Originalidade?

Minha história se fez e se refaz com resquícios de tudo que encontra minhas circunstâncias. O que se apresenta para minha representação pode (ou não), em maior ou menor relevância e intensidade, ser incorporado à forma com que entendo o mundo.
As tintas com as quais pinto as telas da minha existência são variadas. Algumas cores já foram utilizadas por muitos outros artistas e integram minhas obras por serem ainda vivas, intensas; outras matizes, por sua vez, são inéditas, mesclas de algumas cores que ninguém antes havia ousado em compor.
Se alguém sentir-se lesado por algum escrito, favor me comunicar por e-mail que tentaremos resolver isso.
Divirta-se ou se entristeça.
Boa viagem!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Porre de Legião Urbana num sábado qualquer


Como música e literatura ocupam grande parte do meu tempo, às vezes faço paralelos entre uma coisa e outra, vejo coincidências ou discrepâncias. Viajo, literalmente. 
Agora mesmo estava ouvindo L´Âge D´or e lembrei de uma correspondência que Caio Fernando Abreu mandou para um amigo.
Um trecho da música diz assim "Já tentei muitas coisas de heroína a Jesus. Tudo que já fiz foi por vaidade". E isso me jogou para uma passagem da carta, na qual Caio adverte o amigo "Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? [...] Você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem."


Sou Legião Urbana Esporte Clube desde que tive o primeiro contato com as canções da banda. Se não me engano foi um amigo de infância, o Claudiano, que me falou sobre a banda. Ele grifava trechos das letras nas capas dos cadernos, fazia desenhos abstratos e era meio que da geração peace and love. "Por esse caminho que eu vou", devo ter pensado. 
Era o tempo das fitas K7 e primeira que comprei foi A Tempestade, de 1996. Depois consegui a Uma Outra Estação, de 1997. Anos mais tarde, já na faculdade, um colega meu, Alessandro, me emprestou seu CD´s para eu piratear. Fiquei nas nuvens. Coletânea completa da Legião Urbana, bah! Atrasei trabalhos, baixei a média para ouvir o que ainda não conhecia e para curtir o que já tinha familiaridade há algum tempo. Só que os CD´s que ficaram comigo eram de péssima qualidade. Como eu não parava de ouvir, eles descascaram e não tinha uma música sequer que rodasse inteira. Aí as canções ficaram só na cabeça e no coração. As fitas tinham sido descartadas, porque a época era outra; CD era mais moderno - uma pena que os meus eram importações baratas do Paraguay. Só poderia ter dado merda mesmo.
Com o advento da internet chegando aos poucos, baixei algumas coisas da Legião Urbana, documentários, shows, entrevistas. Foi a dose derradeira para causar uma overdose. Passei a admirar ainda mais a banda, seu surgimento, os impasses, as tramas. Conheci histórias interessantes. Brasília saindo do silêncio forçado pela ditadura militar e uma garotada soltando o verbo, falando e fazendo coisas sem medo de dar a cara à tapas. As letras das canções ganharam contexto. Um caleidoscópio foi se formando. Renato Russo virou um ídolo para mim. 
Voltei a estudar. Outra universidade, outro curso e, por sorte, um colega meu tinha todos álbuns da Legião Urbana armazenados no notebook que levava para a aula. "João, passa 'os Legião Urbana' no meu pendrive para eu salvar no meu note?! Faz em duas, três etapas, porque não tem espaço para tudo". Sabe uma criança quando ganha aquilo que ela pensa ser tudo na vida? Aquele sorrisão e, além disso, aquela euforia, aquele misto de sensações, de emoções... Bem assim eu voltei para casa. Consegui de novo a coletânea de uma das minhas bandas preferidas. E agora foi para não perder mais. 
Tenho arquivado em 3, 4 lugares todos os álbuns. Vai ver eu nem sei onde andam todas as cópias de segurança que tenho, mas elas existem. Tem dias que tomo porres de Legião Urbana. Ouço as canções, leio sobre a banda, vejo alguma coisa no YouTube e tudo mais.

Logo abaixo a música que impulsionou essa minha viagem.


Do meu primeiro contato com a Legião Urbana, A Tempestade, 1996, tem trechos de canções que dizem muito em poucas palavras. Compartilho agora com vocês. 
E vou mudar de música no player. O porre já está de bom tamanho para um sábado a tarde.


Natália
“A escuridão ainda é pior que essa luz cinza.
Mas estamos vivos ainda”

L´aventura
“Nada é fácil.
Nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto”

Longe do meu lado
“A paixão já passou em minha vida.
Foi até bom, mas ao final deu tudo errado.
E agora carrego em mim uma dor triste, um coração cicatrizado”

A Via Láctea
“Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida.
Ou fingir estar sempre bem.
Ver a leveza das coisas com humor”

Música ambiente
“Mesmo que tenhamos planejado um caminho diferente, tenho mais do que preciso.
Estar contigo é o bastante.”

Aloha
“Eu tenho um coração. Eu tenho ideais.
Eu gosto de cinema e de coisas naturais.
E penso sempre em sexo, oh yeah!”
 [...] 
“E meus amigos parecem ter medo de quem fala o que sentiu, de quem pensa diferente.
Nos querem todos iguais.
Assim é bem mais fácil nos controlar.
E mentir, mentir, mentir.
E matar, matar, matar o que eu tenho de melhor: minha esperança.”

Soul parsifal
“Pecado é despertar desejo e depois renunciar.”
 [...]
“Estive cansado.
Meu orgulho me deixou cansado.
Meu egoísmo me deixou cansado.
Minha vaidade me deixou cansado.”

