de mim para ela; algumas coisas não são transmitidas de mim para ela em forma de expressividade, a ponto de tais coisas ficarem somente em mim. Ocorre que a pessoa talvez encontre em outra pessoa, em outra coisa, em outra situação isso que não vai de mim para ela, isso que de mim não flui para ela. Muitas dessas ocasiões podem desencadear crises de ciúmes. Existem fenômenos deslocados em se tratando desta temática. Temos exemplos de pessoas que não sentem ciúmes do marido ou da esposa, mas sentem do(a) amante. Descontextualizado isso pode gerar polêmica. Mas o que estamos tratando aqui é de ciúmes. Então que seguremos nosso julgamento ético a respeito disso. Enfim, são tantas as configurações quanto as formas que possamos imaginar. Muitas vezes as crises de ciúmes não tem nada a ver com a gente, não é nada pessoal. São só elementos que estão em áreas de trânsito em nossa existência e se esvairão de mansinho. Então em várias ocasiões podemos evitar confrontos, discussões, mal entendidos, incômodos. Se analisarmos as circunstâncias e identificarmos o que está acontecendo, logo estaremos vivenciando de outra forma esse sentimento em nossos relacionamentos, em nossas vidas.
* Baseado nas minhas anotações feitas durante a palestra citada no início do texto.
Algumas de minhas manias são de criança. Alguns de meus comportamentos são de criança. Minhas responsabilidades tentam me jogar para esse universo adulto, cheio de prazos para cumprir, horários para tudo, máscaras para usar, papéis para representar. Mas, ainda assim, meu coração é de criança. Eu deito na grama só para olhar o céu, ando de pés descalços, tomo banho de chuva, ando de balanço, sento no chão, faço refeições andando pra lá e pra cá, rio de coisas sem graça, choro por motivos mínimos, faço birra, sento no colo da minha mãe, beijo meu cachorro, falo de boca cheia, faço drama, choro e dou risada ao mesmo tempo, canto gritando no banho, saio do banheiro pelado pelo corredor, deixo tudo bagunçado no meu quarto, enfim, amo as coisas simples por um único motivo: eu amo estar vivo! Isso não quer dizer que eu seja uma pessoa extremamente feliz, tampouco um pessimista ao extremo. Eu não sou bipolar; eu sou polipolar. Tenho uma capacidade imensa de passar de um bobo alegre a um ser frio e calculista. Eu sou mesmo uma criança. A correria do mundo dos homens não faz muito sentido para mim. Eu não vou viver mais de 100 anos mesmo, então de que me adianta insistir em ser o melhor, em ter sucesso, em ser o primeiro em tudo? Não tenho essa pretensão. O que me esforço é para dar o melhor de mim, ser o melhor que eu posso ser, deixar um pedaço meu em tudo que eu faço. O resto é consequência, uma mescla de sorte, acaso, competência, energias do universo. Alguns, volta e meia, me dizem que tenho que crescer, que amadurecer. Sim, eu vivo em função disso. Mas eu faço isso do meu jeito. E não há um jeito certo para que as coisas aconteçam. Quando a maré está a favor eu curto a paisagem nos entornos do rio; quando a correnteza me força a remar eu faço isso com empenho. E a vida vai passando assim. E para mim isso é o máximo, porque meu coração de criança se contenta com detalhes. E para vocês, adultos, uma dica da criança aqui (vocês até reproduzem isso em palavras, mas poucos são os que vivenciam): os pequenos detalhes podem fazer grandes diferenças. Abraço de paz!