Mil pedaços
“Eu não me perdi e mesmo assim você me abandonou.
Você quis partir e agora estou sozinho.
Mas vou me acostumar com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.”
[...] 
“Pobre coração.
Quando o teu estava comigo era tão bom.”

Leila
“Adoro os teus cabelos.
Adoro a tua voz.
Adoro teu estilo.
Adoro tua paz de espírito.”

Esperando por mim
“Digam o que disserem, o mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância, esperando por um pouco de atenção”

O livro dos dias
“Não esconda a tristeza de mim.
Todos se afastam quando o mundo está errado, quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de força e cuidado.”  

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um Vírus que destruiu um casamento

Sabe aqueles casamentos que dão inveja? Não no sentido pejorativo. Uma inveja boa. Pois assim estava sendo com Zoá e José. O casal era intimamente ligado. Eles se amavam, se respeitavam, tinham seus afazeres fora do relacionamento sem problema algum (ela lutava MMA e tinha roda de conversa com as amigas, ele jogava futebol e tocava rock´n´roll no violão com a galera), eram extremamente educados, iam ao cinema, andavam abraçados, tomavam sorvete, degustavam vinhos, faziam esportes radicais, trocavam olhares que diziam mais que muitas palavras. Enfim, nem em filme de romance havia um casal tão perto da perfeição como aquela.
E tudo estava muito bom, indo muito bem. Até que...
- José, eu não aguento mais! Não dá. Depois que você trouxe esse Vírus pra dentro de casa a gente não está mais se entendendo.
- Zoá, querida. Já cansei de pedir desculpas. Eu sei que quem fez a cagada fui eu, mas eu estava bêbado e meus amigos todos disseram que seria uma boa.
Ela não conseguia engolir essa desculpa. O Vírus deixou a casa de cabeça para baixo. E o relacionamento havia se tornado um caos desde que isso aconteceu.
- Amor, não foi proposital. Na hora eu pensei estar fazendo uma grande coisa. Mas também estou ficando de saco cheio dessa situação. 
- Ah é, José! É assim? Já que assumistes o erro, assuma também as consequências. Eu vou para a casa da minha mãe. Quando ela soube dessa história toda, me disse que eu poderia retornar quando quisesse. Acho que chegou a hora.
O rompimento era inevitável por tudo o que vinha acontecendo. Aquele casal de filme de romance se transformara em filme de terror. É bom poupar dos detalhes para não chocar os leitores.
E história linda ficou para trás por conta do coração grande e solidário de José, que trouxe o Vírus para dentro de casa. Agora aquela casa bonita e bem decorada era somente dos dois, José e Vírus. Zoá jurou por tudo o que há de mais sagrado no mundo e fora dele que não retorna mais à casa e que jamais sequer pensará em reatar o relacionamento.
Agora Vírus, o vira-latas que foi recolhido da rua por José numa noite depois do futebol com os amigos, tinha um espaço e tanto para continuar com as peripécias naquela enorme mansão.

Verifique se sua esposa ou seu marido gosta de animais de estimação antes de levar um para dentro de casa. 
Aaaahh, e tenha cuidado com nome que fores escolher para o animalzinho, que é para evitar equivocidades/dubiedades de interpretação como no caso desse breve relato.

=)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Carta-Convite da ARLRL

Não é fácil ser quem a gente é.
Pagamos o preço por ser do nosso jeito 
e botamos a cara à tapas.
Brigamos com a nossa voz,
por vezes com nosso silêncio,
que são nossas armas para termos vez,
para termos paz. 
Não precisamos forçar a barra, 
fingir ser algo que nem de perto se sustenta, 
que não se tem saco para representar, 
que não tem nada a ver conosco.
Somos autênticos.
Lutamos até o fim por aquilo que julgamos ser justo,
ser o melhor não somente para nossos próprios umbigos,
mas também para os outros.
Altruísmo, saca? Ao nosso jeito, mas ainda assim, altruísmo.
Ah, não devem saber do que se trata, tão empenhados estão com seus próprios egos, inflados e cada vez mais pobres.
Ainda assim, podemos conviver todos embaixo do mesmo céu, 
do mesmo sol, da mesma lua, das mesmas estrelas, 
até do mesmo teto.
Sabemos aceitar as diferentes representações de mundo
(as diferenças, não as desigualdades!).
Quase sempre somos mal entendidos,
mas temos ciência que nossa sintonia não é a mesma.
O terreno que pisamos pode ser o mesmo,
mas a conexão de ideias não fecha.
Não somos os melhores,
tampouco temos pretensão alguma em sermos

(os melhores ou o que quer que seja).
Sabemos que para obter a paz e o bem 
às vezes são necessários o mau e a guerra.

Estamos com inscrições abertas para o nosso crescente exército.

Att,
Associação dos Românticos, Lunáticos, Resistentes e Loucos

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O exército do bem não pode deixar o mal se propagar



       Olha, daria pra falar em outros termos. Mas fodam-se as boas maneiras!
       Retos de conduta, não se ofendam. Minha indignação é com os FDP. Sorry.
       Ordem e Progresso? Onde? Ah, por favor! Isso só existe mesmo na bandeira do Brasil, esse país tropical de praia, carnaval, futebol, hipocrisia, corrupção, tchu-tchá, bará-bará... 
       Governos hábeis em cobrar deveres dos cidadãos, porém indiferentes na hora de assegurar direitos e omissos na hora de responsabilizarem-se pelas cagadas que se envolvem, direta ou indiretamente. 
       A maioria dos governantes está cagando para a nação. Só pensam no povo na hora de fazer falsas promessas em época eleitoral. Essa banda podre está preocupada com qualquer outra coisa, menos com quem mantém esse lixo de país funcionando.
       Aqui as coisas nem são mais jogadas para baixo do tapete. Isso é de tempos passados. Agora é tudo na cara dura mesmo, sem preocupação alguma com algo que pouca gente ainda se lembra ou sabe o que é: ÉTICA.
       "De novo revoltado, Everton?" Sim! De novo. E não vou me cansar de me revoltar, pois penso que a situação só está nessa zona porque a maioria das pessoas tem aquela mentalidade retrógrada de "ah, é assim mesmo que as coisas são". São assim mesmo o caralho!
       As coisas podem ser diferentes. Mas só serão quando uma corrente do bem se formar e um número crescente de pessoas tomarem coragem, darem a cara a tapas, darem voz às suas inquietações e saírem dessa zona de conforto.
       Precisamos pensar em maneiras para superar esse sistema falido que beneficia uma meia dúzia de engravatados. E, mais importante que isso, arregaçar as mangas e ir à luta.

Atenção aos trechos das músicas que dizem assim:

"Mas todos nós ainda vamos ver a sua desgraça.
Você se esconde em Brasília, essa ilha cercada de filha da puta, de político fajuto, me escuta seu puto.
Aprovando leis só para vocês e sua cambada, arranjando obras superfaturadas.
Eles te exploram, te chupam o sangue, só pensam no lucro da sua gangue.
Então escuta, pensa e responda a pergunta:
- Todo político é um filha da puta?"

"Muda! Que quando a gente muda, o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude, nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro.
Na mudança do presente a gente molda o futuro!"

Vamos descruzar os braços e deixar de ser bundões? Vamos parar de ser omissos?
Se estiverem a fim, estão convidados.

FORZA!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Força guerreiros!

Já confidenciei algumas vezes aqui no blog minha inquietação perante um assunto nada agradável, a morte.

Ontem estava comemorando o aniversário de um amigo num camping quando, ainda pela manhã, recebi por telefone a notícia do incidente na Boate Kiss, em Santa Maria/RS. Minha mãe assustada me perguntando se alguém havia me avisado de algo, querendo saber se algum conhecido meu estava na tragédia. Nenhuma pessoa íntima minha estava entre as mais de duas centenas de vidas que foram ceifadas devido a um incêndio no local. Mesmo assim o domingo perdeu as cores, apesar do sol reluzente que perdurou por todo o dia.

Não sou perito, não sou juiz, não sou deus. Longe de minha pretensão está o julgamento sobre culpas, responsabilidades, aplicação de penas e tudo mais que cerceia o caso. Para isso existem autoridade competentes que tratarão de dar seguimento legal a tudo que está envolvido no caso.

Perdi o sono durante a noite, depois de ter pesquisado na internet informações sobre os fatos.
Li e ouvi relatos de pessoas que conseguiram sair com vida do local, de amigos e familiares de vítimas, de socorristas e voluntários que auxiliaram no momento do caos. 

Perplexidade pode ser uma palavra que tomou conta do meu ser. 
O meu organismo levou uma pancada muito forte com tudo isso. Meu coração chora e as lágrimas escorrem pelo meu rosto meio que involuntariamente. Minha respiração fica pesada e as ideias vagam, como se meus pés não tocassem o chão.
É claro que minha dor não se compara ao que estão sentindo os familiares e amigos das vítimas. Mas a dor da perda tem caracteres universais, os quais recaem sobre os ombros de quem possui compaixão, de quem é sensível à vida e vulnerável à morte.

Sonhos interrompidos no momento em que o intuito era se divertir. Corações despedaçados por ausências que jamais serão repostas. Muita coisa boa que seria posta em prática por esses jovens foi abortada na triste madrugada de 27 de janeiro de 2013.
Que as famílias e amigos das vítimas encontrem força nas energias que emanam de todos aqueles que de uma forma ou de outra tentam, cada qual ao seu modo, minimizar os efeitos desse vazio que a morte trás consigo.

Paz e luz aos que partiram. E aos que ficaram, forza! 



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sobre a solidão


            Se eu perguntar o que é solidão, o que você me responderá? Talvez que solidão é se retrair em seu quarto, se afastar de pessoas, coisas, lugares, ocasiões. Ou que solidão é sentir-se sozinho ou sozinha, mesmo que em meio de um tumulto de gente. Quem sabe, ainda, que nunca se percebeu em um estado assim. Enfim, são tantas as possibilidades de resposta, visto que não existe uma definição universal para este fenômeno.
Nos dicionários encontramos como sinônimo de afastamento, distanciamento, isolamento. Isso, além de outros aspectos sociais, é indicativo que, em nossa época, a solidão é vista com maus olhos.
Se a solidão for, de fato, algo doloroso para a pessoa, ela deve receber atenção adequada no sentido de tentar alterar o que está se passando. Mas se for verificado que a solidão é apenas um indicativo do modo de ser da pessoa, ou de um determinado papel existencial dela, não temos que tentar mudar isso. Pode ocorrer, ainda, que o peso da solidão no todo da pessoa não tenho relevância alguma em relação a tudo mais que ela vivencia em sua trajetória existencial.
A contextualização dos fenômenos na historicidade da pessoa costuma ser de suma importância para que alguns comportamentos não sejam tomados a partir do que socialmente entende-se por eles. Como cada pessoa possui uma estrutura singular de representar o mundo, é esta que deve ser levada em consideração e não o que é consenso social ou verdade subjetiva de quem está em interseção com ela.
Retorno, então, a questão inicial: o que é solidão para você? Olhe para a tua história de vida e provavelmente você identificará alguma coisa a respeito. Talvez tenha episódios em que a solidão doeu, machucou. Ou talvez verificará que nem sempre a solidão foi algo negativo ou contraproducente. Às vezes a solidão pode ter sido aquilo que fez você tomar fôlego para dar início ou continuidade a algum projeto, talvez abrir mão de outros caminhos, ponderar algumas coisas por outros pontos de vista, ou fez parte de uma determinada profissão que você exercia e que lhe cobrava isso. Enfim, para cada pessoa isso se dá de formas singulares, ainda que parecidas, nunca idênticas. 
            