Há um dito popular muito utilizado aqui no sul do Brasil, o qual diz que "tem que matar a cobra e mostrar o pau". Ele é mencionado quando alguém quer provar algum feito. Frequentemente alguém remexe o baú existencial e sai contando algumas histórias e/ou estórias. Quase sempre tem alguém que não acredita no que está sendo tratado. Então o camarada trata de chamar alguém que comprove isso, que diga ter presenciado o fato ou outro indício de que seja mesmo algo real. E então "tá aí, eu mato a cobra e mostro o pau". Em conversas nostálgicas eu costumo citar meu sonho frustrado de ser jogador de futebol profissional. Quando cito alguns episódios de minha passagem pela capital e pela dupla Gre-Nal, há aaanos atrás, eu utilizo as fotos que tenho guardadas como algo que comprove o que eu estou dizendo. Estou "matando a cobra e mostrando o pau". Mas me veio uma coisa à cabeça. Mostrar o pau não quer dizer que tenha matado a cobra. Mostrar a cobra morta, sim. É difícil que se ache uma cobra morta para se gabar. Quando se aparece com uma cobra morta, muito provável é que a própria pessoa a tenha matado. Então vou corrigir este dito. Não basta mostrar o pau. Taura mesmo é quem mata a cobra e mostra a cobra morta. "Entre nós reviva Atenas, para assombro dos tiranos. Sejamos gregos na glória, e na virtude, romanos" P.S.: Parabéns gauderiada de todos os pagos e querências pela passagem do 20 de Setembro.
Acho que é apropriado para a época. Quem se arriscar a me acompanhar, bem vindo(a). Mas antes de me julgar, por favor, tente me compreender. Se acaso surgirem críticas fundamentadas, que agreguem vou considerá-las e refletir a respeito. Se vierem críticas mesquinhas, calcadas em preconceitos e dogmatismos ridículos eu só vou lê-las e nada mais. Na minha adolescência eu vi Marcelo D2 e toda a banda Planet Hemp serem presos mediante o argumento de que eles faziam apologia às drogas. De fato, eles falavam de maconha nas letras, afinal, segundo uma das letras "uma erva natural não pode te prejudicar". Além disso, as letras eram repletas de críticas à corrupção de policiais (uma música, aliás, chama-se "Porcos Fardados") e políticos e de mais um monte de coisa podre que o sistema alimentava. São elementos que muita gente via, mas poucos eram os que tinham a coragem de apontar e se posicionar a respeito. Toquei em um tema delicado, mas não é sobre maconha que eu quero falar. É que na época a que me reporto eu tomei conhecimento de algumas passagens da Constituição Brasileira de 1988, que versam, entre outros fatores, sobre a liberdade de escolha e de expressão. Em caráter elucidativo, cito o Art. 5º e seus incisos IV, VIII e IX: "Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se
de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa,
fixada em lei; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;" Seguindo os pressupostos da Constituição, cada pessoa tem o direito de escolha. Não só existencialmente, mas legalmente. É lícito e de direito que a pessoa possa optar em torcer para o time de futebol que preferir, em participar de atividades religiosas seja qual for a sua religião, em seguir a orientação sexual de sua escolha, em partilhar de representações de mundo vindas de suas predileções filosóficas, em militar no partido político que melhor satisfazer suas ideologias... E mais! A pessoa tem a liberdade de expressar isso da forma que quiser. Esses são os pilares da democracia. Uma ressalva: o regime democrático considera a vontade da maioria, mas nem sempre o que a maioria julga como melhor é, de fato, o melhor (além do fato de nem sempre a maioria ser livre para escolher, devido à coações e falcatruras - conhecidas como o velho jeitinho brasileiro). Outra ressalva: neste mesmo regime os políticos eleitos deveriam representar a vontade dos que o elegeram. Somos livres para fazer nossas escolhas e para expressá-las. Ao menos em tese e legalmente. Porém, infelizmente, o jogo de xadrex político, calcado em interesses individuais e de determinados grupos em detrimento do coletivo, geralmente coloca em xeque o que está na Constituição. No papel e no discurso tudo é muito bonito. Os problemas costumam acontecer com o que se faz a partir disso. Em tempos de eleições, como agora, os ânimos acabam se exaltando e o trem quase sempre acaba por descarrilar. Uma dica: não jogue para o ar amizades e parcerias pelo simples fato de haver discordância em alguns pontos. O fato de alguém discordar de uma ideia sua não implica que ele esteja desconsiderando todo o resto. Da mesma forma, tome cuidado para não desprezar o outro por torcerem para times diferentes, por serem de religiões diferentes, por terem opções sexuais diferentes, por militaram em partidos diferentes. Talvez o que falta para que você seja respeitado é apenas um pouco de respeito para com o outro. Monólogos são bons no teatro. Fechar-se em um único ponto de vista acaba ceifando possibilidades de crescimento. Dialogar é uma arte e um bom exercício de paciência, de escuta, de humanidade.