“Sentir solidão não é estar só, é estar vazio”. 
Sêneca

Abraço de paz.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O amor devia ser proibido?

É o que diz Lulu Santos, na canção Um Vício: "O amor devia ser proibido, porque é uma droga pesada. E se a pessoa tá viciada, ela faz qualquer papel por um papel". Nunca ouviu? Ouve aqui.
Por outro lado, tente abstrair e pensar num universo sem amor. Ou ao menos a sua vida sem amor. A impressão que me dá é que tudo ficaria meio sem cor, sem tom, sem sabor, sem graça.

Eu estava conferindo um estudo que revelou que há várias semelhanças entre o que sentem viciados em cocaína em processo de desintoxicação e pessoas que romperam um relacionamento afetivo. Tal pesquisa apontou que olhar fotos do ou da ex ativa regiões do cérebro associadas ao controle emocional, ao apego e à abstinência física.
A antropologista americana Helen Fisher afirma que "o amor romântico é um vício". E prossegue: "É um vício maravilhoso quando as coisas estão indo bem, mas um vício tenebroso quando tudo dá errado". Viu só?! Lulu Santos não está equivocado na canção. Talvez até esteja no sentido de proibi-lo, mas quanto a ser uma droga pesada a tese está confirmada.

Esse tal de amor não tem jeito mesmo, né?! É tanta gente conjecturando sobre ele. Algumas pessoas querem sentir seus prazeres (e, porque não?, seus desprazeres), umas se jogam de cabeça, outras ficam meio de pé atrás. 
Êlaiá! 
São tantas as possibilidades que daria para escrever um livro da espessura da bíblia sobre o amor. Mas deixemos isso de lado...

Ah! O mesmo estudo que citei acima afirma que quanto maior o tempo entre o pé na bunda, ou o término do relacionamento, como queira, mais escassos ficam os registros do relacionamento nos recônditos da memória. O que de certa forma corrobora o clichê de que o tempo é, sim, um bom remédio para as dores de cotovelo.

Então, galera, vamos nos drogar de amor. Vamos amar. Cada qual do seu jeito, com as suas prerrogativas, maluquices, caretices...
Se depender de mim, o amor não vai ser proibido nunca.

=)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2000 e?

             Última madrugada. Última lua cheia. Último despertar ao meio-dia. Última página do calendário de 2012. E o que ficou disso tudo?
            Foi um ano bacana. Teve meio que de tudo. Em alguns momentos, penso que poderia ter investido um pouco mais. Minha sede era grande e a vertente certamente não secaria se eu tivesse me saciado e até me permitido um pouco de gula. Afinal, humanos costumam pecar ou por excesso ou por falta, por ações ou por omissões.
            Olhando para esse passado recente posso afirmar que as dimensões galinha e águia se alternaram em minha vida. Não foi uma dança harmônica. Dependendo das circunstâncias, a minha dimensão galinha me falava para continuar com os pés firmes, ciscando no terreno já conhecido, sem riscos, sem perspectivas do novo. Já em outros momentos, a dimensão águia me alertava para deixar para trás algumas coisas, desapegar do conformismo, alçar voos, contemplar novos horizontes. Isso não se deu sem crises existenciais, pois a vida nem sempre segue os manuais que nos vendem por aí. Menos mau que os que andam do meu lado nunca me deixaram sem base e em alguns trechos do percurso até mesmo me carregaram nos braços. Gratidão é a palavra para estes que me sustentaram tentando evitar alguma queda ou que me ajudaram a levantar depois de uma delas.
            Foi um ano de muito aprendizado. E nessa troca, devo ter imprimido um pouco de mim nas relações que estabeleci. Também trago comigo boas marcas de gente que caminhou comigo ou que simplesmente cruzou comigo em alguma encruzilhada. Termino o ano sem algumas coisas que tinha quando 2012 iniciou. No outro lado da balança estão algumas coisas que eu nem sequer imaginei lá no início do ano e que agora terminam 2012 comigo.
            Movimento. A natureza nos cobra isso. Os deuses dão as cartas e o resto é com a gente aqui nessa maluquice terrena. Corri atrás do que acreditava ser justo para com a minha visão de mundo. Lutei pelos meus ideais sem pretensão alguma de puxar o tapete de alguém. Plantei algumas coisas, reguei algumas outras e tive o prazer de desfrutar cada momento de forma intensa.
            Fiz altas correrias. Trabalhei muito. Meu estilo de vida é de vagabundo, mas tenho algumas responsabilidades que não posso deixar de lado. Curti meu quarto, minhas músicas, meus livros, meus filmes. Prezei pela minha saúde plena, corpo, mente, relações pessoais, espiritualidade. Amei pessoas, animais, plantas, coisas. Algumas vezes me decepcionei com pessoas, animais, plantas, coisas. Mas quem disse que isso não faz parte do pacote? Quem leu o contrato e as regras de uso da existência sabe das cláusulas que rezam que nada é para sempre, que a gente às vezes vai sofrer, se decepcionar, magoar alguém, ter algumas perdas e uma infinidade de possibilidades que fazem da vida esse mistério indecifrável que ela é.
            Eu me joguei em 2012.
   Em 2013 quero dar triplos twist´scarpados. Quero inventar novos saltos que ninguém jamais ousou em criar. Claro que eu sei dos riscos de quedas e de fraturas.Mas que tal alimentar também a esperança de aplausos pelo simples fato de tentar? E se a manobra dar certo? Quem nada faz, só é reconhecido e só se regozija por nada fazer. Não é o que quero para o ano que vem pedindo licença para entrar.
   Quero dar continuidade a algumas coisas. Meu rock´n´roll, meus cafés, minhas leituras, minha contemplação à lua, meus banhos de chuva, minhas bolinhas de sabão, minhas andanças de pés descalços e sem camisa, os abraços apertados nos meus chegados, o carinho sincero, o amor incondicional. “Mas tu pensa pequeno, Everton!”. Não! É que para mim essas pequenas coisas impulsionam todas as demais. Outras coisas quero manter bem longe. Sai de mim arrogância, ganância, prepotência, falsidade, inveja e tudo mais que não me leva a lugar algum. 

            Desejo que seja um ano de oportunidades criadas, não de oportunidades caídas do céu. Espero que você surpreenda 2013, não que 2013 te surpreenda. Esperança é importante, mas mais importante que isso é ir para a correria, para a luta do dia-a-dia e fazer as coisas acontecerem, ou ao menos tentar.
            Viver pode ser pesado e cansativo ou ser leve e prazeroso, dependendo de como nos empenhamos nesse exercício. Que julguemos menos e compreendamos mais;transformemos as barreiras em temperos para dar um gosto diferente e exótico às nossas conquistas; saibamos a hora de nos embrutecermos como rochas e o momento de sermos sensíveis como lágrimas. Que possamos existir e não apenas sobreviver.
            Seguimos em frente cada qual com suas prerrogativas.
    Vamos nessa!
Imagem retirada do Facebook Oficina da Alma.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Meu pedido para o amigo oculto

Virou tradição a brincadeira de amigo oculto no final do ano entre os meus colegas de trabalho. Na revelação, tem comes e bebes e muita risada e diversão. Este ano, porém, faremos uma revelação bem discreta, sem festa. Infelizmente há poucos dias fomos surpreendidos pelo óbito de uma colega que se envolveu num trágico acidente de carro. 
=/

Como de costume, os organizadores providenciam uma caixa onde são deixadas mensagens, cartas, pedidos de presente. É uma forma de comunicação bem interessante, diferente desse mundo cibernético ao qual estamos conectados e habituados. 
Este ano deixei um recadinho para quem tirou meu nome na brincadeira.
Estou compartilhando com vocês.


Meu amigo, minha amiga...

            Nesse clima de festividades natalinas e de final de ano muitas pessoas aproveitam para limpar seus lares, enfeitar ambientes, decorar ruas e comércios. É lindo, não é? Quase tudo vira “neverland”. As crianças adoram. Elas vivenciam de fato a magia das luzes e, principalmente, a expectativa do presente que o Bom Velinho trará. Quanta imaginação!
Por onde será que o Papai Noel vai entrar? Será que vou conseguir vê-lo ou ele fará uma entrega rapidinha, sem abraços, sem ho-ho-ho! Será que vai mesmo trazer o que lhe pedi? Quem sabe traga até mesmo algo mais, pois respeitei papai e mamãe, professores e coleguinhas, tirei notas boas, fui à igreja (fiz algumas cagadinhas também, mas criança tem desconto pelo simples fato de ser criança – e, afinal de contas, é tempo, dentre outras coisas, de perdão).
            Pois então... que tal tratarmos de fazer também uma limpeza interna? Deixar de lado aquelas mágoas que não levam a lugar algum. Perdoar aquela ofensa que nos fizeram sem que tivéssemos culpa por alguma coisa. Pedir desculpas por aquela idiotice que possa ter magoado alguém. Coisinhas simples assim que podem dar novos ares para nossa existência, tal como as luzinhas dão às decorações que vimos por aí.
            E tem mais uma coisa, importantíssima aliás: fazermos com que essas ações perdurem é indispensável. Não adianta deixarmos para dezembro sermos pessoas boas e o resto do ano ficarmos causando terremotos por onde passamos. Vamos alimentar as coisas boas, as atitudes simples, mas que podem fazer um bem enorme ao nosso coração, à nossa alma e a quem nos rodeia.
           
Bem, quanto ao amigo secreto, não tenho muita coisa para pedir. Um abraço estaria de bom tamanho. Mas se quiseres me dar um brinquedinho de fazer bolinhas de sabão, eu vou adorar.

E para você, amigo ou amiga, eu desejo um caminho cheio de realizações e que tua existência seja repleta daquilo que para você é indispensável.

Abraço forte aos meus amigos e amigas, colegas de jornada, que gastam suas energias contribuindo da melhor forma no desenvolvimento das criaturinhas que passam aqui pela escola.  

E.A. Corso
Dezembro de 2012. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

café nosso de cada dia


É estreita a minha relação com o pó preto. Fico feliz por não ser com o pó branco, né?! Melhor o vício em cafeína que em cocaína. Ao menos é o que me parece. A saúde física e mental agradece. Sem contar que café tem em qualquer mercadinho de esquina. Outro aspecto também muito importante: não vi noticiários, jornais, revistas nem boatos na internet informando sobre a morte de alguém por acerto de contas por meio quilo de café.  