Que cada um tenha o discernimento para fazer suas escolhas, arcando com as consequências disso. E que o direito do outro pensar diferente e de expressar livremente suas ideias seja respeitado. Um salve às cabeças pensantes! Porque concordar com tudo é escravidão.
Dormi acariciando meu cachorro. De madrugada, abracei forte o travesseiro. Acordei no meio da manhã com o barulho da chuva no telhado. Minha mãe me disse que o tempo feio já havia passado. Fiquei na cama por mais algum tempo, ainda meio sonolento, pensando nos sonhos que me visitaram durante a noite. Abri a janela. Um vento gelado deu um tapa no meu rosto. Por instantes fiquei olhando a chuva, contemplando as cores cinzas do céu contrastando com os tons coloridos de algumas flores. O cheiro disso tudo também é algo mágico, divino. Pensei em tomar um banho de chuva. Desisti. Pensei em um banho quente e demorado. Também abortei a ideia. Fui lavar meu rosto. Me olhei no espelho e tive dó dele. Que pecado ele fez para ter que me refletir todo dia? Cara amassada, olheiras bem delineadas, cabelos desarrumados ao extremo e mais alguns detalhes horrorosos. Fiz xixi sentado. Não estava com pressa. Não estava sendo observado. Não precisava cumprir horário. Não tinha sequer a companhia do meu amigo fiel, meu cachorro. Sim, às vezes eu faço xixi sentado. E como tinha acabado de levantar, fiz sem roupa alguma. "Visão do inferno", você pode estar pensando. Pois que seja visão do que quer que seja. Escovei meus dentes. Escolhi aquela roupa velha, batida, cheia de furos e marcas do tempo, mas mais confortável que qualquer roupa de grife. Gosto desse estilo mulambento, largado, despretensioso. Se perfeição fosse algo que existisse fora dos dicionários, diria que hoje é um dia quase perfeito. Ideal para se resguardar. Fazer uma viagem introspectiva. Ajustar o que ultimamente anda meio desregrado. Por alguns pingos nos is. Conversar comigo mesmo. Hoje é um dia para lavar a alma. Talvez até mesmo tenha que exorcizar alguns demônios. Algumas coisas vão ser deixadas para trás. Outras vão ser incorporadas. Acho que atualização é uma palavra para descrever tudo isso. Depois de beliscar uma torta fria com refrigerante, refugiei-me para o meu quarto. Alguns livros precisam ser lidos. Maldita mania de começar a ler várias coisas ao mesmo tempo. O acervo da minha mini biblioteca está crescendo e o que eu mais tenho feito é escrever a data de aquisição na folha inicial das obras. As leituras estão com o freio de mão puxado à meia altura. Meu mundo hoje vai ser entre essas quatro paredes. Espero que o dia passe rapidinho. Quando a madrugada chegar e eu for me deitar, quero repetir os mesmos passos: acariciar meu cachorro e abraçar o travesseiro. E vou ficar na torcida para que você venha novamente me fazer companhia em sonhos.
Bicho de Sete Cabeças é um
longa-metragem brasileiro, lançado em 2001, inspirado no livro Canto dos
Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno. O livro é baseado na história do
autor, hoje ativista da causa antimanicomial, que em 1974, com 17 anos,
peregrinou por hospitais psiquiátricos. O filme tenta ser um retrato fidedigno
da dura realidade que o mesmo vivenciou.
Neto
é um adolescente de classe média que vive em crise com sua família. Seu pai,
autoritário, não consegue estabelecer um diálogo com o filho. Sua mãe, uma
espécie de mediadora dos conflitos familiares, até se esforça para que haja um
entendimento entre eles. Em vão.
Os fatores psicossociais
(os conflitos com os pais, o convívio com o grupo de amigos) influenciam Neto a
fumar maconha e ter um comportamento rebelde. Porém, considerando a fase da
adolescência, nada que comprometesse sua sanidade, pois, apesar da grande
vulnerabilidade ao vício, ele não era dependente químico. Ainda assim, seu pai
o internara num hospital psiquiátrico após ter encontrado um cigarro de maconha
na jaqueta do menino.