Tenho acompanhado o resultado de várias pesquisas com relação ao consumo de café. Consumo moderado, vale lembrar. Só não consigo mensurar direito ao que se refere essa moderação. Quando me dizem para tomar cuidado com a quantidade, logo me defendo: "imagina, eu aprecio com moderação". Isso soa bem, né?! Ainda mais com a ênfase que dou ao "aprecio". Apreciar é mais chique que tomar, beber, usar. 

Claro que tem muita coisa envolvida por detrás das pesquisas. Sabe-se lá quem as encomenda e com quais interesses (o que raras vezes é divulgado). O fato é que a maioria delas aponta para os resultados benéficos do cafezinho nosso de cada dia. Algumas outras enfatizam os riscos que o uso/abuso da substância podem trazer para a saúde.

Tem um fator que pesquisa nenhuma ainda considerou e que agora eu (um pobre consumidor ou um nobre apreciador?) apresento: os rituais do preparo do café e o cerimonial nos entornos dos goles da bebida sagrada também atuam sobre o organismo. Ou seja, imagine aquela conversa bacana com um amigo ou uma amiga na companhia de uma cafezinho, o papo rolando solto sobre o trabalho, o casamento, aquele projeto que está prestes a ser realizado, aquela decepção que pensou que havia superado, mas que parece que não foi bem assim... Mas se você não quer companhia alguma a não ser do café, também está valendo, é um momento seu, de introspecção. Aaaahh! 

Arrisco a dizer que o efeito disso no organismo pode ser maior (e, quem sabe, melhor) que a ação da cafeína. 

Se você achar que isso tudo (de cafeína, café, efeito no organismo, preparo, ritual) não passa de bobagem, ok. Para você isso não passa de bobagem. Não estou com uma Uzi apontada para a sua cabeça querendo que concorde com minhas palavras ou que tome um café comigo.


Falando em café... 

Vou aproveitar o meu aqui. Antes que ele esfrie.

;)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

sexo doce


Ele conheceu uma garota que é tremendamente apaixonada por doces. Não tem hora, lugar, situação que ela recuse um docinho. Malandro, logo pegou no ar essa mania dela. Bem, não foi tão no ar assim.
A primeira observação que fez a respeito foi numa madrugada pós-balada. Dia clareando, os corpos cansados e ela se dirige à cozinha. É normal uma larica, uma sede, uma curiosidade para ver se ninguém roubou alguma coisa de dentro da geladeira. Elegante, ainda maquiada, ela retorna com... Com? Sim! Com um pote de doce de leite que repousa no colo, em cima da cama.
“Quer?”, disse ela oferecendo uma colherinha para o rapaz. Depois da recusa dele, a moça acabou com uma colherinha em cada mão. Os dois riram alto. E o conteúdo do pote foi-se rapidinho. Ela não percebeu, mas ele ficou vidrado nos lábios dela enquanto passava a língua nas colherinhas. Maldita (ou bendita) cabeça masculina que viajava em sexo oral enquanto sua companheira se alimentava. Talvez ele tivesse a esperança de uma transa, já que os níveis de glicose dela certamente haviam se elevado consideravelmente, a ponto de dar um upgrade na energia. Mas não rolou. O cansaço foi maior que eles. Às vezes algumas horas de sono são mais importantes que um orgasmo.
Noutra ocasião, conversavam sobre relacionamentos. Temas como paixão, sexo, amor, perda de identidade na relação, autoafirmação, crises eram tratados com se fossem PHD´s no assunto, porém, formados em instituições radicalmente paradoxais. Claro que homem e mulher fazendo uma DR sem mesmo estarem numa relação só podia dar em alguns desentendimentos. E, além disso, ambos eram jovens e, incrivelmente, relações afetivas duradouras, namoros, popularmente falando, estavam fora de seus dicionários no momento.
A certa altura da conversa, ela fechou o semblante e sentenciou “Ah, não! Nunca imaginei que você seria capaz de pensar assim”. Todo sem jeito ele tentou se desculpar. Até que estava conseguindo, não fossem mais algumas palavras equivocadas que só fizeram a garota confirmar a indignação com o que estava em questão. Pelo ar que tomou aos pulmões, ela iria soltar algum palavrão. Talvez manda-lo à merda, chamá-lo de filho da puta ou alguma coisa assim. Ou talvez fosse enfiar a mão na cara dele. Mas o rapaz, numa atitude astuta, lembrou da paixão dela por doces e antes que algo pudesse acontecer “aceita um chocolate?”. Nooossa! Foi como se ela tivesse visto o príncipe encantado chegando num cavalo branco. O doce salvou a conversa.
À noite eles saíram para jantar. Foram para a balada descontrair, dar umas boas risadas. Estavam reluzentes de felicidade. Não uma felicidade instantânea que vem e vai em 5 minutos. Era mais que isso. Nem eles próprios sabiam explicar. Uma bebida aqui, outra lá e os risos estavam mais soltos. Os corpos também. E os pensamentos...
Chegando no apartamento dela (sim, pois ela é a princesa, ele o plebeu) ambos se jogaram na cama. Estava escrito nos olhos deles que ia rolar uma transa. Os hormônios também anunciavam isso. E a conexão bacana deles ajudava. Então o que faltava? Nada! O momento era deles. Só ele e ela, só ela e ele.
Posso afirmar que intensidade é uma palavra que definia aquele momento. Lábios e línguas que se tocavam. Mãos que percorriam as curvas daqueles corpos ávidos, exalando desejo. Suspiros e gemidos. Tensão e tesão. Nada programado. Nada forçado. Outra palavra que poderia definir aquilo tudo é entrega.
Esticando o braço, ele pega algo que pelo barulho deu a entender ser uma camisinha. Mas não era. Soltando um risinho ele sussurra em tom irônico, sarcástico até, “querida, fica tranquila. Quero que curta esse momento. Relaxa e goza” e entrega um bombom para a garota. Tinha tudo para dar merda. Mas ela riu alto e o clima, por incrível que pareça, não foi quebrado. E a transa deles foi algo indescritível.
A sacada do rapaz da paixão da garota pelos doces foi algo que manteve um laço entre eles. Algo pouco convencional, sabemos, mas que certamente estará para sempre no acervo de histórias de ambos. Quanto à garota, é claro que ela continua tri parceira dele, mas quando questionada o que prefere, ela não titubeia “minha paixão é os doces, o resto é diversão”.