No hospital psiquiátrico
os internos eram submetidos a um rigoroso tratamento, que na realidade não
visava a reabilitação ou a cura. O intuito era manter uma quantidade ‘x’ de
pessoas em internação para continuar recebendo as verbas do hospital. As
pessoas internadas recebiam fortes medicamentos que abriam o apetite para que
elas comessem e apresentassem um bom aspecto quando do recebimento de visitas.
Quando Neto obtém alta do
hospital ele até tenta levar uma vida social. Ele consegue um emprego e se
esforça para superar os traumas que a internação causara em sua estrutura.
Porém, em determinados situações ele recai, sofre vômitos e rememora episódios
que vivenciou e que certamente levará para a vida toda.
Após ele beber em uma
festa o jovem se altera, não consegue realizar um ato sexual com uma garota.
Neto acaba se revoltando e promove um quebra-quebra no local. Pelo histórico de
ser uma pessoa com problemas de internação, novamente volta ao hospital psiquiátrico.
O trama acaba com Neto
tentando suicídio numa cela isolada. Ao final do filme, pai e filho
encontram-se sentados um ao lado do outro.
Muitos aspectos podem ser
destacados e servir como pontos de reflexão. A situação que Neto se encontrava
ao início do filme, por exemplo, traduz muito bem o que ocorre na adolescência,
ou seja, uma fase de experimentação de novas vivências, identificação com o
grupo, além de outros que poderíamos destacar. A postura do pai, de certa
forma, é o que desencadeou uma sucessão de problemáticas em Neto.
Sua internação levou em
conta apenas o depoimento do pai. Isso remete aos casos em que o diagnóstico é
precipitado ou forjado. Em nossa sociedade, o paciente é realmente ouvido e o
diagnóstico dá conta do que ele está vivenciando no momento?
Enfim, em se tratando de
saúde mental e patologias, me parece que o filme consegue alcançar uma profundidade sobre o
assunto. Neto até sofria de um distúrbio de personalidade, mas isso não foi
trabalhado de forma que seria mais producente ao caso. A condução do caso pela
família, que o rejeitou, poderia ter resolvido o problema se conduzido de
maneira diferente. Ao contrário, ele foi rotulado e passou a viver um caos.
Pressionado a obedecer/reproduzir um regime que visava, por assim dizer, a
produção da loucura, era quase impossível Neto não desencadear problemas de
cunho psicológico.
O filme foi postado na íntegra no YouTube em efeito espelho. Ainda assim dá pra assistir legal.
João e Maria se enamoraram e passaram um tempo neste romance. Eles formaram um belo casal, compartilharam princípios de verdade, construíram um linda história juntos.
Certa feita Maria decidiu comunicar João de sua decisão de romper o relacionamento. Ela disse que aprendeu muita coisa com ele, que o amou como nunca amara alguém antes, que foi muito feliz no tempo em que estiveram juntos, se disse agradecida por tudo, mas que tinha novos caminhos para trilhar e que nisso ele, João, não estava incluído. Surpreso, ele não entendeu muito bem.
Pode ser que João tenha sido uma estrada, um apoio, uma mediação para que Maria amadurecesse e conseguisse vislumbrar novos horizontes.
Ocorre que algo que servia como elo de interseção entre ambos não tem mais o mesmo significado, a mesma força ou até mesmo deixou de existir.
Se olharmos para nossa própria história, veremos que algumas vezes fomos mediação para nós mesmos, que noutras servimos de mediação para outras pessoas, ou ainda que utilizamos algo ou alguém como mediação. Isso não quer dizer que tenhamos agido de má fé ou que assim agiram para conosco, ou que seja negativo, errado, pecado, ruim, nem nada.
São possibilidades que se apresentam à nossa alma e que independem apenas de nossa própria volição. Respeitar isso é o mais indicado, pois é parte da dignidade humana deixar a outra pessoa partir.
Saber lidar com uma situação como a descrita acima é uma atitude nobre. Que bom se pudéssemos todos vivenciar este processo sem culpa, sem mágoas, sem remorso. Isso não ocorre na maioria dos casos porque em nossa época o amor ainda é vivenciado como posse e a racionalidade é acionada nestas circunstâncias para procurar os porques, apontar culpados, dramatizar, julgar e uma gama de outras coisas que não contribuem em nada para o nosso aprendizado, para o nosso desenvolvimento, para o nosso crescimento existencial.
Outro exemplo rápido de mediação:
Sabe aquela criança que ralou desde muito cedo para alcançar seu objetivo de se tornar um jogador de futebol, passou por necessidades financeiras e de tantas outras ordens, deixou a família e foi morar na sede do clube?
Pois, agora adulto, essa pessoa que fez de tudo visando a profissionalização decaiu em rendimento, não tem mais vontade de treinar, de concentrar, de jogar. O que será que aconteceu? Pode ser que esta pessoa utilizou seu talento como mediação para o sucesso, para a fama, para a fortuna. Agora que alcançou o que pretendia, simplesmente abdicou daquilo que era apenas mediação para a efetivação disso.
*Produzido a partir de anotações feitas em aulas, palestras, workshops de Filosofia Clínica ministradas pelo Professor Lúcio Packter.
Certa feita, no final de um show, um flanelinha se aproximou de mim antes mesmo de eu fazer menção de entrar no meu carro. Eu não tinha grana. No carro tinha algumas moedas, alguns centavos que não somavam dois reais. Depois que abri o carro, peguei as moedas e antes de entregá-las para aquela pessoa que disse o ter vigiado estendi a mão para ela. Falei algo que nem lembro. Tipo, "obrigado, tenha uma boa noite" ou "desculpa, mas é o que tenho pra te pagar", ou algo do gênero.
Antes mesmo de eu sair de onde o carro estava estacionado, um amigo que viu a cena me ligou perguntando se eu não tinha medo de ser assaltado, sequestrado e toda uma gama de possibilidades - todas péssimas, diga-se de passagem. Eu ri e desliguei o telefone.
Nunca vi uma pessoa tão feliz na vida. Aquele tiozinho apertou minha mão, deu um sorriso e me agradeceu. Me disse que o aperto de mãos valia mais que qualquer grana que ele ganhasse naquela noite.
Outro dia conversei demoradamente com uma pessoa radical, dogmática ao extremo, rígida, dona da verdade (tanto que não é fácil vê-la conversando com alguém). Por conhecer como ela funciona, me debrucei em interferir minimamente e ouvir suas teses mais mirabolantes, suas verdades absolutas, etc e tal. Fiquei zonzo. Foi um turbilhão de informações. Vez em quando eu dava uma opinião, falava um pouco sobre o que eu pensava a respeito, já pensando em encerrar o assunto e, consequentemente, a conversa que já se estendia por um longo tempo.
Mal tinha me despedido de tal pessoa, um colega me questionou como eu podia ter paciência para ficar ouvindo asneiras daquela pessoa.
Eu queria que alguém visse a alegria gritante do tagarela por eu ter dedicado um tempinho para conversar com ele. A expressão do rosto dele foi fantástica.
Eu converso com guardas de trânsito, com porteiros de edifício, com pessoas no elevador, com garçons e atendentes de restaurantes e cafés, cumprimento pessoas que nunca vi na vida, que nem sei quem são. Quando faço isso, percebo que tais pessoas se sentem vistas, valorizadas por gestos tão pequenos. É incrível como isso as deixa num pé de igualdade conosco. É um contato de pessoa para pessoa. Caem as máscaras de idade, profissão, estado civil, opção sexual, religiosa, política... Claro que algumas, sabe-se lá por que motivos, preferem ignorar minhas tentativas. Para estes casos, paciência e respeito à forma delas se posicionarem no mundo.
Eu gosto disso. Muitas experiências bacanas nascem daí. O diálogo, a troca, a interseção despertam meu interesse. -muito embora monólogos sejam interessantes, às vezes.
Finalizo com o que escreveu Renato Janine Ribeiro em sua coluna na Revista Filosofia - Ciência & Vida, Nº 72, de julho deste ano:
"Eu não preciso dialogar só com quem concorda comigo, Aliás, a maturidade existe justamente quando consigo conversar, com respeito, com quem é diferente de mim. Aprende-se muito desse jeito."