domingo, 2 de dezembro de 2012

minha (des)organização

No fundo eu suspeito do que é muito certinho. É mais ou menos como o velho ditado que diz que "quando a esmola é demais, o santo desconfia". O que é muito arrumadinho me passa a impressão de camuflagem, de maquiagem. Isso vale para coisas, pessoas, situações...
***
Meu quarto, por exemplo, é um lugar que algumas pessoas podem considerar uma bagunça. Tudo bem, eu concordo; mas é uma bagunça organizada. Eu ainda consigo saber onde está cada coisa que eu preciso.
O meu quarto tem vida. Aquela caneca com restinho de café que ficou do lado do computador. O copo de refrigerante que ficou do lado da cama. A garrafinha de água que caiu no chão e já foi chutada trezentas vezes. Os livros e revistas com leituras iniciadas espalhados, alguns na cama, outros na mesinha, outros... ah, nem vou falar. Roupas jogadas num banco, ou numa cadeira, ou no chão. Calçados para guardar. O clássico puxão de orelhas da mãe "de novo a toalha molhada em cima da cama!?". Enfim, quem nunca viu um quarto assim?
Pois então, talvez tenha gente pensando "isso é desorganização", ou "isso é coisa de relaxado", talvez ainda "ah, se morasse comigo as coisas seriam bem diferentes!". Mas como eu já disse, isso é vida. Meu quarto é habitado. Não quero viver num quarto de conto de fadas. 
***
Agora, com licença. Eu preciso procurar uma coisinha aqui. Acho que minha mãe deu uma geral na minha bagunça. E isso  me deixa um pouco perdido. 
Nos falamos em breve...

=)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Existirmos, a que será que se destina?*

O ser humano tem um prazo de validade. Sim! E mesmo com o aumento da expectativa de vida, poucos são os que têm fôlego de um Oscar Niemeyer. 
Nesse intervalo entre o nascimento e a morte, nos fazemos e nos refazemos, nos inventamos e nos reinventamos. Em tese, existimos. Essa existência até pode sofrer influências de alguns fatores, tais como o biológico, o psicológico, o social. Mas, embora as circunstâncias às quais estamos submetidos possam nos condicionar, ainda assim não somos determinados. Há uma tênue diferença entre condicionamento e determinismo. Como imortalizou Sartre, "a existência precede a essência". 
Nosso caminho não vem trilhado, nem com manual de instruções. O que há é esse caminhar, esse mesmo que por não sabermos onde vai dar às vezes nos anima, outras vezes nos deprime. 
Bem vindos, vida real! Aqui não há garantias de que as coisas aconteçam da melhor forma, tampouco existem indicativos de que tudo será trágico. 
Talvez viver seja um bom começo.
* Aos embalos de Cajuína, de Caetano Veloso.
Vídeos do próprio compositor, 
de uma versão de Marjorie Estiano 
e da Legião Urbana, a que mais ouço.
=) 

 

 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Como você se relaciona?

As relações de mercado se dão, em sua maioria, calcadas na moeda, no dinheiro. Ou seja, para a aquisição de algo, há de ter um pagamento. Essa relação se estende desde o pãozinho do café da manhã até aquela mansão ou aquele carro importado. Pagou, levou. Até virgindade se tornou produto comercializável.
Em épocas mais remotas, essas relações que hoje dependem do dinheiro eram feitas com base na troca. Salvo a minha pouca noção de proporcionalidade, trocava-se um saco de arroz por meio de feijão, um fogão por uma geladeira, um boi por um cavalo e aí por adiante. 
Pois esta relação de escambo tem, muitas vezes, feito parte das relações interpessoais em nossa época. Percebe-se isso através dos chavões, tais como "é dando que se recebe", "é preciso amar para ser amado", "perdoa e serás perdoado", "quem planta amor, colhe paz", entre tantos outros exemplos. É compreensível que para algumas pessoas as coisas se deem desta forma, mas não podemos universalizar isso.
Ademais, nem tudo na vida obedece essa lógica cartesiana, essa rigidez embasada na lei de causa e efeito. Não é preciso muito esforço para desmitificar as frases feitas que foram citadas acima. Conheço pessoas que amam alguém e não se importam se o sentimento é recíproco; amam por amor, não querem receber nada em troca, nem mesmo amor. Conheço casos de pessoas que são quase santas na terra, que tem uma capacidade enorme de perdoar, mas que não foram perdoadas ao cometerem um erro ou equívoco. Conheço gente que não tem paz, mesmo sendo imensamente amorosas com elas próprias, com outras pessoas e com o universo. Enfim, as possibilidades se estendem para além das regras prontas.
Como estamos falando de existência, não se trata de conceber uma maneira de ser no mundo como melhor ou pior, boa ou má. Há quem vivencie o mundo e suas relações por este prisma e existem também outras formas de ser não menos legítimas.  
O que temo é que nos escambos existencias as pessoas deixem de ser pessoas e passem a ser meros objetos.
Retomo, então, a questão do título do post: como você se relaciona? 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sobre um querer bem


Não lembro de ter visto algo diferente na comida ou na bebida. 
Mas a poção foi bem forte. 
Estou surpreso com os efeitos dessa droga em mim. 
E confesso: está sendo um barato!
Pensei que o encanto seria provisório. 
Mas já me acostumei com a ideia de ficar meio sequelado.


Deitar ao teu lado me deixa hipnotizado. 
Não consigo racionalizar o que acontece. 
Não tem nome. 
Não tem descrição. 
E quando não estou perto, arranjo um jeitinho de me teletransportar. 
É fácil lembrar do teu sorriso, 
do teu cheiro, 
da tua espontaneidade, 
de tudo aquilo que em ti me atrai.
Você está sendo o motivo das minhas noites insones. 
E, por incrível que pareça, eu acordo disposto, leve. 
Aliás, acho que eu deveria te agradecer por estar
 dando esse sopro de vida ao meu coração.
Vou deixar que percebas minha gratidão 
(se é que já não percebestes) 
e torcer para que não estejas de saco cheio de mim 
e das minhas paranoias.
Eu te quero bem.
;) Eu te perguntei : "e se eu me apaixonar?" 
e você sorriu pra mim...


  

domingo, 18 de novembro de 2012

Carona*


É pregado aos quatro cantos do mundo que deve-se ter o controle, que deve ser a própria pessoa a autora de sua história e tantas outras receitinhas prontas que podem ser adquiridas nas esquinas por aí. Pois muitas vezes uma carona pode ser necessária. Isso mesmo! Deixar de ser o condutor e ocupar outro lugar pode ser producente em alguns casos e para algumas pessoas.

Peguei uma carona com a vida. Me permiti percorrer algumas paragens existenciais antes não conhecidas. Não que elas não existissem; eu é que, ocupado em dirigir pelo trajeto, não percebia alguns detalhes que agora soam forte aos olhos, à alma e ao coração.
                                                 *Embalado pela canção da Cidadão Quem
.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Levanta-te e anda!

Se não me engano tem algo na Bíblia semelhante a "levanta-te e anda!" ou algo do gênero.
Não conheço ninguém que saiu andando da maternidade, de mãos dadas com os pais. Até os primeiros passos, foram necessárias várias tentativas, entre engatinhadas, tropeços nas próprias pernas, bundadas no chão, cabeçadas em cadeiras ou outros objetos e por aí adiante.
Algumas outras coisas dependeram de processos de tentativa e erro, a maioria delas de quedas e retomadas. Quer mais exemplos? 
Não ouvi relatos de alguém que sentou no banco de uma bicicleta e saiu pedalando e feliz da vida. Sem ziguezaguear para pegar o jeito de como tem de ser o equilíbrio e sem quebrar a cara é quase impossível aprender a andar de bike.
Os patinadores, seja de pista de asfalto ou de gelo, também devem ter titubeado um tanto antes de aprender as manobras acrobáticas ou a alcançar altas velocidades. 
Kelly Slater talvez seja os esportista que menos machucou o corpo com as quedas. Mas aposto que ele bebeu alguns grandes goles de água do mar até se tornar o surfista renomado mundialmente que é hoje. Não foi na primeira subida na prancha que ele saiu manobrando-a como uma empregada doméstica manobra um ferro de passar roupas.
Duvido que o Bob Burnquist comprou um skate e saiu dar um rolé numa megarrampa. É claro que este brasileiro, que é um dos maiores skatistas do mundo, deve ter ralado os joelhos, cotovelos e tantas outras partes do corpo nas primeiras tentativas de andar no mais tarde se tornou o seu instrumento de trabalho.
A ginasta Daiane dos Santos, mesmo com todos os treinamentos em colhões e espumas, deve ter se espatifado no chão algumas várias vezes na realização das suas acrobacias. 
Nem precisava ser tão extremo assim, né?! Mas foi proposital. =)
Os exemplos servem para ilustrar que essas pessoas poderiam ter entregado as fichas lá no início. Nos primeiros tombos eles poderiam ter desistido. Mas não! Insistiram, levantaram, caíram, se firmaram, caíram de novo, ousaram novas manobras, 'blum!' mais uma vez e quase infinitas vezes. No caso dos esportistas, a persistência, a repetição quase os leva a perfeição.
Mas a lição que eu quero trazer é que é inevitável que você dê com a cara no chão algumas vezes na vida. Nem nos romances do cinema as coisas não são perfeitas; há várias tramas desconfortáveis antes do final feliz. 
Bem vindos a vida real. Aqui nesse mundo existem incompreensões, traições, rompimentos, mortes e tantas outras coisas que botam pra baixo, que derrubam mesmo. É hipocrisia se achar o super-homem e pensar que vai passar pela vida ileso a tudo o que leva a momentos de tristeza, de reflexão, de isolamento, de dor. 
Aí é que entra a metáfora do início do texto e os exemplos citados acima. Não é o caso de não vivenciar o processo da dor; ninguém é imune a ela. O ponto crucial é que algumas quedas servem para te deixar mais firme no retorno. Sacuda e poeira e siga seu caminho.
Levanta-te a anda!