Nunca pensei em me transformar em um fantoche para agradar alguém. Não gosto de ser manipulado, embora acredite que não tem como viver uma liberdade plena, dadas algumas coações e obrigações que o mundo nos cobra. Por não gostar de faz-de-contas, tampouco me esforço para passar uma imagem de mocinho, de bom samaritano. Talvez eu perca oportunidades ímpares de conhecer pessoas bacanas por conta disso. Mas não vale a pena ser algo por alguns instantes sabendo que logo a máscara vai cair. É melhor assim. Não engano outrem, nem a eu mesmo. Também não tenho pretensão alguma em esculpir alguém com as formas e conteúdos que me convenham. Quem sou eu para ditar os rumos da vida de outra pessoa? Se isso me for solicitado, é de se pensar; caso contrário, jamais. Prefiro a autenticidade, que cada um viva conforme suas singularidades. E que assim seja. Sejamos felizes, cada um com seus travesseiros.
Me permito compartilhar esse recorte de Humano, demasiado humano, do Nietzsche. Claro que, sendo um recorte, o trecho perde em contexto. Ainda assim passo adiante. Talvez sirva de reflexão para algumas pessoas.
"Deveríamos recordar-nos de um pensamento de Lichtenberg: 'É nos impossível sentir por outrem, como se costumar dizer; sentimos apenas por nós. A frase parece dura, mas não o é, desde que seja bem entendida. Não amamos nem pai, nem mãe, nem mulher, nem filhos, mas as sensações agradáveis que eles nos dão', ou conforme diz La Rouchefoucauld: 'se cremos amar a nossa amante por amor a ela, estamos bem iludidos'". Boa noite! =)
O Show de Truman: o show da vida (do original The Truman Show) é um filme lançado em 1998 que tem Jim Carrey como ator principal. Truman leva uma vida tranquila até descobrir que tudo em seu mundo é artificial, manipulado. Desde o seu nascimento ele é vigiado por milhares de câmaras que transmitem sua vida ao vivo por um canal de televisão. Seu primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro dia da escola, a perda do primeiro dente, as alegrias, as angústias, tudo isso e muito mais é visto há anos pelos telespectadores. Ao descobrir indícios da farsa, aos poucos Truman vai buscando se desvencilhar deste mundo inventado. Não vou falar o final para não perder a graça para quem não viu o filme ainda. A película instiga várias reflexões. Uma delas é a questão de acomodar-se ao que se tem posto, ficar numa zona de conforto, até mesmo numa certa alienação ou romper com isso, superar aparentes limitações e inventar um mundo que tenha a ver com as próprias singularidades e buscas? É uma boa indicação de filme. Talvez tenha que ser visto e revisto para uma melhor percepção dos detalhes. Mas vale a pena.
Vontade de pedir que você diga tudo aquilo que eu quero ouvir. Mas para isso eu preciso saber o que é que eu quero ouvir. E estou te dispensando desta. Ao menos até que dure esta indefinição. Aliás, dispensas têm sido uma tônica ultimamente. Desapego levado ao pé da letra, mesmo que não por iniciativa própria; talvez por falta de opção. Apegar-se ao desapego é que é um risco. "O problema não é contigo". Ok, se não é comigo, o problema sou eu? Ou "o problema não é contigo" é esquiva? Ou não é uma questão de ter problemas. Esquivar. Racionalizar. Argumentar. Tentar explicar algo que não se tem propriedade. Ouvir formulazinhas prontas de quem nunca quebrou a cara, de quem na real está cagando para ti e para como tu estás se sentindo é um exercício de paciência. Viver cercado de mestres dos magos é reminiscência da Caverna dos Dragões. E o que menos quero agora é poluir a animação com minhas paranoias. A poesia tem me salvado. A música tem me alimentado. A solidão tem me feito uma ótima companhia. Tenho saudade de sentir saudade. Da verdadeira, não da de faz-de-contas. Colorir os dias ou viver num preto e banco? Talvez uma luz cinza, que é menos mau que a escuridão completa. Um risinho idiota, ou um semblante fechado e não menos idiota? Vou deixar tudo isso para outra hora. Agora vou pegar meus patins, um vento no rosto, me drogar de adrenalina. Depois do banho muito disso já terá ficado para trás. A noite será uma criança. E depois de contemplar a lua os horizontes serão outros.